Francine pegou o celular e, ainda mordendo a torrada com geleia, digitou uma mensagem rápida para Adele:
“Bom dia… tô bem. Depois te explico.”
Nem teve tempo de apoiar o celular de volta no colo. A tela piscou, e o nome de Adele apareceu numa chamada de vídeo.
— Olha só quem resolveu dar sinal de vida! — Adele surgiu na tela com o cabelo preso de qualquer jeito, a expressão meio zangada, meio aliviada. — Fiquei preocupada porque você não voltou pra casa. Aí pensei: ‘vou ver se saiu alguma notícia do baile’… e o que encontro? Um vídeo seu, toda deslumbrante, sendo coroada rosto do ano! Francine, que história é essa?
Francine deu uma risadinha e escondeu o rosto com a mão, ainda meio tímida.
— Eu sei, eu devia ter avisado… Mas foi tudo tão rápido, Adele. Nem sei explicar. Parece que estou vivendo um sonho. — Enquanto falava, lançou um olhar rápido para Dorian, que estava sentado à mesa com a xícara de café entre as mãos.
Ele apenas ergueu levemente o canto da boca num sorriso contido, como se confirmasse silenciosamente que aquele sonho era bem real.
— Um sonho bem real, pelo visto — provocou Adele, percebendo o olhar.
— Ei… não começa — Francine riu, abanando a mão.
— Tá bom, tá bom. Mas e aquela cena com a Chloe? O que foi aquilo? — Adele abriu os olhos, escandalizada.
Francine deu de ombros, com um sorriso malicioso.
— Só posso dizer que ela teve o que merecia. Os detalhes eu te conto quando chegar em casa.
— Hum… Então vou esperar pela versão estendida. — Adele respondeu, com um tom maternal, antes de suspirar aliviada. — Pelo menos agora sei que você tá bem.
As duas trocaram um último sorriso cúmplice antes que a chamada fosse encerrada.
Depois de se despedirem, a tela se apagou e o quarto voltou a ficar silencioso, exceto pelo tilintar da xícara que Dorian pousou de volta no pires.
O olhar dele a acompanhava desde o início da conversa, intenso e firme.
— Acha que escapou fácil? — ele perguntou, a voz grave, mas calma. — Ontem à noite, quando estávamos saindo do salão, a porta do hotel já estava tomada por repórteres. Todos atrás de uma palavra sua, todos famintos por uma imagem, uma frase, qualquer coisa.
Francine franziu o cenho, surpresa.
— Já tudo isso?
Dorian a seguiu com passos silenciosos, a expressão menos séria do que de costume.
Assim que Francine tirou o roupão e ergueu o vestido, ele a alcançou.
Num único movimento, a envolveu por trás, a firmeza de suas mãos contrastando com a suavidade do toque, que percorreu lentamente o seu corpo em sentidos opostos, uma mão subindo até seus seios e a outra descendo até suas coxas.
Francine deixou escapar um suspiro involuntário, arqueando levemente as costas quando sentiu o toque quente das mãos dele.
— Dorian… — murmurou, sem de fato soar repreensiva.
Ele inclinou o rosto até roçar os lábios na orelha dela, e mordeu de leve a pele sensível, arrancando dela outro suspiro, desta vez mais fundo.
Sua voz soou baixa, grave e rouca, tão próxima que parecia vibrar contra a pele dela:
— Pensando bem… acho que ainda dá pra se divertir mais um pouco.
Francine virou levemente o rosto para ele, sem conseguir conter o sorriso que denunciava que a “responsabilidade” teria que esperar só mais alguns instantes.

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