Dorian entrou no apartamento equilibrando três caixas de mudança nos braços.
A camisa regata que usava não apresentava o menor sinal de suor, o que, para Francine, era quase uma afronta.
Ele parecia imune ao esforço físico, como se o peso daquelas caixas fosse o mesmo que o de uma sacola de pão.
Ela ergueu os olhos e os manteve ali por tempo demais.
Os braços dele, fortes e tensionados, pareciam esculpidos.
O movimento preciso, o controle no olhar…
Francine quis mesmo era se perder naqueles braços, esquecer a parede pela metade e todo o resto.
Mas a voz grave dele a puxou de volta:
— Essas são as últimas… E você dizendo que só tinha o suficiente pra encher uma caixa, hein?
Francine fingiu concentração enquanto recolhia o rolo de tinta que tinha acabado de passar na parede.
— Você se ofereceu pra carregar, então não reclame.
Ele largou as caixas no quarto e voltou.
Sem aviso, envolveu-a por trás, o que fez o coração dela tropeçar por um segundo.
— Você está namorando um CEO — murmurou ele contra o ouvido dela. — Eu gosto de previsibilidade.
Ela deixou o rolo cair e se virou devagar, se encaixando no abraço dele.
— E eu gosto quando você me abraça assim… — disse, roçando os lábios nos dele e se pendurando em seu pescoço. — Mas gosto ainda mais da ideia de terminar de pintar isso aqui.
Dorian estreitou os olhos, tentando decifrar se ela estava mesmo levando aquilo a sério ou só provocando.
Ela, no entanto, já se abaixava para pegar o rolo de volta.
Ele mordeu o lábio, o olhar percorrendo o corpo dela, da curva do ombro até as pernas nuas, manchadas de tinta branca.
Passou as mãos pelos cabelos, respirou fundo e tentou não se deixar levar pela tentação de agarrá-la e rolar com ela ali mesmo, no chão da sala.
Um suspiro de rendição escapou antes de ele se afastar em direção à cozinha.
Francine se abaixou para colocar mais tinta na bandeja, quando algo no chão chamou sua atenção.
Um dos jornais que ela havia colocado no chão pra proteger dos respingos de tinta, exibia uma foto conhecida demais.
Era uma edição do dia seguinte ao baile da Montblanc.
No topo da coluna, uma imagem cristalina: ela e Dorian, no instante exato do beijo.
Francine se agachou, os olhos deslizando pela manchete:
“CEO da Villeneuve Corp assume novo affair em baile na França.”
Leu o pequeno texto abaixo, uma coluna superficial, cheia de suposições.
Dizia que Dorian finalmente aparecia em público acompanhado e que sua “suposta namorada” era uma aspirante a modelo.
Nada sobre a Montblanc, nada sobre o título que ela havia acabado de receber.
Apenas uma menção ao nome dela.
— Essa cozinha é minúscula — Dorian reclamou, voltando da cozinha com um copo d’água na mão. — E nada funcional.
— É, ué — respondeu ela, com um meio sorriso, pegando novamente o rolo de tinta. — No final é só uma foto.
Dorian deu um passo à frente e, antes que ela pudesse terminar de rir, a puxou pela cintura.
Enfiou as mãos nos bolsos de trás do short jeans dela e aproximou os dois corpos num movimento decidido.
O riso virou suspiro.
O rolo de tinta caiu da mão dela, deixando uma marca branca no chão.
— Eu também prefiro ao vivo — murmurou ele antes de beijá-la.
Francine sorriu entre o beijo, as mãos deslizando pela nuca dele.
Quando o ar começou a faltar, ela se afastou, rindo.
— Se continuar assim, nunca vou terminar essa pintura.
— Eu posso contratar alguém pra terminar.
— E perder a chance de me ver suja de tinta? — ela provocou. — Duvido.
Dorian sorriu, aquele sorriso discreto e perigoso que ela já sabia o que significava.
— Tocou num ponto justo.
Ele voltou a beber a água, e Francine retomou o trabalho.
Mas o jornal continuava ali, sobre o chão, um lembrete silencioso de que a vida dos dois já não era mais só deles.

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