Oscar manteve o olhar preso ao do filho por alguns segundos, como se esperasse que ele recuasse, mas Dorian não se moveu.
O pai acabou cedendo primeiro, respirando fundo antes de se virar e sair, com Eleonor o seguindo logo atrás, os saltos ecoando pelo chão de mármore como marteladas.
Quando o som dos passos finalmente desapareceu, Dorian ficou ali, imóvel, os ombros tensos e o olhar perdido.
Francine o observava em silêncio, sentindo o peso daquele confronto, a coragem dele e o preço que isso custaria.
Dorian inspirou fundo e caminhou até ela.
Quando seus braços a envolveram, Francine sentiu o corpo dele ainda vibrando de tensão.
— Está tudo bem? — ele perguntou, a voz rouca, mais calma do que seus olhos denunciavam.
Ela balançou a cabeça devagar.
— Eu devia ter te imaginado… eu não fazia ideia de que meus pais iam aparecer aqui. Me desculpa por isso, Dorian.
— Não tem nada pra se desculpar. — Ele acariciou de leve o cabelo dela. — A culpa foi toda dos meus pais. Mas pode ficar tranquila, Francine. Eu não vou permitir que ninguém se meta entre nós outra vez.
Ela soltou um suspiro cansado enquanto observava o prato praticamente intocado sobre a mesa.
— Eles acabaram com o almoço.
Dorian arqueou uma sobrancelha.
— Não com a sobremesa. — Fez sinal para um dos funcionários. — Traga o suflê, por favor.
Francine deixou escapar um riso breve, o primeiro desde que tudo começou.
Ele puxou a cadeira pra ela com um gesto gentil, e os dois se sentaram.
O ambiente estava mais silencioso agora, e era possivel ouvir até as folhas das árvores no jardim sendo chacoalhadas pelo vento.
Mas, ao olhar para a mesa, Francine percebeu que havia algo errado.
Os talheres de prata, que antes reluziam nos lugares dos pais dela, haviam sumido.
Ela congelou por um segundo, piscou, depois olhou de novo.
Nada.
Nem faca, nem garfo.
Apenas os guardanapos cuidadosamente dobrados.
O estômago revirou.
“Não é possível…”
A raiva subiu rápido, queimando por dentro.
Claro que eles tinham levado alguma coisa. Claro que não conseguiriam sair de lá sem deixar uma última vergonha.
Ela pegou a colher com força e mergulhou no suflê de chocolate trufado, o aroma do conhaque e da framboesa se misturando ao gosto amargo do constrangimento.
— Vou alugar um apartamento pra mim — disse de repente, ainda olhando pra sobremesa, como quem avisa algo simples, mas definitivo.

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