Dorian entrou no prédio espelhado da Villeneuve Corp sentindo o peso do dia antes mesmo de alcançar a cobertura.
O elevador subia em silêncio, refletindo sua expressão impenetrável nas paredes metálicas.
Ele já previa a tempestade que o aguardava.
Depois do almoço caótico entre as famílias, seria ingenuidade esperar que o pai deixasse as coisas como estavam.
Oscar Villeneuve nunca deixava.
E, pior ainda, sempre cumpria suas ameaças.
O sinal sonoro anunciou a chegada ao último andar.
Dorian passou pela recepção sem dizer palavra, e sua secretária apenas inclinou a cabeça, ciente de que qualquer tentativa de conversa seria em vão.
Ao atravessar as portas de vidro da sala de reuniões, seus olhos foram direto para a redoma de cristal sobre a prateleira.
Dentro dela, a máscara vermelha usada por Francine no baile em sua mansão repousava como uma lembrança viva do ponto de virada em sua vida.
Por um instante, ele parou diante dela.
Aquela máscara representava tudo o que havia mudado desde então.
Antes de Francine, ele teria se curvado às exigências do pai, feito concessões em nome da conveniência, sufocado qualquer desejo pessoal em nome da reputação Villeneuve.
Mas agora, olhando para aquele fragmento de uma noite que transformara sua existência, ele sabia: não voltaria atrás.
Mesmo que precisasse reerguer tudo do zero, faria isso com as próprias mãos.
A porta se abriu atrás dele.
Osacar Villeneuve entrou com seu terno cinza impecável e o mesmo olhar severo que Dorian conhecia desde a infância, aquele que fazia executivos tremerem, mas que nele só despertava uma antiga exaustão.
— Podemos nos sentar, Dorian. Isso vai ser rápido. — A voz do pai soou firme, quase burocrática.
Ele obedeceu, por mera cortesia.
— Imagino que saiba o motivo da reunião — continuou Oscar, ajustando o relógio no pulso como quem prepara o tempo para as próximas palavras. — Tenho repensado nossos investimentos conjuntos. As últimas decisões da Villeneuve Corp me deixaram… preocupado.
— Preocupado, ou ofendido? — Dorian cruzou os braços, impassível. — A diferença é importante.
Oscar o observou por alguns segundos antes de se recostar na cadeira.
— Você sabe que se eu transferir nossos contratos e capitais para a Alder & Co., eles terão força o bastante para competir com você.
Dorian soltou uma risada breve, sem humor.
— Competir comigo? Meu nome é o que sustenta o valor da Villeneuve Corp. — Ele apoiou os cotovelos na mesa e o encarou de frente. — A perda de um investidor não vai destruir o que eu construí.
O pai ergueu as sobrancelhas, ligeiramente surpreso com o tom firme do filho.
— Não subestime o peso da minha influência, Dorian. Você acha que o mercado vai continuar a te apoiar quando perceber que até o próprio Oscar Villeneuve não confia mais em você?

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