O desfile em São Paulo transcorreu como um sonho.
As luzes, a música, os flashes, tudo conspirava para destacar Francine, que parecia flutuar na passarela.
Cada passo seu exalava confiança e leveza, e o público respondia com aplausos que ecoavam como ondas.
Quando o desfile chegou ao fim, alguns jornalistas se amontoaram nos bastidores, ansiosos por arrancar dela qualquer palavra, afinal, a nova aposta da Montblanc estava no centro dos holofotes.
Ela respondeu a algumas perguntas com elegância, desviando habilmente das mais pessoais.
Assim que conseguiu escapar do cerco, retirou o vestido com o auxílio de uma assistente e vestiu um conjunto simples de calça e blusa de seda, deixando o glamour para trás.
Ao sair para o saguão, ela o viu.
Dorian estava ali, impecável, terno escuro perfeitamente ajustado, um buquê de flores brancas nas mãos e aquele olhar que misturava orgulho e ternura.
Por um instante, tudo ao redor pareceu desacelerar.
Ela não conteve o sorriso.
Aproximou-se, e assim que se abraçaram, o som suave do clique de câmeras começou a pipocar ao redor.
Flashes os cercaram como chuva de luz.
— Pra um homem discreto, você está chamando muita atenção — provocou ela, divertida.
Dorian inclinou o rosto, mantendo o sorriso contido.
— Tenho certeza de que estão mais interessados na modelo promessa do ano do que em mim.
Francine riu, mas o som da própria risada morreu rápido.
Por um instante, entre a multidão que se dispersava, ela viu uma silhueta conhecida, alta, ombros largos, o andar firme demais para ser coincidência.
Com a vista ofuscada pelos flashes, ela não conseguiu confirmar de imediato, mas o coração deu um salto no peito.
Antes que pudesse se certificar, a figura desapareceu na multidão.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou Dorian, percebendo o olhar perdido dela.
— Nada. Achei que tivesse visto alguém conhecido... mas foi só impressão.
Ele assentiu, ainda observando o rosto dela como quem decifra um mistério, antes de envolvê-la pela cintura e guiá-la até o carro.
No caminho até o hotel, o silêncio entre eles era confortável, mas Dorian parecia distante.
Quando chegaram, ele perguntou, num tom sereno, mas cansado:

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