Quando os primeiros raios de sol invadiram o galpão, Francine não fazia ideia de quanto tempo tinha dormido.
Só sabia que o corpo doía, o pescoço parecia um nó e a cabeça latejava como se tivesse levado uma surra.
Passou boa parte da noite tentando entender onde estava.
A luz acima dela, forte demais, ofuscava a visão e deixava tudo em volta num breu absoluto.
Nem sombra, nem janela, nem sinal de vida.
Mas conforme o dia amanheceu, alguns filetes de luz começaram a entrar por frestas quase invisíveis nas paredes do galpão.
Aos poucos, o ambiente começou a se revelar: caixas empilhadas, contêineres velhos, poeira suspensa no ar. Cheiro de ferrugem.
Francine respirou fundo, observando cada canto.
Nada que denunciasse onde estava. Nenhuma marca, nenhum nome. As caixas estavam sem identificação.
Ela testou o movimento do pulso, forçando o quanto pode.
O som seco do metal respondeu. Correntes. Presa à cadeira.
Ela olhou pra frente e avistou a mesinha com a tesoura que haviam usado pra ameaçá-la no vídeo.
“Nossa, super útil”, pensou, sarcástica. “Só que não.”
Ela sabia, se quisesse sair dali, teria que fazer alguém abrir as correntes por ela.
Ela ainda observava o ambiente em busca de pistas quando o som de uma tranca ecoou do lado de fora.
Francine ergueu o olhar.
A porta se abriu e o homem que a tinha buscado no aeroporto entrou.
O mesmo que tinha sido todo educado, blazer alinhado, sorriso ensaiado... agora parecia um robô sem alma.
Ele trazia uma garrafa de água nas mãos e tava com cara de quem tinha dormido tanto quanto ela.
— Olha só, serviço de quarto! — ela comentou, com um sorriso torto. — Vai me trazer o cardápio também ou é só o drink mesmo? Acho que já está na hora do café da manhã.
O homem nem piscou.
Só colocou a garrafa na boca dela para que ela bebesse um pouco e voltou para uma cadeira a alguns metros, pegando o celular.
Francine observou o movimento.
Ele estava digitando.
“Se ele tá mexendo no celular, aqui tem sinal”, pensou. “Então não estamos no meio do nada. E se não estamos no meio do nada… eu tenho chance.”
Um sorriso lento apareceu no canto da boca dela.
— Ei, moço da garrafa de água — chamou, com a voz doce demais pra ser real. — Você já deve saber que tudo que entra… sai, né?
Ele levantou o olhar devagar, sem entender.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras