Quando Francine acordou, seu queixo foi puxado de uma vez para cima, e a primeira coisa que ela viu foi um celular quase entrando em seu rosto.
Por um segundo, pensou que estava sonhando, porque tudo ainda estava escuro, e havia apenas uma luz sobre ela que quase a deixava cega.
Mas o pescoço doía, o braço não se movia, e o ar cheirava a mofo. Então não era sonho.
Francine piscou algumas vezes, tentando entender o cenário.
Uma cadeira metálica. Um feixe de luz sobre ela. Escuridão ao redor.
Tentou mexer o pulso e ouviu o som seco do metal. Correntes.
Maravilha. Sequestrada.
"Olha só que glamour", pensou. “Às vésperas de realizar meu sonho de desfilar na Paris Fashion Week, eu viro protagonista de Cativeiro — o Filme. Que sorte a minha.”
Tentou puxar mais uma vez, em vão.
A cadeira não cedia.
Os tornozelos também estavam presos.
E foi aí que ela viu o homem que a acompanhara desde o aeroporto, o mesmo motorista educado de blazer, agora sem o sorriso e com o olhar frio, observando-a de frente.
Francine engoliu seco, mas manteve a expressão neutra.
O homem não disse nada. Apenas apoiou uma tesoura sobre uma mesinha diante dela. O som metálico ecoou pelo ambiente.
A mesma tesoura que aparecera no vídeo.
Ela o observou por baixo dos cílios, tentando parecer calma, o que era quase fácil, considerando que já enfrentara produtoras histéricas, stylists surtados e uma passarela mal montada quase desabando.
Comparado a isso, um sequestro parecia só um inconveniente com menos glitter.
— Vocês vão me matar ou é só um treinamento de paciência? — perguntou, a voz rouca, mas firme.
O homem nada respondeu.
Francine suspirou.
— Sério, moço. Se é pra me ameaçar, podia pelo menos servir um café. Eu acordo melhor com cafeína.
Um som de passos ecoou atrás dela.
Fortes, lentos, seguros.
Ela virou o rosto na direção da sombra que se projetava na parede, e um frio percorreu sua espinha antes mesmo de ver quem era.
A voz veio primeiro.
— Sempre tão espirituosa, Francine. Até mesmo em circunstâncias... desfavoráveis.
Ela o reconheceu de imediato.
Natan.
Ele se aproximou, saindo da penumbra, o rosto iluminado pela luz que antes era só dela.
O terno impecável, o sorriso irritante no canto da boca, agora multiplicado por mil em arrogância.
Francine o encarou, os olhos estreitando.
— Ah, ótimo. Então é você. Já tava achando que tinham me sequestrado por engano, tipo aqueles casos de confundir modelo com milionária.

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