O silêncio do galpão foi quebrado pelo som apressado de passos.
Francine prendeu a respiração.
Tinha se enfiado entre duas caixas enormes, tentando parecer parte da decoração.
Se pelo menos tivesse um papel higiênico por perto, a encenação seria perfeita.
O capanga apareceu, cambaleando. A testa ainda vermelha da cabeçada que levara.
— Ei! — ela gritou, fazendo sinal com as mão para ele parar, antes que pudesse alcançá-la. — Dá licença! Posso ter pelo menos um pouco de privacidade pra fazer as minhas necessidades?
O homem parou, surpreso.
— Como é?
— Isso mesmo! — respondeu ela, gesticulando como se aquilo fosse o argumento mais lógico do mundo. — Eu tô desde ontem presa naquela cadeira. Estava já desesperada para aliviar o sistema digestivo, se é que você me entende.
Ele cruzou os braços, sem mover um músculo.
— E achou que podia sair andando por aí, é isso?
— Olha, moço, com todo respeito, mas não dava pra fazer na frente de um desconhecido. A menos que o pacote de sequestro inclua humilhação, aí eu já não sei mais o que esperar.
Ele estreitou os olhos, desconfiado.
— E o que você tava fazendo com o meu celular?
Francine piscou, tentando parecer ofendida.
— Ué, moço… quando você vai fazer o número dois, duvido que não leve o celular junto. Eu só tava vendo uns vídeos pra passar o tempo! Quase consegui terminar uma receita de pavê antes de você chegar.
Ele bufou, se aproximando e arrancando o celular da mão dela.
Rolou a tela com o polegar, procurando algo suspeito.
Nada.
Francine já tinha apagado o histórico da ligação.
— Esperta demais pro seu próprio bem — resmungou ele.
— Eu juro que não foi de propósito — disse ela, tentando manter a voz calma. — Eu levantei muito rápido porque tava apertada. Aí, sem querer, acertei sua cabeça. Mas olha, foi um belo impacto, viu? Devia considerar uma carreira de dublê.
O homem suspirou fundo, massageando a nuca, claramente no limite da paciência.
— Você tem dois minutos pra terminar o que tava fazendo. Ou vai voltar pra cadeira e fazer suas necessidades lá.
Francine revirou os olhos.
— Dois minutos? Ah, ótimo. Vai ser recorde mundial.
Mesmo assim, respirou aliviada.
Enquanto fingia obedecer, a cabeça dela fervilhava de ideias.
Pelo menos ele não tinha percebido nada de errado com o telefone.
Não sabia se tinha ficado tempo suficiente na ligação, mas talvez Dorian já estivesse a caminho.
Pouco tempo depois, ele a arrastou de volta pra cadeira e amarrou novamente as correntes com força exagerada.
Francine sentiu os pulsos arderem, mas manteve o olhar firme e provocador, como sempre.
O homem se afastou alguns passos, tirou o celular do bolso e fez uma ligação.
— Sua princesinha resolveu me dar dor de cabeça logo pela manhã — disse ele, depois de um breve silêncio.
Francine arqueou as sobrancelhas.
“Princesinha?”

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