O som das hélices cortando o ar ecoava como um rugido constante, preenchendo cada silêncio que ainda restava entre os homens no helicóptero.
Dorian mantinha o olhar fixo na tela do celular, os olhos faiscando de raiva.
O vídeo terminava com o som seco da tesoura e os cabelos de Francine caindo em câmera lenta sobre o chão.
Logo abaixo, a mensagem brilhava em letras brancas, cruas, quase zombeteiras:
“O cabelo está acabando. O que eu devo cortar no próximo vídeo?”
— Desgraçado! — Dorian vociferou, apertando o celular com tanta força que parecia prestes a esmagá-lo. — Quando eu te pegar, Natan…
O segurança ao lado lançou-lhe um rápido olhar de canto, mas permaneceu em silêncio.
O chefe de segurança, um homem grisalho de expressão dura e olhar estratégico, inclinou-se um pouco para a frente.
— Senhor, estamos chegando à área onde o sinal do celular foi rastreado.
Dorian endireitou o corpo, o maxilar travado.
— Quero todos de olho — ordenou, a voz firme. — Procurem por qualquer galpão, qualquer estrutura isolada. Ele não pode ter levado ela muito longe.
Os seguranças se inclinaram, observando a paisagem que se estendia abaixo: o litoral de São Sebastião, salpicado de morros, estradas de terra e clareiras escondidas entre a vegetação.
— E o delegado? — Dorian perguntou, sem tirar os olhos da janela.
— Já foi notificado — respondeu o chefe de segurança. — Com a quantia que o senhor ofereceu, ele praticamente colocou a força policial inteira do litoral à disposição. Todos os agentes têm o rosto do Natan e as informações do veículo que ele pode estar usando. Se ele tentar fugir, não vai chegar longe.
Dorian assentiu, respirando fundo, tentando conter o impulso de ordenar que baixassem o helicóptero ali mesmo.
— Lá! — a voz de um dos seguranças rompeu o barulho das hélices. — Estou vendo um galpão, senhor! No meio daquela clareira, perto da encosta!
Dorian se inclinou, o coração acelerando.
Entre as árvores, a estrutura metálica se destacava, velha, isolada.
— Diogo, se aproxime — ordenou ele ao piloto. — Quero que me coloque o mais perto possível.
O piloto avisou, hesitante.
— Senhor, se chegarmos muito perto, eles vão ouvir as hélices. Podemos alertar os sequestradores. Vou precisar dar uma volta e encontrar um ponto de descida seguro.
Dorian pensou por um instante, cada fibra do seu corpo pedindo pra ignorar o aviso.
Mas ele sabia que um movimento precipitado podia custar caro.
— Tudo bem — respondeu, a voz grave. — Faça isso. Só não demore.
Enquanto o helicóptero começava a contornar a área, Dorian virou-se para o grupo.
— Quero todos prontos. Assim que tocarmos o solo, seguimos em formação. Ninguém dispara até eu dar ordem. Se Natan estiver lá, eu mesmo cuido dele.
Um breve silêncio tomou conta do helicóptero. O tipo de silêncio que antecede uma tempestade.
Dorian o fitou, gelado.
— Onde ela está? Natan está com ela? — perguntou, a voz grave e firme.
O homem tentou se justificar, tremendo:
— Eu… eu só recebo ordens, senhor. O Natan disse que ia voltar pra ele mesmo fazer o serviço…
— Então é isso — Dorian o interrompeu. — Vamos deixar o rato voltar pro esgoto.
Virou-se para o chefe de segurança:
— Avise a polícia local pra manter o perímetro fechado, mas sem sirenes, sem luz, sem alarde. Quero ele achando que ainda tem o controle da situação.
O chefe de segurança assentiu com um movimento rápido e começou a distribuir as ordens pelo rádio.
Todos adentraram a mata e Dorian os seguiu ajeitando a manga da camisa, o olhar fixo no galpão à frente com uma calma que era pura fachada. Por dentro, o sangue fervia.
Ele inspirou fundo, o ar denso de mata e metal enchendo os pulmões.
— Mantenham posição — disse, ajustando o colete e fechando o punho. — Ninguém entra até o meu sinal.
Deu um último passo à frente, a expressão endurecendo.
— Pode vir, Natan… — murmurou, num tom baixo e firme. — O que é seu tá guardado.

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