Malu tomou um banho rápido, daqueles que prometem lavar a alma mas só conseguem deixar o corpo minimamente funcional.
Vestiu seu baby doll favorito: o conjuntinho cinza de algodão preso no corpo como se tivesse sido moldado nele, com detalhes rosados na alça e renda suave na cintura, deixando as curvas marcadas de um jeito indecente sem fazer esforço.
O shortinho era tão curto que qualquer movimento revelava a curvinha da bunda.
Confortável, fresco… e perigosíssimo.
Ela se jogou no sofá com uma colher na mão e o restinho de pudim da festa na outra, colocando na TV qualquer coisa que não exigisse neurônios.
Estava quase entrando no modo “larva sedentária” quando a campainha tocou.
— Ah, não… — resmungou. — Só pode ser vizinho pedindo sal. Quem toca a campainha dos outros a essa hora?
Foi até a porta arrastando os pés e olhou pelo olho mágico.
Um arrepio subiu pela espinha.
Cassio.
Impecável, camisa escura, o cabelo arrumado num desalinho elegante. Mechas caindo na testa como se tivessem sido posicionadas a dedo.
O olhar, porém, era de cachorro arrependido.
Parecia menos o vice-presidente da Villeneuve Corp e mais um menino levado que sabia que tinha aprontado.
Malu respirou fundo, recuperando a pose antes que ela evaporasse.
Abriu só uma fresta da porta, deixando aparecer apenas o rosto.
— O que você quer? Acabou o sal do seu apartamento?
Cassio sorriu daquele jeito que sempre desmontava metade da sanidade dela.
Levantou uma sacola de papel com a logo de um restaurante japonês que Malu amava.
— Você disse que estava cansada. Pedi comida japonesa pra você não ter que cozinhar.
Malu mordeu o lábio para segurar o riso. Não funcionou.
Estendeu a mão para pegar a sacola, mantendo o corpo escondido atrás da porta.
— Agradeço.
Mas Cassio segurou a mão dela antes, levando-a aos lábios num beijo lento demais para ser inocente.
— O entregador é brinde — murmurou. — Você não vai deixar ele do lado de fora, né?
Pronto. Desarmou ela.
Malu suspirou, vencida.
— Entra. Mas eu ainda estou aborrecida com você.

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