Malu acordou só quando o sol já estava alto demais, invadindo o quarto como quem entra sem bater.
Piscou algumas vezes, espreguiçou-se devagar… e só então pegou o celular.
O susto veio na hora.
5 mensagens de Cássio. 2 chamadas perdidas.
Malu suspirou, jogando o celular no colchão.
— Não hoje…
Ela se arrastou até a cozinha, tomou um copo de água e decidiu que precisava parecer ocupada.
Então pegou o telefone e ligou para Francine.
A amiga atendeu na primeira chamada, como se estivesse só esperando.
— Finalmente, Malu! Eu jurava que você ia aparecer cedo pra salvar meu almoço! Você prometeu ensinar o cozinheiro como se cozinha de verdade!
— Fran… — Malu coçou o olho, ainda sonolenta. — Hoje não vai dar. Eu tô morta, vou aproveitar pra arrumar o apartamento. Prometo ir amanhã. Juro. Cedo. Me espera acordada.
Francine fez um drama digno do Oscar.
— Amanhã cedo? Vou até colocar alarme! — ela resmungou. — Mas pelo menos aparece pro café da tarde. EU PRECISO fofocar.
— Francine… — Malu riu fraco. — Hoje não dá mesmo. Amanhã eu tô aí. Palavra de honra.
— Covarde! — Francine gritou, mas já rindo. — Tá bom. Vai. Me abandona mesmo. Depois não reclama quando meu filho preferir o lado da família do Dorian!
— Para com isso, menina. — Malu gargalhou. — Te vejo amanhã.
Desligou.
E ficou olhando para a própria sala, que parecia uma mini zona de guerra pós-festa.
Levantou, abriu as janelas para o ar entrar, amarrou o cabelo em um coque torto e colocou uma playlist de músicas dançantes.
O primeiro refrão começou e Malu caminhou para a sala como uma general entrando em batalha.
Foi então que veio o golpe baixo da memória.
O sofá.
O colo dele.
As mãos dele nas costas dela.
A boca quente deslizando pelo pescoço dela.
O beijo na porta.
Os dedos entrelaçados na cintura dela.
O olhar dele dizendo claramente “mais um pouco e eu te devoro”.
Malu fechou os olhos com força.
— NÃO. Não, não, não — ela reclamou para si mesma, abanando as mãos como quem espanta mosquito. — Sem tempo pra drama!
E foi assim que ela começou a limpar o apartamento: com o coração acelerado demais, a mente traindo ela a cada cinco minutos, e a certeza absoluta de que, se Cássio Bachinni aparecesse ali naquele momento…
Ela estava ferrada.



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