A luz da manhã entrou silenciosa pelas paredes de vidro do hotel, refletindo na cidade inteira coberta de branco.
Nova York estava irreconhecível.
Os prédios, os carros, as calçadas… tudo parecia ter sido redesenhado durante a noite, como se alguém tivesse decidido apertar o botão de recomeço enquanto eles dormiam.
Cássio acordou primeiro.
Por alguns segundos, ficou apenas observando Malu dormindo ao seu lado, o cabelo espalhado no travesseiro, o rosto relaxado de quem finalmente tinha descansado depois de dias demais em guerra consigo mesma.
Ele se inclinou devagar e deixou um beijo leve na testa dela.
Depois outro, mais lento, nos lábios.
Malu despertou aos poucos, ainda meio perdida entre o sonho e a realidade.
— Feliz Natal — ele disse, a voz baixa, um pouco rouca de sono… e de emoção. — Duvido que eu vá ganhar um presente melhor do que esse algum dia na minha vida.
Ela sorriu, se aconchegando mais contra o peito dele, respirando fundo.
— Eu tava com saudade do seu cheiro — murmurou, escondendo o rosto no pescoço dele.
Cássio passou a mão pelos cabelos dela com carinho, como se estivesse memorizando cada detalhe.
— Eu tava com saudade de você inteira.
Malu levantou o rosto, ainda com aquele sorriso sonolento.
— Isso é meio loucura, né? A gente se conhece há tão pouco tempo…
Ele pensou por um segundo, depois respondeu com a tranquilidade de quem finalmente tinha entendido alguma coisa importante.
— Eu conheci a Bianca a vida inteira. — deu de ombros. — E mesmo assim não deu certo. Então talvez tempo não seja tão determinante assim.
Malu se inclinou e deixou um beijo leve nos lábios dele.
— Talvez você tenha razão.
Ele a puxou para mais perto, apertando o abraço, quando uma batida firme ecoou na porta do quarto.
Cássio franziu a testa.
— Estranho… eu não pedi nada.
Assim que abriu a porta, foi praticamente atropelado por Francine, que entrou com sacolas de presente nas mãos e o sorriso mais escandaloso do hemisfério norte.
— FELIZ NATAAAAAAL!
Dorian veio logo atrás, mãos nos bolsos do casaco, expressão tranquila… mas com aquele olhar de quem estava satisfeito.
— Que bom que vocês se acertaram — disse, puxando Cássio para um abraço rápido e forte.
— Eu vou fazer valer a pena — Cássio respondeu, sem hesitar.
Francine abraçou Malu em seguida, apertado, quase como quem confirma que ela estava ali de verdade.
— Finalmente — murmurou. — Não via a hora de vocês se acertarem.
Pouco tempo depois, um café da manhã digno do Natal foi servido no quarto.
Mesa cheia. Café quente. Frutas, pães, panquecas, sucos, risadas.
Eles comeram sem pressa, contando histórias, rindo de detalhes bobos, como se estivessem retomando algo que sempre existiu, mas tinha sido interrompido por engano.
Depois, se acomodaram em frente à lareira para trocar os presentes.
— Ok — Malu começou, meio sem jeito. — Ninguém me avisou que ia ter troca de presentes… eu não comprei nada pra ninguém.
Dorian foi o primeiro a responder, com um meio sorriso.
— Você ter voltado pro Cássio já é presente suficiente. Especialmente se a produtividade dele na empresa voltar ao normal.
Francine completou na hora:
— Serve pra mim também. Eu já não aguentava mais você toda apagada. Essa sua energia alegre faz falta.
A troca começou.
Dorian entregou a Cássio uma garrafa de vinho raríssimo.
— Opa, chefe, tá generoso hein! - Cassio brincou.
— Só imaginei que em breve você teria um bom motivo para brindar — respondeu Dorian, apontando com o queixo para Malu.
Antes que ela pudesse retrucar, ele estendeu uma pequena sacola de papel.

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