Francine entrou na cozinha tentando parecer natural — o que, nela, significava andar reto, manter o queixo erguido e fingir que o coração não estava prestes a sair pela boca.
— Ué, demorou, hein? — Malu comentou, cortando um tomate com a tranquilidade de quem sabia que algo tinha acontecido. — Já voltou com o pôr do sol em 4K?
— O sol já tinha se escondido — Francine respondeu, colocando o celular sobre a bancada, como quem diz “isso aqui não significa nada”.
— Ih, perdeu o timing? Que pena. E as fotos? Quero ver.
— Nem tirei — ela respondeu rápido demais.
Malu parou de cortar e virou só a cabeça, desconfiada.
— Como assim “nem tirei”? Você saiu daqui falando da piscina, da luz perfeita, toda emocionada…
— Não tava com o enquadramento bom. A luz não tava batendo direito — Francine balançou a mão no ar, descartando o assunto. — Enfim, e essa salada, vai ser temperada com o quê?
— Com a verdade, se depender de mim — Malu cruzou os braços, encostando-se na pia. — Tá, se não fez foto nenhuma, por que demorou tanto?
Francine hesitou. Engoliu em seco. Tentou mudar de assunto, mas a cara da Malu pedia sinceridade ou seria esculachada.
— Eu… fiz um vídeo.
Malu sorriu de canto.
— Ahá! Sabia que tinha coisa aí. De quê?
Francine bufou e destravou o celular com relutância.
— Promete que não vai rir?
— Nunca.
— Você sempre ri.
— Dessa vez juro que vou só apreciar com maturidade e respeito. Mostra logo.
Francine abriu o vídeo e virou o celular, com uma expressão de quem se arrependeu no exato momento em que o fez.
A imagem de Dorian surgiu na tela, suado, focado, os músculos se contraindo a cada movimento enquanto ele fazia exercícios com precisão e uma naturalidade quase ensaiada.
Malu arregalou os olhos e soltou um "UAU!" que ecoou na cozinha.
— Menina… você não fez um vídeo. Você fez um curta-metragem do pecado.
Francine escondeu o rosto com as mãos.
— Eu só queria testar a câmera!
— Aham, e acabou testando a tua sanidade. Olha isso, Francine! Isso é coisa que se grava? O homem parece ter saído de uma propaganda de perfume caro!
— Eu sei, tá? — ela choramingou, rindo.
— E ele sabe que você filmou?
— Foi ele que pediu pra eu mandar o vídeo depois. Disse que era bom pra corrigir os movimentos…
— Ele pegou seu número? — Malu levantou as sobrancelhas.
— Técnica uma ova. Quer ver? Responde assim: "Torto? Onde? Ficou ótimo. Eu até salvei esse trecho em câmera lenta." Pronto. Ele desmaia.
Francine arregalou os olhos.
— Eu não vou mandar isso!
— Então diz pelo menos que ficou bom, vai. Faz esse agrado. O homem tá pescando elogio.
Francine mordeu o lábio inferior, pensativa, e acabou digitando:
"Achei que ficou ótimo, na verdade. Seu treino parece coisa de comercial de academia."
Ela hesitou, mas apertou “enviar”.
Dois segundos depois, outra notificação apareceu:
"Então tá aprovado? Posso continuar treinando com público? 😉”
Francine tapou a cara com a mão de novo, sem saber se ria ou se fugia.
— Ele flerta sorrindo, flerta sério, flerta até com emoji, menina — Malu disse, rindo alto. — Vai dar bom. Ou vai dar problema. Ou os dois. Mas eu tô adorando assistir.
— Socorro…
— Relaxa. No máximo você vai acabar com um personal particular e um romance de verão. No mínimo… vai render muito conteúdo pro grupo das amigas.
Francine só conseguia rir. E, no fundo, sabia: ela tava mesmo lascada.

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