Dorian pegou a toalha do banco ao lado e começou a secar o rosto, o pescoço, os ombros, como se não tivesse acabado de interromper o fôlego de alguém ali.
— Você devia vir treinar comigo um dia. É bom pra acalmar a mente — disse ele, casual, como se ela não estivesse ali completamente fora do prumo.
Francine fez o possível pra recuperar a compostura e levantou o celular.
— Vou pensar no caso. Por enquanto, vou ficar com o treino de fotografia.
— Então capricha na luz. Essa aqui merece uma boa edição.
Ela riu, ainda tentando fingir naturalidade.
Ótimo. A primeira selfie não saiu. Mas a memória? Essa ela não ia apagar nunca.
— Pode ficar à vontade pra fotografar com seu celular novo — disse Dorian, voltando a se posicionar na barra como se fosse a coisa mais casual do mundo. — Não vou cobrar royalties pela imagem.
Francine soltou uma risadinha nervosa, apoiando-se discretamente na mureta do terraço. A luz estava mesmo perfeita. Mas quem precisava de pôr do sol com aquele homem praticamente esculpido em mármore fazendo calistenia ali na sua frente?
Ela levantou o celular devagar, fingindo que ainda tinha a intenção de capturar a paisagem. Até abriu a câmera traseira, mirou na piscina, fez um ou dois cliques… só pra manter a farsa.
Mas no canto da tela, ele continuava lá.
No foco perfeito.
Repetindo os movimentos com uma disciplina impressionante, como se estivesse meditando em movimento. Os músculos do abdômen contraíam a cada elevação do corpo. As veias dos braços saltavam no esforço.
Havia algo hipnotizante na precisão com que ele se movia — como se cada parte do corpo soubesse exatamente o que fazer.
Francine olhou em volta discretamente e trocou para o modo vídeo.
Com o brilho da tela reduzido e o celular encostado no peitoril, começou a gravar.
A imagem tremia levemente porque sua mão não parava de suar, mas ela mantinha a pose de turista fotografando o pôr do sol.
Dorian, aparentemente alheio, passou para uma nova sequência: apoio com uma mão só.
“Isso é permitido?” ela pensou. “Não deveria ser crime parecer um quadro renascentista ao ar livre?”
— Tá treinando ou gravando um documentário? — ele perguntou, sem olhar pra ela.
Francine quase derrubou o celular.
— Quê? Como assim?
Ele terminou a repetição, apoiou os pés no chão e olhou por sobre o ombro com um sorrisinho indecente.
— Digo, você tá tão concentrada… achei que já tava dirigindo a cena.
— Muito convencido pra quem tá suando no pôr do sol, viu? — ela rebateu, travando a gravação com um toque rápido e enfiando o celular no bolso com mais força do que o necessário.
Francine tentou manter a compostura enquanto filmava, mas estava difícil focar nos detalhes técnicos com aquele espetáculo acontecendo bem diante dela.
Dorian se movia com uma concentração que beirava o hipnotizante — braços definidos, respiração ritmada, suor escorrendo pela lateral do rosto.
Um verdadeiro comercial de tentação em tempo real.
Ela engoliu seco, rezando mentalmente pra câmera não captar o áudio do coração dela batendo igual escola de samba.
— Você filmou mesmo? — ele perguntou, pegando uma toalha e passando pelo rosto com calma. — Me mostra aí.
— Ahm… — Francine travou, segurando o celular com as duas mãos como se aquilo fosse uma bomba-relógio. — Melhor não. Quer dizer, você pode assistir depois. Eu… te mando. Me passa seu número.
Dorian arqueou uma sobrancelha, claramente se divertindo.
Ele ditou o número devagar, como se estivesse saboreando cada dígito. Francine enviou o vídeo rapidinho, evitando até olhar na direção dele.
— Pronto. Agora… deixa eu voltar lá. Tenho que… trabalhar… né… — E saiu quase tropeçando no próprio pé, com o coração aos pulos e o rosto ardendo.
Lá de trás, Dorian soltou uma risada baixa.
Ela podia até não ter percebido, mas ele tinha acabado de conquistar o número dela — e um vídeo exclusivo de presente.
Missão cumprida.

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