Francine prendeu o ar.
Sim, era o convite. O maldito convite.
Mas o que mais a desconcertava não era ele ter descoberto. Era o modo como a fazia se sentir, como se estivesse presa entre os limites da culpa e da vontade insana de não sair dali nunca mais.
Francine olhou para o envelope como se nunca o tivesse visto antes.
— O que é isso? — perguntou, forçando uma expressão de inocência que nem ela mesma compraria.
Dorian soltou uma risada baixa, como se achasse divertido o teatrinho dela.
— Algo que com certeza você quer — respondeu, arrastando as palavras. — Já que invadiu meu escritório pra encontrar.
Ela virou o rosto lentamente, encarando-o com o máximo de firmeza que conseguiu reunir.
— Como você tem tanta certeza disso? Tem câmeras no seu escritório?
Ele sorriu com um canto da boca, aproximando o rosto ainda mais.
— Não preciso de câmeras, Francine. Eu te leio como se fosse um livro.
A resposta a desarmou. O sangue subiu ao rosto dela, e o calor do corpo dele ainda pairava sobre o seu, como uma camada invisível de tensão.
Cada palavra, cada gesto, parecia pensado para expô-la. Não havia escapatória, não ali. E por mais que quisesse resistir, uma parte dela, incômoda e inegável, desejava exatamente isso.
Dorian ergueu a mão, traçando com o dedo a borda do envelope.
— Vai fingir que não quer abrir? Que não está morrendo de curiosidade? — sussurrou. — Ou prefere que eu leia pra você?
Francine desviou os olhos, mas não se moveu. Porque a verdade era que, naquele momento, ela não queria fugir. Não queria negar.
Ela só não sabia mais se estava sendo seduzida... ou dominada por completo.
Dorian ergueu a mão devagar, como quem já conhecia bem o caminho. Segurou o queixo de Francine com firmeza, obrigando-a a encará-lo.
Os rostos estavam tão próximos que ela podia sentir o hálito fresco dele, como se ele tivesse se preparado para aquele exato momento.
Nada nele era acidental.
— Vou perguntar de novo. Você é ansiosa, Francine? — disse em voz baixa, arrastando as palavras com um tom quase cruel de quem saboreia a dúvida alheia.
Ela piscou, desconcertada. O cérebro gritou "Claro que sou, sua peste!", mas a boca não teve a mesma coragem.
Dorian puxou delicadamente o queixo de Francine, forçando seu rosto a erguer novamente.
Quando seus olhares se encontraram, ela sentiu a firmeza do olhar dele a atravessar como um raio.
A expressão dele não era de deboche, nem de ironia, era de certeza.
— O olheiro te viu naquela noite, Francine.
As palavras caíram como um estalo. Ela piscou, sem entender de imediato.
Mas antes que pudesse perguntar, ele a empurrou suavemente, mas com firmeza, contra a mesa atrás dela.
O gesto não foi brusco, mas carregado de intenção.
— O olheiro dormiu com você… — ele murmurou, agora mais perto, com a voz baixa e firme, como uma sentença que não precisava ser provada.
A respiração dela falhou. O corpo inteiro congelou. As mãos apoiadas na beirada da mesa procuravam algum tipo de apoio para não desabar ali mesmo.
Dorian aproximou ainda mais, até que ela pudesse sentir o calor do corpo dele. Sua mão deslizou até a nuca dela, prendendo-a com um domínio calmo e calculado.
— …e desde aquele dia ele não tem olhos pra mais ninguém.

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