Bela Flor - Romance gay Capítulo dois

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Não caminhamos muito até chegar ao lugar, e as ruas de Itaewon são sempre animadas, então sequer nos cansamos ou entediamos até chegar à boate.

Ao contrário, riamos mais e mais, a cada vez que alguém tropeçava ou falava alguma besteira.

ㅡ Calem a boca, caralho! — é Rini quem grita, mas ela ri de Minah, que está pendurada no pescoço de Yejun. ㅡ vamos ser presos por baderna.

ㅡ Ah... cala a boca, tem uma caralhada de gente na rua, ninguém liga para nós não. ㅡ Taeshin resmunga.

ㅡ Desde quando você fala assim comigo? ㅡ Ela olha-o com o cenho franzido, mas segurando o riso.

Eu apenas ria, e só parei quando encarei a fachada preta da boate. Não era nada extraordinário ou que fizesse o queixo cair, mas tinha um carro parado em frente e com certeza valia por minha vida inteirinha de trabalho na conveniência.

ㅡ Deve ter gente muito rica aí dentro. ㅡ falo, olhando para meus amigos. Todos encaram o carro.

ㅡ Tomara que seja o “sugar daddy” que eu tanto pedi ao universo. ㅡ Taeshin fala, e quem o vê, até acha realmente que isso é verdade.

Encarei os seguranças do tamanho da dignidade que eu não tenho parado na entrada e esperei por qualquer um dos meus amigos falar com eles primeiro.

ㅡ Onde pago para entrar? ㅡ Jackson parou de frente com o mais alto e mais forte dele. O homem apenas apontou em silêncio. ㅡ obrigado, amorzinho.

Minah seguiu com ele e eu apenas permaneci parado. O segurança me olhou e mesmo que ele estivesse com um óculos escuros a noite, eu conseguia ver que ele cerrava as pálpebras e tentava ler minha alma.

ㅡ Certo. Vou comprar as entradas. ㅡ Minah anuncia e já caminha ao local onde tem uma pequena janela e o nome bilheteria numa plaquinha.

ㅡ Soube que aquele amigo do seu pai frequenta aqui. ㅡ ouvi Minah falar, retornando com Jackson.

Os olhos do Song arregalaram-se, foi engraçado.

ㅡ Aqui? ㅡ ele perguntou. Me entregou uma entrada e agradeci.

ㅡ Sim, na verdade, eu vi que ele marcou na rede social dele. ㅡ mostrou-o seu celular. Aproximei-me para ver.

O tal Kim Hanguk ㅡ amigo do pai de Jackson ㅡ havia postado e com ele estava mais duas pessoas. Um moreno de sorriso bonito e bastante alegre, e o outro era um loiro, que não dava para ver muito bem o rosto, pois estava de perfil.

ㅡ Quem é esse? ㅡ Taeshin apontou. Olhei-o e vi que estava sobre o ombro de Jackson.

ㅡ Não está marcado na foto. ㅡ Minah falou, entrando nos comentários da foto. ㅡ Nada... Nem legenda tem, que estranho.

ㅡ Ele marca que está aqui, mas não marca os amigos gostosinhos que estão com ele?

ㅡ Vai ver eles não têm rede social. ㅡ falo. ㅡ ou não querem que saibam que estão aqui. Sei lá.

ㅡ Pessoas sem redes sociais são estranhas. ㅡ Yejun fala e eu percebo que não se aproxima apenas porque ver Jackson encarando a foto do Kim lhe incomoda.

Nunca entendi o que ambos tinham juntos, mas sempre demonstraram ciúmes um do outro.

Não conheci Yejun antes de sua transição, mas ele sempre dizia que não tinha o que Jackson gostava e isso sempre deixava Jack muito bravo. Ele dizia que Yejun não sabia o que falava. E se ele gostava de homem, porque não gostaria dele em específico? Isso fez Yejun ficar com bochechas vermelhas, me lembro bem, e naquele dia, ambos ficaram estranhos, até que dormiram juntos e o que aconteceu depois eu já não sei.

ㅡ agora vamos entrar logo, são quase meia-noite, o dia do Jaejae já está acabando. ㅡ ele fala rumando para a entrada.

Seguimos até lá, mas eu vejo Jackson ainda olhando a foto, e quando para ao meu lado, rio do modo em como ele amplia o zoom na cara do Kim.

ㅡ Minha santa Beyoncé, se eu pego esse homem...

ㅡ Pode pegar hoje, seu bobo. ㅡ Taeshin diz, logo atrás. ㅡ eu quero saber quem é o amigo dele.

ㅡ Você não tinha voltado com o JiHo? ㅡ olho-o.

ㅡ Não, a gente só transou mesmo. ㅡ fala simples.

Nego e nem pergunto mais nada. Meus amigos são confusos. Viro-me vendo algumas poucas pessoas na fila para adentrar o lugar.

ㅡ Será que está lotado lá dentro? — pergunto.

ㅡ Jae, você tem camisinha? ㅡ ouço Rini me perguntar e franzo o cenho ao olhá-la, não entendendo a súbita pergunta. ㅡ não se meta a transar num banheiro de bar e sem camisinha, entendeu?

ㅡ Rini! ㅡ arregalo meus olhos, sentindo-me envergonhar. ㅡ tudo bem... ㅡ afirmo, virando-me ao ouvir a risada dela.

ㅡ Eu entendo o Jae ficar vermelho assim, vocês falam de sexo como se fosse a coisa mais normal do mundo! ㅡ Yejun resmunga.

ㅡ E porque não seria, amorzinho? ㅡ Jackson toca-o na cintura, mas ri, quando Yejun se afasta.

ㅡ Sexo é normal, Yejun, assim como não querer fazer. Não é um Tabu. ㅡ Taeshin diz.

ㅡ Sei...

Jackson revira os olhos para o resmungo do outro, mas segue quando enfim a fila anda.

O segurança busca o bilhete da Minah que está logo a frente e pede para que a garota erga os braços.

ㅡ Você está louco? ㅡ ela pergunta, olhando-o debaixo devido sua pouca altura enquanto põe as mãos na cintura ㅡ Eu não vou ser revistada por você com essas suas mãos de homem. Sou uma mulher e exijo outra para fazer isso, ora essa...

O Homem a olha com tédio e até penso que seremos expulsos antes mesmo de entrar, mas ele bufa e se vira para chama por alguém, e só depois, uma moça aparece.

ㅡ Nos desculpe o inconveniente ㅡ ela pede quando Minah enfim abre os braços para que o trabalho seja feito.

É rápido e discreto quando a mulher libera a Kim e Rini vai em seguida.

Caminho em direção ao segurança que Minah dispensou e sou revistado. Um a um foi adentrando a boate. E como de costume, esperamos até que todos estivéssemos juntos já do lado de dentro para só então, perambular.

O local era totalmente escuro na entrada, mas bastante iluminado por luzes coloridas por dentro. O som estava bastante alto e muitas pessoas já dançavam no centro da pista.

Jackson já entrou sorrindo junto à Taeshin, pareciam crianças em um parque de diversões. Rini e Minah estavam logo atrás e também sorriam, mas percebi quando Rini apontou para o bar e Minah assentiu, caminhando até lá com ela.

Procurei por uma mesa e vi uma mais no canto. Puxei Yejun para ir até lá comigo e ouvi o riso dele, quando parei.

ㅡ Não tem cadeiras. ㅡ riu ao constatar o óbvio.

ㅡ Não é para sentar, é para curtir o ambiente mais reservado. ㅡ Jackson brotou ao lado. ㅡ Mas se quiser sentar, estou aqui. ㅡ piscou.

Yejun, ao contrário do que achei que faria, não xingou, mas sorriu, negando.

ㅡ Tudo em você se resume a sexo, não é? ㅡ negou, olhando-o.

ㅡ Bem... talvez. Sentar é sempre bom, nós dois sabemos disso, e eu estou apenas me pondo a sua disposição. ㅡ falou rindo.

ㅡ Preciso beber. ㅡ Yejun disse, desviando da conversa, nos fazendo rir.

ㅡ Vou buscar algo ㅡ Jack falou.

ㅡ Vou com você. ㅡ Taeshin seguiu-o.

Vi quando vi meus amigos andando e dançando. Tocava Stupid Love e até mesmo Yejun dançava.

Eu permaneço no mesmo lugar, paradinho. Jackson retorna e para ao meu lado, entregando-me uma cerveja enquanto volta a balançar o corpo, olhando ao redor.

ㅡ Vai dançar! ㅡ ele grita para mim. ㅡ já passou da meia-noite, mas ainda é teu dia!

ㅡ Vou já, já. ㅡ Digo rindo e vejo meu casal de amigas finalmente voltando.

Minah segura mais cervejas, enquanto Rini traz três copos com alguma bebida colorida que eu não faço a mínima ideia do que seja.

Eu sorrio agradecido quando ela me entrega mais uma cerveja e deixou-a junto das outras, finalizando a que ainda bebo.

ㅡ Não sei como você gosta disso. ㅡ Yejun diz, olhando-me beber. ㅡ tem sabor de fruta, não é cerveja de verdade.

ㅡ Claro que é!

Não é não. ㅡ ele rebate. ㅡ cerveja mesmo é aquela amarelinha, com um gostinho

ㅡ xixi. ㅡ eu o interrompo-o, rindo.

ㅡ Não tem gosto de xixi, só não é doce como isso daí. Essa é cerveja de fresco.

Ah, me deixa ser feliz com a minha cervejinha de fresco, por favor.

Rio, finalizando a primeira cerveja e busco a que Minah me deu, abrindo-a e bebendo-a com muito prazer.

Minha santa purpurina, é ele! ㅡ Jackson anuncia, fazendo todos nós olhar adiante.

O Kim? ㅡ Minah pergunta, fazendo-o assentir.

ㅡ Ele está o maior gostoso!

para o outro lado da boate, e então vejo o tal Kim. Na verdade, vejo os três homens que vi na foto. O moreno alto, que sei ser Hanguk, o do sorriso bonito e o loiro.

Você sempre teve uma quedinha no Kim, né? ㅡ pergunto ao Jack, sorrindo.

Quedinha é o que você tem por aquele pau rosa de borracha. Eu tenho é um penhasco por ele!

Sabe que ele e seu pai são amigos, não é? ㅡ Minah o lembra. ㅡ ele te mataria se vocês se envolvessem.

ㅡ O papi não precisaria saber. ㅡ riu.

Yejun afastou-se da mesa, fazendo-nos olhá-lo. Caminhou em direção ao banheiro, e quando retornei a olhar Jackson, vi-o com

Viu como ele é? ㅡ reclamou. ㅡ não me dá uma chancezinha e fica com esse ciúme besta...

ㅡ Ele gosta mesmo de você.

nada... Faz muito tempo desde a última vez que ficamos, Yejun não quer nada comigo, ele fica criando barreiras porque é um homem transexual e acha que isso é um problema para mim.

— Mas é?

— Claro que não! Ele é homem e eu gosto de homem, o que ele tem entre as pernas pouco me importa, já que eu sei bem como a gente sabe se divertir junto. Mas ele fica nessa e me afasta… Por isso às vezes penso em abrir mão de vez disso tudo, é tão cansativo.

ㅡ Pensa mesmo?

Penso, mas... é só olhar para ele que desisto. ㅡ ele riu da própria situação. ㅡ sou o famoso trouxa.

ㅡ Você não é trouxa. ㅡ falo, encarando-o.

não faz tanto tempo assim, Jackson. Eu vi vocês se pegando naquela festa que fomos a duas semanas ㅡ Rini diz, olhando-o.

ㅡ Ah, mas ali estávamos bêbados... Talvez ele só tenha ficado comigo porque não tinha mais ninguém para ficar.

ㅡ Pare já de se desmerecer assim! ㅡ falo. ㅡ e ele nunca te usaria assim, ele gosta mesmo de você.

Jackson apenas dá de ombros, não continuando o assunto enquanto bebe seu drink azul. Eu vejo Yejun retornando, mas ele não vem diretamente até a mesa. Ele para no bar e compra algo. Sei que se trata de balas, Yejun sempre compra balas quando estamos em boates.

Querem? ㅡ ele enfim volta para a mesa, oferecendo. ㅡ é de melancia.

Busco uma e agradeço, deixando a cerveja de lado para mascá-la.

[...]

Quando os minutos passam e todos já parecem voltar ao seu normal, vejo-os irem até à pista de dança enquanto eu prefiro continuar paradinho onde estou. É estranho porque eu sinto um leve arrepio quando bebo o último gole da minha cerveja e sinto todos os meus pelinhos eriçarem.

Tenho a sensação de que estou sendo observado, e ela não é nova. É um saco porque é sempre assim, até mesmo quando estou na rua. Me sinto estranho de andar sozinho porque sempre parece que as pessoas ao redor estão com o indicador apontado para o meu rosto, ditando todos os meus erros e imperfeições, mas sei que tudo é fruto da minha mente e isso me deixa de saco cheio. Só queria que parasse.

sinto vontade de me libertar, me soltar um pouco como vejo meus amigos se soltarem em ambientes públicos, mas daí essa sensação sempre aparece, e tudo fica retraído dentro de

com essa sensação tão forte em mim, decido olhar ao redor, e é então que percebo uma mulher de cabelos loiros me olhando, e quando nossos olhares se esbarram, ela dá uma piscadinha e eu me

nervoso. E por

primeiro é que eu não sei flertar. Na minha vida todinha, flertei com o total de zero pessoas, e até quando fui perder a virgindade com minha prima ㅡ num jantar de natal que tivemos na casa de uma tia em Busan ㅡ eu não consegui

você deve estar pensando: Mas como esse doido conseguiu chegar até a parte que foi transar,

simples. Minha prima chegou até mim, enquanto eu estava tomando um tantinho de vinho escondido do meu pai, e falou: Quer fazer

apenas assenti, mesmo sem ter certeza se queria

se ela estava querendo transar comigo era porque gostava de

foi o que eu pensei

foi tão complicado, na verdade. No começo ela me beijou e meu pau até subiu

problema foi somente minha inexperiência completa. Eu não sabia onde pôr a mão ou sequer falar sacanagens para criar um clima. Eu apenas fiquei lá, paradão e deixei minha prima fazer o

meu nervosismo não me atrapalhar mais, eu tentei não olhar para o rosto dela. Foi estranho. Talvez esse tenha sido realmente o maior dos problemas. Eu não conseguia focar no rosto dela, e nem nos seios ou nos gemidos. Tudo me deixa nervoso e com vontade de fugir

que rolou no fim foi que ela fingiu que tinha chegado ao seu ápice e foi embora. Eu sabia que era fingimento porque ela sequer me deu um beijinho depois ou me deu tchau. Sequer se importou com o meu pau

até hoje ela nunca mais falou

a partir desse dia que comecei a me perguntar se gostava de mulheres, porque eu nunca senti aquilo que dizem que sentimos quando nos atraímos por alguém, mas então eu penso: meu pau ficou duro, deve significar algo, não é? E então eu me perco nos meus pensamentos de um homem praticamente virgem, sem experiências

talvez eu realmente seja gay. Nunca fiquei com nenhum homem, ou sequer introduzi o pau rosa que tenho na gaveta onde você deveria, mas também nunca me senti na obrigação de fazer essa descoberta. Pelo menos

vejo como apenas uma coisa relativa, um detalhe no qual minha vida parada e sem emoção eu não tenho pressa de descobrir

ok, vamos voltar a garota loira que não para de me

ponto já foi dado. Eu não sei flertar. O segundo é um pouco mais complicado. Eu não tenho vontade de flertar com

somente fiquei nervoso porque eu percebo que com o sorrisinho que ela deu ao perceber meu olhar, ela vai se aproximando mais e mais de mim, e o meu desespero aumenta tanto, que, sem pensar, eu puxo a mão da primeira pessoa que está perto, e corro

vítima da vez? Rini, por sorte. Imagina se é um

caminha comigo sem perguntar nadinha, mas seu olhar claramente indaga o que caralhos

paro, enfim respirando fundo, ela continua

vai me explicar o que aconteceu agora, ou antes, quer um socão por me puxar justamente na hora em que eu estava flertando com a minha namorada que está como uma deusa dançando naquela pista de

Desculpa. ㅡ coço minha nuca, me sentindo um tanto constrangido, mas olho adiante. ㅡ eu só

garota ainda está me olhando, mas parece desistir ao me ver com Rini, então retorna para

Ufa.

ㅡ Desesperado? ㅡ ouço Rini perguntar.

Tinha uma garota flertando comigo e ela estava andando na minha direção. Eu fiquei

os olhos, como se estivesse

Vamos ao bar, quero comprar cigarros. ㅡ diz, já me