Meus amigos continuam com suas bobagens, e até vejo-os fazerem uma competição boba sobre quem consegue beber mais rápido uma dose pura de vodca.
Vejo Rini abraçar Minah pela cintura e seguir para a pista de dança com Jackson e Taeshin.
Yejun continua comigo e está bebendo sua cervejinha amarga e muito ruim, e é só depois de um gole longo, que ouço-o suspirar alto.
Eu o olho e vejo que ele observa Jackson dançar.
ㅡ Porque não o chama para dançar? ㅡ atrevo-me a perguntar. Não é bom ver que ambos se querem e ficam somente aos suspiros, se observando ao longe.
Ele desvia a atenção para mim, e depois de alguns segundos, volta a olhar para Jackson de novo.
ㅡ Eu preciso parar de gostar dele. ㅡ fala. ㅡ Jackson claramente não gosta de mim assim, mas veja só, eu sou patético... Fico observando ele de longe, e fico com ciúmes porque ele está dando mole pro ricaço.
ㅡ Yejun, o Jack é caidinho por você.
ㅡ Claro que não, Jae. Ele nem me olha direito, eu acho que... você sabe, não somos compatíveis.
ㅡ Você nem ouse dizer que é porque não tem um pau que eu bato em você! ㅡ ameaço, parando de frente com ele. ㅡ você sabe muito bem que ele não se importa com isso.
ㅡ É o que ele diz, mas você acha mesmo que ele iria querer ficar comigo?
ㅡ Claro que sim, e se for sobre sexo, há formas de você ser ativo também, todo mundo sai feliz no fim.
Yejun ri alto, enquanto eu franzo o cenho mais uma vez.
ㅡ Você fala muito palavrão quando está bebendo, sabia?
ㅡ Não desvia o foco da conversa. ㅡ faço bico, cerrando os olhos. ㅡ se você continuar assim, só se lamentando, ele vai acabar ficando com o ricaço lá mesmo. Mas ele não gosta do ricaço. ㅡ arqueio a sobrancelha, cruzando os braços.
ㅡ Desculpa só me lamentar assim. ㅡ fala, abaixando a cabeça.
Desfaço a marra e suspiro.
ㅡ Ele gosta mesmo de você, e oh, estou falando com certeza, viu. ㅡ sorrio
ㅡ Sei... talvez eu fale com ele mais tarde, mas só se ele não for para outro lugar com o altão, né?
Eu apenas nego e volto a beber minha cervejinha. Não tem como incentivar quem é teimoso assim. Ao menos eu tentei.
No momento está tocando uma música na qual sequer sei o nome, mas meus amigos estão bastante animados no centro.
Vejo o tal Jung se aproximar, e sem palavras, apenas sorri e se encaixa a Taeshin. Ambos se encaram, tocando sorrisos que dizem muito. Taeshin umedece os lábios antes de simplesmente cair aos beijos com o outro.
Arregalo meus olhos. Como assim é tão fácil? Ao menos é como fizeram parecer.
E eles continuam no amasso e os outros sequer parecem se importar, porque somente continuam a dançar.
ㅡ Taeshin é prático, eu gosto disso. ㅡ é o que Yejun diz. ㅡ queria ser assim também...
ㅡ É só ser, Yejun. ㅡ eu tento encorajá-lo outra vez, mas nem adianta de nada, porque Yejun apenas maneia com a cabeça e permanece no mesmo lugar.
ㅡ Estou com medo. ㅡ ouço-o admitir.
ㅡ Medo do quê?
ㅡ De levar um não na cara e ainda o ver agarrando com o tal Kim.
Eu rio sem querer. O jeito que Yejun fala, totalmente emburrado e caidinho pelo Jack é uma graça.
A noite ainda segue sem uma ordem correta. Eu, por fim, sou vencido por meus amigos que me puxam até o centro da pista, e talvez beber minha cervejinha tenha me ajudado a me soltar também.
Eu danço e sorrio ao som de Thief, uma das minhas músicas favoritas. Meus amigos estão ao redor, mas o clima que a música deixa no ar é tão intenso, que apenas fecho meus olhos e sinto a música, erguendo meus braços devagar no ritmo das batidas, envolvendo-me e vencendo a timidez, libertando a vontade incessante de me sentir eu mesmo, ao menos um pouco enquanto estou cercado dos que posso confiar.
Quando volto a abrir os olhos, suspirando com o quão bom é a sensação, percebo meus amigos em seus grupos. Taeshin ainda está dançando e beijando o Jung. Yejun sorri contido e abraça sutilmente Jackson pela cintura quando ambos se beijam apaixonadamente. Rini e Minah também dançam juntas, e é só então eu percebo que sou o único sem um par, que está sozinho no meio de todos.
Isso me faz ficar um pouco triste.
E não, isso não é um problema verdadeiro, ok? Já estou meio que acostumado a não ter meu par, mas poxa, bem que o universo poderia me mandar uma boquinha para eu beijar hoje, não acham?
E uma que eu não corresse ou entrasse em pânico... porque estou farto.
Quando vejo Taeshin sorrir para o tal homem que fala algo em seu ouvido, sei que se trata de alguma putaria. Ele segura a mão do Jung e passa por mim, indo em direção a saída que dá para o estacionamento.
E eu continuo aqui, sozinho...
Olho ao redor ainda com a sensação de ser observado. Eu sei quem me olha, não sou bobo. Levo meu olhar para o tal Park e percebo que sim, é ele quem me olha, apenas bebericando alguma bebida.
Mas seu olhar não dura muito. Ele desvia para um grupo de pessoas e se ergue para falar com um homem que talvez tenha a minha idade e que acaba de entrar.
Suspiro. Ele foi só mais um que se cansou de mim antes mesmo que eu pudesse fazê-lo se cansar.
Tudo normal.
E não que eu tivesse criando algum interesse nele, não é nada disso. Eu apenas queria que ele realmente me olhasse...
Ser observado por alguém com um olhar de desejo como era o dele, faz bem para a autoestima às vezes, sabe?
Eu caminho de volta à mesa, agora sozinho, e percebo que preciso de mais uma cerveja. Busco alguns trocados que encontro no fundo do bolso da calça que visto e conto. Percebo o nível do meu fracasso quando no dia do meu próprio aniversário, eu não tenho nem sequer o dinheiro da minha própria cerveja.
Olho ao redor e vejo Minah se aproximar junto a namorada. Sou rápido em guardar as moedinhas que tenho e sorrio, quando ambas pararam ao meu lado.
ㅡ Já cansou? ㅡ Minah pergunta.
ㅡ Um pouquinho... ㅡ minto.
ㅡ Vou buscar outra bebida ㅡ Rini fala ㅡ vão querer alguma coisa? ㅡ pergunta a nós dois.
Minah diz que irá querer um novo drink, mas eu digo que não precisam se importar. Mas acho que elas me conhecem tão bem, que sabem que a resposta é dada apenas porque estou sem dinheiro.
ㅡ Vou trazer da sua cerveja de fresco também. ㅡ ela avisa, antes de ir.
Eu rio envergonhado, mas não a proíbo de o fazer.
ㅡ Está se divertindo no seu dia? ㅡ Minah pergunta.
Eu assinto.
ㅡ Jackson disse que o Park estava te olhando, é verdade?
Olhou-a ainda sem graça, e dou de ombros.
ㅡ Não sei de quem está falando... ㅡ me faço de sonso, é claro.
ㅡ Park Hyun-Suk, o amigo do Kim e do Jung. ㅡ fala tranquila ㅡ O loiro ali, sabe? ㅡ e então ela aponta.
Minha visão vai novamente para o outro lado da boate e então fixa no homem. Como antes, ele ainda não me olha porque está conversando com outro.
ㅡ Ah... se ele me olhou, eu não percebi.
ㅡ Ele é um partidão, mas nunca vi ele em relacionamentos. Sabe, ele é um dos investidores do meu pai, e é herdeiro de uma baita fortuna. Nem sei o que faz aqui nesse lugar.
Eu tento parecer desinteressado no assunto, mas é quase impossível.
ㅡ Ele nunca namora? ㅡ pergunto.
ㅡ Só focou nessa parte? ㅡ ela rir. ㅡ geralmente, herdeiro não namoram. Mas acho que vi algo dele com uma mulher, algum tipo de noivado? Não me lembro, faz realmente muito tempo.
ㅡ Ah... ㅡ assinto, olhando-o de soslaio, vendo que o homem cujo ele conversava, vira as costas e sai. Espero vê-lo ir atrás também, mas ele não vai.
ㅡ O que será que ele faz num lugar como esse? ㅡ Minah volta a indagar. ㅡ não consigo fazer ideia.
ㅡ Mas eu sim! ㅡ Taeshin, que apareceu do nada ao nosso lado diz, sorrindo enquanto chupa um pirulito. ㅡ Soube que ele veio caçar.
Franzo meu cenho.
ㅡ Onde você tava?
ㅡ Recebendo um boquete lá no estacionamento. ㅡ diz calmo.
ㅡ Como assim, caçando? ㅡ Minah pergunta, fazendo o fato da palavra "boquete", parecer uma informação qualquer.
ㅡ Ele está caçando uma alma nova satisfazer suas vontades e desejos. ㅡ Taeshin ri, girando o doce sobre os lábios.
ㅡ Você disse boquete? ㅡ indago, arregalando os olhos.
ㅡ É, ele me chupou.
ㅡ Como assim, Taeshin? Você nem conhece esse cara!
ㅡ Relaxa, eu usei camisinha.
ㅡ Camisinha num boquete? ㅡ deixei minhas mãos sobre a cintura.
ㅡ É, Jae, serve também, sabia? Como você disse, eu não conheço ele, e é sempre bom evitar qualquer tipo de doença assim. Mas eu só não ia negar uma mamada daquele gostoso.
ㅡ Ah...entendi. E, hm, como é que é?
ㅡ Você está querendo saber como o Hajun mama?
ㅡ Não, pela santa! Quero saber como é que faz o... boquete, hm, assim...
ㅡ Ah, é só pôr o preservativo normalmente. ㅡ deu de ombros. ㅡ A sensação muda um pouquinho, mas não deixa de ser boa. ㅡ piscou.
ㅡ Vamos falar sobre o que interessa. ㅡ Minah chama nossa atenção. ㅡ explica esse assunto de caçar direito, Tae!
Taeshin riu, mas debruçou-se sobre a mesa.
ㅡ Eu não entendi ao certo, mas Hajun disse que o Park veio encontrar "um novo garoto". Ele usou essas palavras.
ㅡ Deve ser o mesmo que eu vi ele conversando. ㅡ comento.
ㅡ Então você estava observando ele, é? Hm...
Reviro os olhos para Taeshin e instintivamente olho para onde o Park está.
Ele agora conversa com o Jung, que sorri mais do que antes.
Quando Rini retorna com as novas bebidas, eu agradeço quando me entrega a latinha de cerveja.
Eles voltam para a pista de dança e me puxam consigo. Nessa altura, não sei onde Jackson e Yejun estão, mas nem me dou ao trabalho de me preocupar em procurá-los para saber se estão bem, porque com certeza estão se pegando num cantinho escuro desse lugar.
Don't Start Now está tocando num volume estrondoso. Eu sorrio quando chega o refrão e como de praxe, tento fazer a coreografia vergonhosa que aprendi assistindo a vídeos na internet junto a todos os meus amigos que adoram passar vergonha.
Meus olhos sempre se fecham em momentos em que me sinto leve. Eu sempre sinto tudo muito intensamente quando estou com eles, e não é diferente quando volto a abrir meus olhos e enxergo todos ao redor, pulando, cantando e se divertindo.
Canto junto a Taeshin e rio animadamente. Entretanto, meus olhos traidores, voltam a fitar ao redor, e ainda sorrindo, eu busco por ele e acho-o outra vez. Mas desta vez, ele está me olhando.
Não consigo desviar o olhar. Não sei por que, mas simplesmente não consigo desviar.
Ele deixa um sorriso no ar, talvez para mim, e eu sinto uma leve estranheza percorrer por todo o meu corpo, junto a uma sensação que embrulha o meu estômago.
ㅡ Você está com as bochechas rosadas. ㅡ Taeshin fala. Toco minha pele e sinto-a quente.
Desvio os olhos, talvez para Taeshin não notar o que acontece, mas outra vez eu acabo olhando para ele e seu sorriso ainda se mantém.
Será que ele está rindo para mim ou rindo de mim?
Ele muda um pouco a forma em como está sentado, parecendo um pouco mais descontraído. Suas pernas levemente se abrem e eu engulo em seco naquele momento.
Ele busca seu copo, bebendo-o por inteiro todo o líquido e talvez eu já esteja parado no meio da pista de dança, pois enquanto todos dançam e se divertem, eu apenas o observo com todos os seus detalhes.
O Park repousa o copo seco sobre a mesa, e em seguida se ergue, começando a caminhar em minha direção.
E eu não tento fugir!
Estou em pânico porque eu não tenho pânico!
O que está acontecendo?
Sei que talvez eu esteja com os olhos arregalados, ele é tão bonito.
Seu olhar tão sério e bastante intenso.
Ele anda em minha direção como se fosse um predador, mirando sua presa que deseja devorar, e quando seu corpo já está a poucos passos de distância do meu, eu o vejo umedecer os lábios cheinhos, fazendo-me fazer o mesmo, sentindo, enfim, meu coração acelerar.
Minhas pernas dão uma leve tremida, talvez mandando uma mensagem para meu cérebro de que agora é a hora de fugir, mas eu nem tento. O homem agora está bem à minha frente, e me olha dentro dos olhos.
Ele me analisa por alguns segundos, e após isso, sorri.
ㅡ Oi? ㅡ Diz, com o jeito que me deixa sem jeito.
ㅡ O-o-oi. ㅡ gaguejo vergonhosamente. Ele sorri outra vez, mostrando-me seu belo sorriso branquinho de perto e se aproxima mais, erguendo-me sua mão.
ㅡ Sou Park Hyun-Suk.
ㅡ Lindo...
ㅡ O que disse?
Meus olhos se arregalam.
Porque eu sou assim?!
ㅡ Quis dizer… é um prazer. ㅡ seguro a mão dele, apertando-a de leve.
Ele parece ser um homem forte, muito forte. Mas também parece ser fofo. Seu nariz é como um botão, isso o deixa adorável.
ㅡ Não vai me dizer o seu nome? ㅡ ouço-o perguntar.
Outra vez vejo que me perdi nos sentidos e estava literalmente segurando a mão dele, enquanto o encarava como um doido em silêncio.
Coço a garganta e rio, sem graça.
ㅡ Me desculpe… Sou Jeon Jaejun. ㅡ digo, por fim.
ㅡ Jaejun... ㅡ ele repete meu nome em um sussurro, e eu posso estar louco, mas ele parece cada vez mais perto de mim. ㅡ Você está com alguém?
Olho ao redor e percebo: cadê meus amigos? Não tem sequer um por perto!
ㅡ Estou com alguns amigos, mas eles devem estar na mesa...
ㅡ Certo, mas acho que não entendeu minha pergunta. ㅡ e lá vem ele chegando mais perto. Céus ele não conhece a regra do espaço pessoal?
Ps: Não estou reclamando não.
ㅡ Como assim?
ㅡ Quis perguntar se você está acompanhado, você sabe como.
Arregalei meus olhos, entendendo.
ㅡ Ah, não... não estou...
Ele sorri pequeno. Algumas pessoas ao redor ainda dançam, não sei como ainda não fomos xingados por estarmos parados aqui.
ㅡ Gostaria de tomar algo comigo? ㅡ pergunta.
Não sei se ele está flertando ou apenas querendo sair do meio da pista de dança. Mas novamente me pergunto: porque eu não quero fugir?
Será que eu sou gay?
Talvez Bi? Céus, quanta confusão...
ㅡ Já estou tomando cerveja. ㅡ ergo minha latinha, numa tentativa de fugir. ㅡ mas, valeu...
Ele apenas assente, continuando muito perto de mim, e céus, eu ainda não quero me afastar.
O Park não fala mais nada, mas continua a me olhar. Eu fico constrangido, mas olha, a boca dele é tão bonita, e chamativa... Eu sinto no meu cerne o quanto eu quero me aproximar também, mas a imagem de Yejun e Jackson retornando de onde é o banheiro masculino, me faz enfim se afastar um pouco e notar que meus amigos podem estar nos observando.
Observo ambos passarem por trás do Park, mandando um beijinho no ar e uma olhadela para Hyun-Suk, mas sequer param, eles me deixam lá com o loiro.
ㅡ Você me viu te observando, não é? ㅡ ele pergunta, me fazendo olhá-lo. Sinto sua mão me tocar suavemente sobre o pulso e me puxar um pouco para o lado, quando um grupo de pessoas cantando e dançando, se animaram ao lado.
Sorrio, indo ainda mais para o lado e paro outra vez em sua frente.
ㅡ Eu vi. ㅡ falo, sorrindo enquanto desvio meus olhos.
ㅡ Você é um garoto muito bonito, Jaejun. ㅡ e então eu ouço a voz dele, baixa e mais grave. ㅡ qual a sua idade?
ㅡ A minha? ㅡ um pouco desnorteado, eu toco meu próprio peito. Ele sorri, assentindo, e me puxa pela cintura quando outro grupo passa ao lado.
Me sinto perdido com tão pouco e ele até mesmo se desculpa pelo toque sem avisos.
Vamos enfim para o canto da parede, longe de grupos animados e barulhentos.
ㅡ Estou fazendo dezenove hoje. ㅡ comento, enfim lhe dando a resposta.
ㅡ Mesmo? Parabéns. ㅡ ele sorri.
Eu não sei... Ele tem um olhar intimidador. Aparenta ser mais velho que eu, e a camisa social, com dois botões abertos o deixam sexy e gostoso.
Me pego perdido observando aquilo. Sua clavícula marcada está à mostra e até mesmo aquilo é belo em si.
ㅡ E você? ㅡ desvio o olhar para seus olhos, notando o sorriso safado que ele agora carrega.
ㅡ Tenho trinta. ㅡ responde simples.
Presumi realmente que era mais velho, mas ele sinceramente não aparenta.
Sorrio quando volto a fitar seus olhos, pegando-me tão próximo dele que parece não ter mais saída.
Mas eu quero uma saída?
ㅡ Eu sei que sabe que gostei de você. ㅡ diz, simplista. ㅡ e eu vim até você para me apresentar.
ㅡ É, eu... percebi.
ㅡ Você também parece ter gostado de mim, não parava de me olhar.
Meu coração voltou a acelerar, minhas bochechas possivelmente estavam vermelhas. Mas eu não neguei, não era mentira.
Hyun-Suk então se aproximou mais, deixando talvez apenas um palmo de distância em nossos corpos. Sua destra tocou meus cabelos ruivos, jogando uma pequena mecha para o lado. Umedeci meus lábios e ofeguei, quando seus olhos foram diretamente para eles.
ㅡ Eu posso te beijar?
Eu poderia correr, fugir, mas tudo o que fiz foi desviar meus olhos para aqueles lábios tão cheios e que, provavelmente, tinham o gosto do mais forte álcool daquele lugar.
Mas ele ainda é um homem e está pedindo um beijo meu no mesmo dia em que jurei de pé junto que não era gay?
Entretanto, analisando os prós e os contras... Ele é um homem muito bonito, atraente e forte.
Eu não recuo quando ele se aproxima ainda mais de mim, e nem me espanto quando sutilmente, ele passeia os lábios gordinhos aos meus.
Eu ainda pisco, tentando assimilar o que acontece bem ali, e tento não focar que estou dando o meu primeiro beijo "não hétero", em um cara desconhecido e bem no dia do meu aniversário.
Um suspiro meu vem quando ele toca minha cintura fina com sua mão. Não é pesada, mas é firme. Ele desce a mão que antes tocava meus cabelos e toca minha nuca.
Devidamente encaixado em mim, ele me prende com força em seu corpo. Sua língua pede passagem em minha boca, me fazendo ceder e tremer, fechando os olhos para tocá-lo ainda sem jeito sobre os braços.
E minha cabeça ferve, porque o beijo é bom.
Mas eu estou beijando um homem e de língua!
Eu retribuo-o com o desejo de senti-lo mais e ergo minhas mãos, segurando com um pouco mais de força o tecido da camisa que ele veste, o deixando perto de mim.
Nesse momento é que tudo fica ainda mais confuso por três pontos.
1 – Estou beijando um homem.
2 – Estou beijando um homem de língua.
3 – Estou beijando um homem de língua e estou gostando!
E tudo só fica pior ㅡ melhor ㅡ, quando ele intensifica o beijo e me aperta mais contra si. Eu suspiro novamente com o toque forte e tão bom. Ele morde meu lábio e sempre volta chupando-o.
Ao fim, ele diminui a intensidade e gradualmente foi dando fim ao toque.
Estou ofegante quando nossos lábios quebram o toque, mas ele sequer parece diferente. Quando se afasta um pouco mais, seu sorriso retorna, eu me perco outra vez.
Ele é realmente lindo.
ㅡ Você tem um ótimo beijo. ㅡ ele diz ainda tocando meu rosto, desta vez fazendo um carinho sobre minha bochecha.
Eu suspiro, rendido, e louco para voltar a beijar os lábios gordinhos dele outra vez, mas o que ele faz em seguida me frustra, pois, se afasta por completo, levando a mão para o bolso da calça que veste.
Eu penso se ele apenas quis brincar comigo, ou fazer algum tipo de teste, mas antes que minha cabeça derreta com o tanto de pensamentos que passam por ela, ele ergue a mão e me mostra um cartão.
ㅡ Se quiser mais disso, me procure.
Eu pego o cartão e o leio. No verso, seu nome está escrito com letras grandes e visíveis, e abaixo, seu número.
É um cartão simples.
ㅡ Como assim? ㅡ pergunto sem entender. ㅡ Se quiser mais? Eu vou ter que ir atrás de você?
ㅡ Não me entenda mal, eu posso ficar com o seu número também, mas só vai rolar mais se você quiser. ㅡ volta a tocar meu rosto, mas não volta a se aproximar. ㅡ Você é tímido, eu percebi isso, mas gostei muito de você.
ㅡ Se gostou, porque parece que está fugindo? ㅡ pergunto mordendo meu lábio, com medo de ser rude ou algo assim.
ㅡ Não é isso. ㅡ outro carinho em minha bochecha.
Ainda bem que eu não sou de me apaixonar fácil, senão estava todo fodido já.
ㅡ Mas eu não posso continuar com você hoje. Hoje não ficarei saciado em ter apenas os seus beijos, mas você não pode me dar mais do que isso, estou certo?
Ele está falando de sexo?
Querendo fazer sexo?
Me perguntando sobre sexo?
Universo, é tudo culpa sua!
ㅡ Está... ㅡ respondo, mortinho de vergonha.
ㅡ Presumi. Mas se quiser, me ligue, eu posso te ensinar algumas coisas.
ㅡ Me ensinar? ㅡ abro os olhos outra vez, entendendo do que ele fala.
ㅡ Há muitas coisas que eu posso te ensinar. Caso tenha vontade, me procure.
Dito isso, ele me dá um selinho e mais um sorriso, então se vira e se vai.
Eu permaneço estático no mesmo lugar, com o cartão em mãos, o fitando ir. Park dá dois tapinhas nas costas do Jung, que está na pista com Taeshin, e continua andando.
Eu vejo o homem se despedir de Taeshin com mais um beijo, e como o Park fez comigo, ele entrega um cartão nas mãos de Taeshin.
Vejo Hyun-Suk se juntar ao Kim Hanguk que permanecia no canto, eles e quando o Jung se aproxima, eles apenas saem da boate.
Minah e Rini se aproximam de mim e sorriem, completamente curiosas.
Mostro-as o cartão, ainda meio perdido e ouço a risada escandalosa de Jackson quando ele se aproxima.
ㅡ Minha santa purpurina, ruivinho não gay, que beijo foi aquele, hein? ㅡ pergunta, me fazendo queimar em vergonha.
Eu sabia que todos estariam me observando.
ㅡ Park Hyun-Suk... ㅡ Rini comenta olhando o meu cartão. ㅡ Interessante... mas porque ele te deu isso?
ㅡ Você beijou ele e pediu um emprego? ㅡ Minah pergunta olhando o cartão. ㅡ ah, não é o da empresa.
ㅡ Você acha mesmo que eu pediria um emprego assim? ㅡ enfim rio, mas olho para Taeshin. ㅡ O que tem no seu cartão?
Ele mostra o cartão e franzo o cenho, porque o dele é um cartão empresarial.
Jung Hajun, advogado.
ㅡ Você pediu emprego? ㅡ Minah pergunta rindo, ouvindo Taeshin xingar,
ㅡ O meu só tem o nome dele. ㅡ comento. ㅡ Aish, tão misterioso...
ㅡ Gostoso, isso sim. ㅡ Jackson comenta. O observo e vejo Yejun o abraçar pela cintura.
Eu pego o cartão de volta e guardo em minha calça.
Passava das quatro da manhã quando decidimos voltar todos juntos e irmos para minha casa.
Nos apertamos para dormir no apartamento térreo que se dividia em apenas um quarto, sala e banheiro.
Meus amigos se ajeitam do jeito que dava nos colchonetes espalhados no chão, e eu fui para o meu quarto.
Ainda me assusta a questão de ter beijado um homem e de ter gostado tanto. De ter gostado do jeito que ele me segurou e em como me deixou tão desnorteado.
Deitado, de barriga para cima, e vestindo apenas uma box preta.
Seguro o cartão entre meus dedos e mesmo que minha visão esteja cansada, ainda consigo ler o nome dele ali.
Pergunto-me se devo ligar e matar a curiosidade que agora cresce em mim.
Porque não conseguirei seguir com a minha existência, caso não saiba realmente do que ele estava falando sobre me ensinar.
Seria mesmo sexo? Mas sexo não precisa de professor...
Virei-me, encarando a parede bege e suspirei. Talvez eu precise ligar, precise descobrir quem é o Park e o que quer comigo.
Fecho os olhos, lembrando do beijo.
Eu preciso e eu vou descobrir!
Não vou deixar um homem me beijar daquela forma e deixar por isso mesmo. Se ele quer me ensinar algo, eu posso dar uma chance apenas para saber do que se trata, não é?
Pois é, eu devo e talvez eu até vá. Sou Jeon Jaejun, o ruivo mais bonito do mundo, não posso morrer com essa dúvida.
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