Bela Flor - Romance gay Capítulo vinte e nove

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POV: JiHo

Nunca imaginei ver o que estou vendo.

Mais cedo, quando senti saudade do homem que comandava o meu corpo, mandei mensagens para Hajun. Eu queria muito vê-lo, e sentia que precisava dele porque meu corpo o ansiava demais. Mas, ele me disse que ficaria preso na empresa por mais horas, então eu tive que recorrer ao meu ex que mais me odeia do que ama.

Na verdade, eu não sei decifrar o relacionamento que tenho com Taeshin.

Namoramos por dois anos escondidos, e tudo era até legal, mas ele sempre reclamava que não tinha o carinho suficiente que um namorado precisava ter e isso sempre acabava em discussão.

Decidimos terminar então, parecia o mais coerente a fazer, mas não estávamos prontos ainda e talvez isso tenha feito com que nossos encontros ainda às escondidas continuassem.

E foi naquela época que eu também voltei a ver Hajun, o que no início não foi intencional.

Eu estava na Scandal, e como eu estava carente e sem muito que fazer, decidi que precisava me divertir.

Eu deveria imaginar que encontraria Hajun lá, ele havia me levado até aquele lugar pela primeira vez.

Eu ainda não tinha um dominador depois que havíamos rompido, então com a prática que ele conhecia meu corpo e meus desejos com a palma da mão, talvez isso tenha facilitado a nossa reaproximação.

Hajun usava suas típicas roupas de couro e aquilo me acendeu como fogo.

Fui eu quem lhe convidou para um dos quartos, e fui eu quem implorou para que ele me fode-se da forma como desejasse.

Hajun judiou, me prendeu, bateu, xingou, mas fez tudo aquilo me amando.

Aquela noite para mim, foi uma das melhores. Eu sentia no receio dele o medo, mas quando sua primeira reação foi prender os dedos em meu pescoço e apertá-los ali, ele parecia o meu homem.

Somente aquilo me deixou completamente desestabilizado, mas quando suas ordens se iniciaram, e eu as acatei em silêncio e em prontidão, tudo que um dia havia se perdido entre nós, voltou.

Não foi planejado quando em sua mão, eu vi uma coleira endereçada a mim. Hajun me pediu para ser seu, somente seu, e eu aceitei.

Mas a verdade é que para ele talvez o "somente seu" fosse literal, mas para mim se tratava apenas de um fetiche.

Eu era somente dele, mas como submisso. Eu acatava suas ordens, e desejava somente ele para fazer aquele papel comigo, mas meu coração ainda se dividia, e por outro homem mais novo, um garoto com o sorriso mais bonito que eu já havia visto.

Eu sempre criava o impasse entre Taeshin e Hajun, sentindo o desejo e o sentimento se misturando, formando uma bagunça e me deixando à beira de um colapso.

Eu não queria, mas não tinha como impedir.

Mas então eu comecei ver as marcas.

Tanto em Hajun, quanto em Taeshin, e somente assim entendi que não pertencia a nenhum da forma em como eles não me pertenciam também.

Eu deixei de mão, tentando não me importar, e recorria apenas de um a outro quando tinha vontades.

E eles sempre me saciavam.

Mas agora, vestido com um sobretudo, eu pensei que seria uma boa visitar Hajun somente vestindo uma cueca e minha coleira por debaixo daquilo.

A coleira que ele me deu anos atrás.

Mas me enganei. E me surpreendi também. Porque quem abriu a porta para mim não foi ele, e sim Taeshin.

O meu Taeshin.

E ele me encarou em silêncio, com seus olhos abertos demonstrando a surpresa em me ver aqui, parado. E talvez eu esteja do mesmo jeito.

Não consigo falar nada, somente pensar. Pensar se estou certo da imagem à minha frente, ou se é meu subconsciente me maltratando por estar aqui atrás somente de Hajun quando também desejei estar com Taeshin.

Mas eu pisco, inúmeras vezes. Tentando sempre limpar minha mente e visão, e entender que tudo é uma mentira.

Mas eu também ouço passos. Passos que fazem o meu coração acelerar, imaginando quem seja, mas pedindo com almejo para que eu tenha vindo parar no endereço errado.

ㅡ JiHo?

Pois é, o meu pedido não valeu em nada. Mas meu coração continua acelerado e meus olhos se perdem na imagem do meu primeiro namorado junto ao meu último.

Meus olhos intercalam de um a outro, e com um nó na garganta, eu decido virar e me preparar para ir o mais longe possível.

ㅡ Espere. ㅡ Hajun pede. Mas meu corpo é tão entregue a si que toma como uma ordem, e então eu paro no mesmo instante.

ㅡ O que faz aqui? ㅡ é Taeshin quem pergunta, e sua voz é tão trêmula que eu sei que ele está tão nervoso como eu estou agora.

Eu não quero encará-los outra vez, mas o que escuto me faz tremer, e infelizmente, obedecer.

ㅡ Olhe para mim, JiHo.

Hajun é um grande filho da puta, mas eu amo esse seu jeito. Me viro para si, vendo o olhar de ambos sobre mim.

ㅡ Vocês se conhecem? ㅡ Taeshin indaga.

ㅡ JiHo foi meu primeiro namorado.

Sem filtros, Hajun responde. Eu ainda permaneço parado, sem reação, mas sou capaz de ver como Taeshin ofega de forma profunda, demonstrando surpresa.

ㅡ JiHo? ㅡ ele pergunta, mas desvia o olhar para mim, voltando em seguida para Hajun. ㅡ Não... JiHo foi meu namorado.

ㅡ Parece que fui namorado de ambos. ㅡ digo nervoso, tentando não demonstrar minha vontade de sumir. ㅡ E parece que vocês agora se namoram.

Taeshin abaixa o olhar, juntando as mãos à frente de seu corpo, mordiscando o lábio sem ter muito o que fazer.

Sem ter muito o que esconder também.

ㅡ Vamos entrar. ㅡ Hajun diz, tocando sutilmente a cintura de Taeshin. ㅡ Você também JiHo, não podemos discuti nada disso aqui no corredor.

Taeshin assente, adentrando. E eu sinto meu peito doer quando o vejo fazer.

Meus olhos queimam, mas de raiva e não lamúria. Eu tinha os dois para mim, mas agora parece que ambos se têm, e não sobra espaço para mim no meio.

Afinal, quem gostaria de ficar no meio de duas pessoas que parecem se conhecer, e provavelmente manter uma relação?

ㅡ Eu disse que você também. ㅡ Hajun diz firme, mas não usa somente palavras, sua mão vem até a mim, segurando meu pulso para em seguida segurar minha cintura, puxando meu corpo fazendo-me colar em si. ㅡ entre, vida.

Eu trinco meus dentes, talvez louco para me soltar e ir, mas olho novamente para Taeshin agora no sofá observando nós dois juntos, e suspiro, me rendendo por completo.

Quando adentro o espaço, Hajun vem logo atrás. Eu o sinto segurar minha cintura com apenas uma mão e me guiar até um de seus sofás, sentando na poltrona bem à frente.

Taeshin está sentado em outro lugar, há alguns metros de mim, mas consigo sentir seu nervosismo mesmo assim.

Eu movo meu olhar para ele, e diferente de com Hajun, eu o mantenho, vendo-o me encarar de volta, assustado e sem palavras.

ㅡ Ok... ㅡ Hajun diz, respirando fundo. ㅡ o que precisamos esclarecer aqui?

ㅡ Eu acho que tudo isso. ㅡ digo. ㅡ quer começar?

Hajun parece não se abalar muito com minha fala, talvez seu lado dominador ative assim que o meu submisso esteja evidente, mas mesmo com tudo isso, seus olhos ainda me dizem mais coisas do que sua boca.

ㅡ Tudo bem. ㅡ ele encosta na poltrona e abre sutilmente as pernas, relaxando o corpo. ㅡ eu e JiHo namoramos na adolescência. ㅡ ele diz olhando para Taeshin. ㅡ Eu tinha dezesseis e ele vinte. Durou alguns anos, mas depois terminamos. Ele me traiu.

ㅡ Eu nunca te trai. ㅡ falo. ㅡ não estávamos mais juntos.

ㅡ Você já carregava essa mesma coleira que está no pescoço, então eu acho que sim, estávamos juntos. Mas enfim... E sobre Taeshin. ㅡ diz desta vez mantendo o olhar em mim. ㅡ nos conhecemos a pouco mais de quatro meses e estamos saindo desde então.

ㅡ Quatro meses? ㅡ rio, olhando para Taeshin que sequer tenta se explicar. ㅡ Vocês namoram, é isso? ㅡ pergunto. ㅡ é ele o cara?

Taeshin não responde verbalmente, ainda parece recuado demais, mas assente, sem desviar os olhos dos meus.

ㅡ Nós não namoramos. ㅡ Hajun diz. ㅡ mas nos curtimos.

ㅡ Assim como eu e você. ㅡ falo olhando.

ㅡ Sim. Assim como eu e você.

ㅡ E eu e você. ㅡ desta vez digo olhando Taeshin. ㅡ nós ainda ficamos às vezes, inclusive nos últimos quatro meses, não foi?

ㅡ Ele sabe. ㅡ Taeshin diz com a voz baixa. ㅡ eu não quis esconder você dele.

ㅡ Mas parece que ele me escondeu de você, não é?

ㅡ Eu não escondi, JiHo, eu apenas... Não contei. Taeshin e eu não temos nada sério, assim como eu e você. E eu sabia que ele ficava com outro cara, só não sabia que era você.

Meus dedos vão até meu pescoço, abrindo a fechadura da coleira, e a retirando.

ㅡ Realmente, isso não é algo sério. ㅡ digo colocando-a sobre o móvel de centro dele, e sorrio ao ver o meu vinho favorito lá, junto a copos que tenho certeza que foi Taeshin que escolheu.

Ele sempre prefere os copos ao invés de taças.

Você não precisa fazer isso. ㅡ Hajun diz, sem se mover do lugar. ㅡ podemos continuar assim.

ㅡ Você ao menos contou a ele? Contou o que é? ㅡ pergunto.

Taeshin umedece os lábios, se ajeitando sobre o sofá e se esgueirando até a coleira que pus sobre o móvel para segurá-la entre os dedos.

ㅡ Sim, Taeshin sabe. ㅡ ele diz.

Movo meus olhos até meu último namorado e o vejo buscar em seu bolso outra coleira quase idêntica à minha.

Você também é submisso dele? ㅡ pergunto, surpreso.

Eu não entendo muita coisa ainda, mas... Hajun me ensinou algumas práticas. Práticas que nós dois nunca fizemos...

Porque nunca conversaram. ㅡ Hajun se intromete. ㅡ eu os conheço bem, sei das vontades, desejos e limites de cada um.

Você não podia ter escondido de mim... Deveria ter me contado sobre ter dado uma coleira a outro.

Você escondeu de mim também, JiHo. Você arrumou outro e mesmo assim eu nunca

Eu era o outro? ㅡ Taeshin pergunta.

ㅡ Pelo que vejo, sim. E eu era o outro com você também, não é?

Eu nunca traí nenhum dos dois. Vivíamos brigando, discutindo, separando e voltando, mas enquanto eu estava namorando com cada um de vocês, eu nunca

ㅡ Eu acredito em você. ㅡ Taeshin sorri doce para mim, deixando nossas coleiras sobre o móvel de centro, uma ao lado

Onde você quer ficar? ㅡ pergunto. ㅡ comigo ou com ele?

Por que não faz essa pergunta a si próprio, JiHo? ㅡ Hajun diz. ㅡ Onde você ficaria?

ㅡ Isso não é sobre mim.

Claro que não, é sobre nós. Sobre

ㅡ Com quem você ficaria? ㅡ Taeshin pergunta a ele, e eu o vejo esboçar um sorriso calmo.

ㅡ Se não com os dois, sozinho.

Hajun é simples, sempre foi.

Mas Taeshin ainda é confuso, e eu enraivecido demais para ficar entre ambos.

ㅡ Isso já deu para mim. ㅡ falo ficando de pé, e instintivamente Taeshin também

observo e o vejo caminhar até parar a minha frente com ambas as coleiras na mão outra vez.

ㅡ Você irá então? ㅡ Hajun é quem pergunta, ficando de pé, também se aproximando.

Meus olhos ainda estão em Taeshin, mas sinto-o parar a centímetros de mim, bem atrás de

Então você vai? ㅡ Taeshin pergunta, mas seu tom é brando. O típico tom que me deixa rendido por ele e me faz mudar por inteiro. ㅡ você está me deixando ou está deixando Hajun?

ㅡ E você irá ficar? ㅡ pergunto controlando-me quando sinto meu coração acelerar ainda mais para a bagunça que sinto.

Meu corpo sente a presença de Hajun logo atrás, mas meus olhos brilham com os de Taeshin bem à frente.

Que bagunça eu sou.

Fica. ㅡ ele pede num burburinho, se aproximando. ㅡ eu vou te entender. Vou ficar com vocês.

ㅡ Com nós dois?

Eu te amo. ㅡ fala o que para mim não é novo de ouvir, mas que chega com a força da primeira vez que o ouvir dizer ㅡ e eu acho que também amo o Hajun... E se for para tê-los felizes, eu prefiro que fiquem juntos.

ㅡ Eu também te amo, Taeshin. Mas não como antes, não na intensidade de antes. ㅡ falo a verdade, que para ele também não é novidade. ㅡ Mas eu amo o Hajun. E esse amor é antigo, é forte. É um amor louco.

ㅡ Mas então eu não tenho escolhas, também?

ouço a voz de Hajun. Minha respiração se torna forte quando sinto seu peito colar em mim, mas vejo sua mão tocar a mão

ㅡ Eu quero poder escolher, também.

ㅡ eu tento manter minha voz, mas ainda o sinto e o vejo tocar Taeshin, e isso me embaralhar todo.

parece ter os olhos em Taeshin também, já que eu o tenho a centímetros de mim, e seus olhos

buscar a coleira, e olho, vendo-o escolher a

se maltrata sozinho quando o vejo erguê-la, pedi-lo para virar, doendo como se uma faca lhe adentrasse e

desta vez desvia o olhar para mim e nega. Então Hajun segura firme em sua nuca, o fazendo fechar os olhos sutilmente e buscar apoio para descontar o que sente em

Taeshin segura minha mão, apertando-a

modo ele vira, permitindo que Hajun prenda sua coleira, e quando ele volta a ficar de frente para mim, meus olhos se perdem na imagem que nunca imaginei

sua coleira há um pequeno pingente em formato de pimenta igualmente a minha, mas lá está escrito "brat", enquanto a minha carrega

Brat? ㅡ pergunto e até sorrio. Nunca poderia imaginar algo assim, mas até que não me

tristonho, abaixando o olhar. Então eu volto a fitar a mão de Hajun que segura a minha

a estende na altura da minha visão, e quando me preparo para recolhê-la e sair de seu apartamento como a segunda opção que talvez eu sempre tenha sido para si, eu o vejo endireitá-la junto a sua outra mão, e trazê-la até

Fechando-a lá, eu a toco.

o que ele quer dizer com o ato, mas olho para Taeshin, e como eu fiz consigo, ele olha fixamente para a minha

Eu escolho vocês. ㅡ Hajun diz. ㅡ Se ambos me pertencem e se pertencem, por que precisamos dar um

jamais dará certo. ㅡ

ㅡ Hajun responde e pressiona mais seu corpo ao meu, voltando a tocar o rosto de Taeshin. ㅡ mas como saberemos se

Você aceita isso? ㅡ pergunto

ainda o vejo recuado, mas ele se aproxima de mim, fazendo assim como Hajun faz, me prendendo

ㅡ Eu amo você. ㅡ diz.

sobre seu peito e deslizo minhas mãos por lá, já rendido a si, mas ouço baixo em meu

ㅡ Eu amo você, baby.

se fecham, e quando minha mão repousa sobre a cintura de Taeshin, minha cabeça repousa sobre o ombro de Hajun, sentindo-o me segurar

odeio vocês. ㅡ falo em um sussurro, mas ouço ambos

ㅡ Eu duvido disso.

ㅡ Você nos ama.

olhos se abrem e de onde estou, vejo Taeshin ir até Hajun e deixar um selar sobre sua

sei como me sinto de verdade, mas a sensação não é

se um choque percorresse dele até meu corpo, assim indo até o de

se algo nos unisse ainda

selar se finda, e assim Taeshin me olha e vem até mim, segurando minhas bochechas e

acho que aceito. ㅡ ele diz quando se afasta, tocando minha cintura por cima das mãos de Hajun. ㅡ podemos

ㅡ Podemos tentar? ㅡ pergunto fraco.

Vamos tentar, baby. ㅡ Hajun diz em minha orelha, deixando um pequeno selar abaixo em meu

respiração ainda pesa, mas eu já sei que, ao menos por hoje, não sou capaz mais