PONTO DE VISTA DE BELLA
— Obrigada. — Disse friamente, enquanto permanecia deitada na cama, de costas para eles, mordendo as palavras asperamente, sem revelar traço algum de gratidão. — Podem sair agora?
— Bella…
— Mãe! — Exclamei furiosa, girando o rosto para encará-los, enquanto meus olhos faiscavam de revolta. — Vocês simplesmente podem ir embora? Eu só quero ficar sozinha, por favor!
Senti o peito se inflar e deflacionar em pura raiva, ao observar os olhares cúmplices que trocaram. Sem mais delongas, levantaram-se e saíram do quarto.
Voltei o olhar para os presentes que haviam trazido para mim. Empurrei a comida para o lado e agarrei meu celular, rolando freneticamente pelos canais de notícias, pelos blogs e pelos comentários. Assim como dissera, o assunto já estava em toda parte: cada canal de entretenimento, cada noticiário, cada blog se divertia zombando de mim por ter sido abandonada pelo Mark.
"A exploradora dissimulada fingiu gravidez para prender o bilionário Mark Torres"
"Mulher que tentou se infiltrar na família Torres ao engravidar sofre aborto espontâneo e é abandonada pelo herdeiro."
"Plano desastroso: Bella Michael perde o acesso ao cofre dos Torres."
Cerrei os dentes, apertando o aparelho com fúria, enquanto lágrimas quentes e grossas escorriam pelo meu rosto em ondas impiedosas. Cada lágrima me fazia sentir patética, remetendo à imagem da frágil Bella que Isaac maltratava como queria, aquela que se deixou enganar por um amor tolo.
Assobiando contra meu próprio lamento, limpei o rosto molhado com força. Ninguém jamais poderia me diminuir. Ninguém seria capaz de ridicularizar-me impunemente.
Tudo era culpa dela. Não bastara ter tomado meu lugar na vida de Mark… Naquele momento, ela havia conseguido, de forma certeira, romper completamente o nosso relacionamento.
As únicas pessoas que sabiam que minha gravidez não era do Mark, eram Isaac e Sydney. E Isaac não era um tolo - eu alimentava seus vícios, e ele jamais se atreveria a delatar para Mark. A única capaz de fazer isso era Sydney. Aquela vadia! Eu já suspeitava de seu motivo, desde o instante em que a peguei escutando a discussão que tive com Isaac, quando ele tentava me assediar novamente. Esse era o plano dela, e mesmo após eu ter avisado para não contar nada a Mark, ela fez exatamente o contrário, revelando tudo e alcançando seu objetivo.
Felizmente, como sempre, os hospitais têm uma porta dos fundos, que, por sorte, permanecia destrancada.
Coloquei minha cabeça para fora da porta e, cautelosamente, espiei para ambos os lados do corredor. Embora vazio, o espaço ecoava com vozes baixas de pessoas conversando em outros cantos.
Saí do quarto de maneira discreta, caminhando com calma e naturalidade. O corredor que levava à porta dos fundos estava quase deserto. As enfermeiras que passavam por mim ou estavam apressadas ou concentradas em suas tarefas, como checar listas ou o que quer que tivessem empilhado na bandeja que seguravam, de modo que nem sequer me deram uma segunda olhada.
Fechei os olhos e inspirei fundo, permitindo que o ar fresco do lado de fora lavasse o suor do meu rosto. Sorri - aquilo estava sendo mais fácil do que eu imaginava.
Ao deixar o recinto do hospital e me encaminhar para a rua principal, dei cada passo com determinação, como se cada movimento tivesse um propósito definido.
Quando finalmente parei um táxi na rua e o motorista, um senhor de semblante cansado, me lançou um olhar estranho, mas ele permaneceu em silêncio. Revirando os olhos, subi no carro. Aposto que ele também já tinha acompanhado as notícias.

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