DENNIS
O som mais lindo foi o primeiro que ouvi quando abri os olhos: a risada dela. Apesar da dor de cabeça, um sorriso involuntário surgiu nos meus lábios.
Aquele som… já bastava para iluminar o meu dia.
Olhei de relance para ela, curioso sobre o que a fazia rir daquele jeito. Estava sentada na beirada da cama, de costas para mim, falando ao celular. Fiquei imaginando com quem ela conversava. Amie? Não conseguia pensar em ninguém além da nossa filha que pudesse arrancar dela uma risada tão gostosa.
Quando estendi a mão para puxá-la para perto de mim, seus ombros tremeram com mais uma risada. Então, ela balançou a cabeça e disse:
— Aiden… — Arrastando a última sílaba.
O sorriso bobo desapareceu do meu rosto, meu corpo esfriou e minha mão congelou no ar.
Claro, engoli seco.
Lentamente, baixei a mão e a coloquei de volta sobre o rosto.
Senti as emoções de sempre, raiva, amargura, tristeza, ciúme, ressurgirem de onde eu tentei afogá-las no dia anterior.
Como pude esquecer? Aiden estava de volta na vida dela. Eu devia ter adivinhado. No fundo, ele sempre foi o homem que ela quis. Eu era o plano B.
Aquela voz… Suspirei. Tentei calar essa voz na minha cabeça, mas não consegui. Eu sabia que Ana me amava, mas não adiantava.
Esfreguei as têmporas, tentando aliviar a dor de cabeça, enquanto repetia mentalmente meu lugar na vida dela.
“Não é nada, Dennis. Ela só está fazendo isso pela nossa filha. E tudo bem ser cordial com o homem que vai ajudar a salvar nossa filha.”
“…E também vai dar outro fi...”
Uma careta escapou dos meus lábios, cortando a voz traiçoeira na minha cabeça.
E também interrompeu a ligação de Ana.
Ela se virou na minha direção, e o sorriso dela automaticamente trouxe de volta o meu.
— Ei. — Ela disse, arrastando a palavra, e deixou o celular na mesinha ao lado da cama. Engatinhou até mim e depositou um beijo no meu peito.
— Oi. — Repeti, enquanto minha mão pousava em suas costas e eu retribuía o beijo.
Ela fez um biquinho:
— Eu te liguei ontem e você não atendeu. Imagine minha preocupação quando voltei e te encontrei jogado no sofá, todo torto.
— Eu me empolguei e acabei exagerando. Desculpa por ter te deixado preocupada.
Ela suspirou.
— Como está sua cabeça? — Perguntou, se aconchegando ao meu lado. Uma das mãos ficou no meu peito enquanto a outra fazia carinho nos meus cabelos.
— Péssima. — Resmunguei, olhando para ela.
Ela balançou a cabeça daquele jeitinho que sempre fazia antes de dar uma bronca em mim ou na Amie.
— Sabia que você ia acordar mal hoje. Estou surpresa de não te ver rolando de dor. Por que bebeu tanto assim? — Um franzido adorável surgiu em sua testa enquanto seus olhos escaneavam meu rosto. — Tá tudo bem? Quer me contar alguma coisa?
Tinha muita coisa que eu gostaria de gritar. Mas só balancei a cabeça e dei de ombros.
— Tá tudo bem. O trabalho tá puxado.
— Sinto muito. Mas você sabe que pode contar comigo quando precisar de uma mão extra, né?
Sorri e cobri a mão dela com a minha.
— Eu sei. — Mas, no instante seguinte, uma fisgada aguda me fez soltar um gemido.
Maldito porre.
Ela começou a se afastar.
— Faz o seguinte, tenta se sentar que eu vou fazer um chá rápido pra ressaca, tá?
Assenti e ela me ajudou a me sentar. Apoiei a cabeça com uma mão e me ergui com a outra.
— O médico disse que agora vou precisar ir com frequência ao hospital.
Franzi a testa.
— Por quê?
Se ela frequentasse o hospital, passaria mais tempo com Aiden. E eu não queria isso.
Ela deu de ombros.
— É só para garantir que tudo corra bem. Mas é mais para quando o transplante acontecer. Vão precisar monitorar o bebê e a mim, para garantir que está tudo bem.
Assenti devagar enquanto processava a informação.
…Quando o transplante acontecer…
Isso significava que o trabalho do Aiden estaria quase concluído e ele não seria mais tão necessário, certo?
— Isso é ótimo. Espero que o processo não seja muito pesado para você e para a Amie.
Ela sorriu, aquele sorriso leve e lindo.
— Obrigada. Eu também espero que não.
Dei uma respirada. Faltava só um restinho da sopa e eu já me sentia melhor. A dor de cabeça havia diminuído para uma leve pulsação.
— E a Amie, como está?
— Preocupada com você. Disse que sente sua falta.
Meu peito aqueceu e, na mesma hora, me senti um idiota por ter evitado vê-la de propósito. Era injusto com ela, e com a Ana também. Nenhuma das duas tinha culpa de tudo o que estava acontecendo. Era só o destino, como sempre, colocando pessoas inocentes em situações terríveis.
Suspirei, passando a mão pelo rosto.
— Eu também sinto falta dela. Vou arrumar um tempo para visitá-la.

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