DENNIS
Fui bem criterioso com as coisas que comprei. Escolhi exatamente as flores que ela gostava e apenas presentes que eu sabia que ela iria valorizar.
Lancei um olhar para o banco do passageiro, onde estavam as flores e os presentes, enquanto dirigia para dentro do estacionamento do hospital e assenti para mim mesmo. Ela ia adorar. Encontrei uma vaga rapidamente e estacionei o carro.
Antes de sair, peguei os itens e segui para dentro.
— Sr. Dennis! — Uma das enfermeiras da recepção exclamou. — Que bom tê-lo de volta!
Assenti, surpreso de verdade.
— Obrigado. — Murmurei, esboçando um sorriso enquanto seguia para o quarto da Amie.
Assim que empurrei a porta, os olhos dela se voltaram para mim e seu rosto se iluminou na mesma hora.
— Papai!
Acelerei o passo para que ela não precisasse correr até mim, mas ela já estava de pé e tinha dado alguns passos antes que eu a alcançasse.
— Papai! — Repetiu, se agarrando às minhas pernas. Coloquei as coisas na cadeira mais próxima e a ergui nos braços, puxando-a para um abraço.
Ahh, como senti falta dela.
— Senti tanto a sua falta, minha pequena.
— Eu também senti sua falta. Por que não veio me ver?
— Desculpa, eu estava atolado de trabalho.
Ela assentiu.
— Tudo bem. Só estou feliz que você está aqui agora.
Baguncei o cabelo dela.
— Essa é minha garota!
Ela riu e apontou para as flores e os presentes.
— Aquilo é meu, né?
Caí na gargalhada. Ela nunca hesitava em reivindicar o que achava que era dela.
Peguei o buquê de margaridas que escolhi especialmente para ela e entreguei.
— Tudo seu, amor. Tudo seu.
— Obrigada! — Disse com um sorriso radiante, agarrando as flores e me abraçando de novo pelo pescoço. — Você é o melhor pai do mundo.
— Eu sei. — Respondi com um sorriso bobo.
Suspirei, sentindo o peito aquecer enquanto a abraçava. Não deveria ter ficado longe do hospital como um covarde. Assim como a mãe, ela era um raio de sol. Ela era minha maior esperança de que Ana e eu ainda poderíamos nos consertar quando tudo isso passasse. Ela me amava e eu duvidava que ela aceitaria outro homem como pai.
Coloquei-a na cama e a observei desembrulhar os presentes enquanto falava sem parar sobre uma nova enfermeira, novidades do hospital e mais um monte de coisas que às vezes eu nem conseguia acompanhar.
Passei um bom tempo com a Amie. Demos uma volta curta e, ao voltarmos, fiquei vendo ela desenhar para me mostrar.
Ela levantou a cabeça de uma pintura de um mar revolto e sorriu para mim.
— Meus desenhos melhoraram, né?
Inclinei a cabeça, analisando melhor a pintura. Sorri, orgulhoso.
— Você se saiu muito bem. Está bem mais realista que os outros trabalhos.
Ela sorriu e voltou a olhar para a pintura.
Soltei uma risada.
— Não foi bem assim.
Cole era um dos meus amigos da faculdade, da época em que eu era o terror de todo mundo.
Foi um dos amigos que precisei me afastar quando decidi levar uma vida decente.
— Eu entendo. — Ele disse, balançando a cabeça.
— E você, o que faz aqui? Alguém que você conhece está internado?
— Ah, não. Minha namorada trabalha aqui.
— Ah...
— É. E vocês? Ouvi dizer que se casaram. Parabéns.
Sorri.
— Obrigado.
— Mais cedo, vi você caminhando com uma garotinha. Ela é sua?
Abri a boca para responder, mas ele foi mais rápido, com as sobrancelhas arqueadas.
— Ah, é sua enteada, não é?
— É. — Respondi, sorrindo. — E somos felizes juntos.
Muito tempo depois de nos despedirmos, fiquei pensando por que senti a necessidade de acrescentar essa última frase.

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