ANASTASIA
— Olá, senhora, você está bem?
A voz parecia distante, vinda de algum lugar longe…
Então outra surgiu, mais próxima dessa vez.
— Meu Deus. Acho que não podemos mais esperar que ela acorde, liga pro 192... — Era uma mulher, e o tom carregava uma preocupação genuína.
— Senhora, por favor, acorde.
— Chega! Vou ligar pro 192.
192pra quê? Pensei, enquanto abria os olhos.
Quando o rosto do homem ficou nítido, ele arfou:
— Ah, ela acordou!
Pisquei para ele. Reconheci o rosto. Antes de chegar minha vez na fila, ele parecia entediado enquanto atendia os clientes do banco. Agora, estava radiante.
— Graças a Deus.
Banco. Meu Deus! Estava no banco. Meu depósito!
Tentei me levantar, mas o homem já estava ao meu lado, me ajudando.
— Obrigada. — Minha voz saiu rouca e eu tive que pigarrear.
— Você está bem?
Olhei ao redor e vi todos me rodeando.
— Estou bem. Obrigada.
— Ótimo! Agora será que você pode atender o resto de nós, que não desmaiou? — Alguém disse no fundo.
Algumas pessoas reclamaram da falta de empatia do homem por não se importar se eu acordaria ou não.
— O que aconteceu? — Perguntei, enquanto alguém me ajudava a ficar de pé e me entregava minha bolsa.
— O balcão estava te atendendo quando você simplesmente caiu. Corremos até você e vimos que tinha desmaiado.
Era isso que eu ganhei por pular o café da manhã.
— Obrigada. — Agradeci a todos pela preocupação e pedi desculpas aos que resmungavam pelo tempo perdido.
— Tudo bem, senhora. — Disse uma senhora mais velha, lançando um olhar repreensivo ao homem resmungão. Depois se voltou para mim com um sorriso gentil. — Acho que você deveria ir ao hospital e voltar outro dia para resolver o que tiver que resolver aqui, querida. Você não parece nada bem.
Assenti.
— Sim, eu farei isso. Muito obrigada.
— Se cuida, então.
Agradeci mais uma vez e saí.
Havia uma cafeteria do outro lado da rua. Eu sabia que vendiam mais do que café. Podia pegar um muffin ou um bagel, mas nada me parecia apetitoso. Nada me atraía, embora eu estivesse faminta. Decidi ir direto ao hospital primeiro. Talvez o motivo do meu desmaio fosse mais do que apenas um café da manhã perdido.
Chamei um táxi e dei o endereço.
Enquanto me mantinha em silêncio no banco de trás, me perguntava sem parar por que tinha desmaiado. Não podia ser só pelo café da manhã. Eu já havia saído de casa sem comer outras vezes e nunca tinha passado mal assim.
“Meu Deus, e se for um sinal de que o procedimento falhou? E se eu não engravidei?”
Uma dor de cabeça veio na hora com esse pensamento.
Abanei o rosto com a mão. “Por favor, que não seja isso.” Pensei.
— A senhora está com calor? Quer que eu ligue o ar? — O motorista perguntou, me encarando rapidamente pelo retrovisor antes de voltar os olhos para a estrada.
— Ah, não. Estou bem, obrigada.
Alguns minutos depois, respirei fundo e entrei no hospital.
— Bom dia. — O médico me cumprimentou com um sorriso quando entrei na sala.
Ajudei-a a se sentar e entreguei um cupcake e um potinho de iogurte. Meu olhar caiu no livro ao lado dela.
— Onde conseguiu esse livro?
Ela olhou de relance.
— Papai me trouxe da última vez que veio.
Mordi meu cupcake. Faltou pouco para perguntar qual dos “pais” ela estava falando.
Amie e eu conversamos por uns vinte minutos até ela adormecer.
Recolhi o que tínhamos comido, coloquei tudo na sacola e saí do quarto.
No corredor, vi o médico conversando com algumas enfermeiras.
— Sra. Dennis. — Ele me chamou ao me ver. — Estava indo atrás de você. O resultado do exame saiu.
Meu coração disparou. Analisei o rosto dele, tentando adivinhar o que ele ia dizer.
— E então? — Perguntei baixinho enquanto tentava acalmar meu coração palpitante.
O médico sorriu, do jeito que todos sorriem quando estavam prestes a dar uma notícia importante.
— Você está grávida.
Ofeguei e levei a mão ao peito, aliviada. Me sentei em uma das cadeiras e abri um sorriso enorme.
— Ah, doutor, obrigada.
Os olhos se encheram de lágrimas enquanto eu repetia as palavras dele na cabeça. Deu certo. O procedimento funcionou. Estava preocupada à toa.
Fiquei com a mão na barriga muito tempo depois de ele ter ido embora. Era quase inacreditável. Agora, Amie realmente tinha uma chance.
Não consegui conter a felicidade que transbordava no meu peito. Precisava contar a alguém.
Peguei o celular no bolso e disquei o número dele. E continuei sorrindo enquanto escutava o celular chamando.

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