DENNIS
— E aí, cara, está ocupado?
Balancei a cabeça antes de lembrar que ele não podia me ver. — Não.
— Beleza, acabei de te encaminhar o contato do cara que vai falar com você sobre o investimento.
— Ah. — Respondi, sem esconder o desinteresse. Eu até tinha esquecido disso.
Ouvi a risada despreocupada dele ecoar pelos alto-falantes do celular. — Dá pra ver que você continua sem vontade nenhuma.
— Eu já te falei, cara, não posso arriscar nada financeiramente agora.
Tinha contas sérias para pagar.
Afastei o celular da orelha e o deixei sobre a mesa.
— Eu entendo, mas você precisa saber que a vida é sobre correr riscos, Dennis.
Respondi com um murmúrio enquanto continuava folheando os relatórios de inventário, escalas de funcionários e demonstrativos financeiros que o gerente de um dos meus bares tinha acabado de me enviar.
Fazia um bom tempo que eu não visitava essa filial.
— Dennis?
— Estou ouvindo.
— Achei que tinha te perdido. — Murmurou. — Já falei com ele sobre você, então ele deve te ligar a qualquer momento.
— Certo. — Disse, enquanto mentalmente fazia uma nota para colocar o celular no silencioso assim que desligasse.
— Então tenta dar uma chance nisso, tá bom?
— Bom. Obrigado. — Falei. Ele realmente parecia estar sendo sincero.
Logo depois que a ligação terminou, outro número apareceu na tela.
— Droga! — Murmurei, encarando o número desconhecido.
Ainda não tinha conferido o contato que Cole me enviou.
O celular parou de tocar, mas logo tocou novamente.
Peguei o aparelho, pronto para recusar a chamada, mas meus dedos congelaram a poucos centímetros do botão vermelho.
Conhecendo o Cole, ele não me deixaria em paz até eu falar com esse cara. Melhor resolver isso logo, pensei, antes de atender.
— Boa tarde, Sr. Dennis.
— Boa tarde.
— Meu nome é James. Recebi seu contato pelo Sr. Cole.
— Sim. — Massageei a testa, recostando-me na cadeira. — Ele me avisou.
— Perfeito...
Então ele começou a falar sobre o investimento. Alguns minutos depois, perguntou:
— Ainda está comigo, Sr. Dennis?
Endireitei-me e apoiei os cotovelos na mesa.
— Sim. — Respondi, e era verdade. Eu tinha planejado fazer o mesmo que fiz com o Cole, prestar atenção no que importava enquanto ele falava, mas ele realmente conseguiu minha atenção.
— Obrigado. O senhor teria disponibilidade para uma reunião? Pode escolher o local que preferir. Tenho alguns documentos que gostaria de lhe mostrar.
Levantei as sobrancelhas, surpreso por ele não ter perguntado se eu estava interessado antes de sugerir o encontro.
Olhei para a mesa lotada de papéis à minha frente.
— Estou bem ocupado. — Comecei, devagar. — Mas posso arranjar um tempo. Hoje à noite serve? Antes das 18h. Presumo que até 18h30 já teremos encerrado tudo, certo?
— Com certeza. Não tomarei muito do seu tempo.
— Certo, obrigado. Vou te enviar o local do nosso encontro.
— A área que estamos reurbanizando foi identificada como zona de crescimento. Como você pôde ver. — Apontou para a pilha de papéis que eu acabara de folhear. — Os estudos de viabilidade foram feitos com muito rigor. Há uma demanda por moradia e o governo está investindo milhões em infraestrutura. Isso é um sinal claro de que o projeto está no caminho certo.
Descruzei os braços. — Bom. O que eu ganho com isso?
— Ótima pergunta. — Ele puxou uma pasta bem organizada de sua bolsa. Ao abri-la, vi gráficos e projeções.
Ele virou a pasta para que eu pudesse ver melhor.
— Veja estes números. A previsão é de que os investidores tenham um retorno superior a 20% nos dois primeiros anos. E além disso, seu investimento ajuda a revitalizar uma comunidade. É uma via de mão dupla.
Analisei os gráficos e deixei minha expressão suavizar. — Eu não imaginava que o potencial fosse tão alto. E os riscos?
— Todo investimento tem riscos. — Disse ele com um sorriso, e as palavras de Cole ecoaram na minha mente.
— Mas eu fiz minha lição de casa. Confie em mim, não sou o tipo de pessoa que embarca em projetos fadados ao fracasso. Estou aqui conversando com você porque tenho certeza de que não vai se arrepender. Comprometo-me a ser transparente e a mantê-lo informado em todas as etapas. Pode ter certeza de que você não ficará no escuro.
Assenti devagar. — Certo. Estou impressionado... — Mantive o olhar firme no dele. — E convencido.
Ele sorriu da mesma forma modesta. — Parabéns pela decisão. Quanto pretende investir, Sr. Dennis?
Antes de sair do escritório, já tinha feito meus cálculos caso decidisse seguir adiante. — Cem mil dólares.
— Excelente, mas eu recomendaria que investisse mais. Os lucros são transformadores. Você viu os gráficos.
— Vou pensar a respeito. — Respondi. Quando decidi esse valor, levei em conta até mesmo uma possível perda. Estava convencido, mas não podia ignorar os riscos.
— Claro, a decisão é totalmente sua. — Ele se levantou. — Muito obrigado pelo seu tempo, Sr. Dennis. Espero trabalharmos juntos em breve.
— Eu também. — Respondi, com sinceridade.
*
Quando cheguei em casa, Ana ainda não tinha voltado. Subindo as escadas, a ligação do Cole entrou.
— E aí, já falou com ele? Como foi?
— Vou investir.

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