ANASTASIA
Desabei no chão da garagem enquanto via o carro dele sumir na escuridão da noite.
Meu peito se apertou e levei a mão ao coração, tentando impedir que ele se despedaçasse. Minha cabeça latejava enquanto as lágrimas escorriam lentamente pelo meu rosto. Primeiro foram apenas alguns soluços abafados enquanto eu tentava me manter firme, mas logo se transformaram em choros altos e descontrolados.
Agradeci pela escuridão da noite que me ocultava enquanto eu chorava pelo meu casamento que estava começando a ruir, mas, mais do que isso, eu lamentava pela amizade que estávamos perdendo. A linda e altruísta amizade que eu tinha com meu marido.
Dennis, por mais irritado que estivesse, nunca tinha saído de casa me deixando para trás. Nunca levantou a voz para mim. Nunca suportou me ver chorar.
Eu sabia que estava à beira de perder meu melhor amigo, mas não fazia ideia do que fazer. Só me restava liberar essa dor lancinante que apertava meu peito, através das lágrimas que pareciam não ter fim.
Vários carros passaram, mas eu não ligava. Apenas os observava, torcendo para que um deles fosse o do Dennis.
Fiquei ali por muito tempo, chorando até minha voz falhar. Quando olhei à minha frente, não consegui ver nada. Minhas lágrimas haviam embaçado minha visão. Permaneci imóvel, apenas deixando que as lágrimas quentes continuassem a escorrer pelo meu rosto.
Por fim, quando os pios das corujas e o canto dos grilos dominaram a noite, me arrastei para dentro. Minhas mãos tremiam enquanto seguravam a maçaneta e empurrei a porta. Uma vez dentro de casa, subi cambaleando as escadas até o nosso quarto. Caminhei até a cama e me enfiei lentamente debaixo do edredom.
*
Se não fosse pela Amie e pelo bebê que eu carregava, eu não teria feito esforço para sair da cama naquela manhã. Meu corpo parecia pesar uma tonelada e minha cabeça doía terrivelmente. A melhor opção seria ficar deitada o dia inteiro. Mas me obriguei a levantar e tomei um banho longo e preguiçoso. Vesti uma calça de alfaiataria e um blazer, de maneira arrastada.
Soltei um suspiro pesado ao encarar o espelho. Dias como esse, quando a energia te abandonava e nada parecia importar, eram perfeitos para ficar sem maquiagem, mas eu não podia me dar a esse luxo. Meus olhos estavam inchados de tanto chorar à noite. Bastava uma olhada no meu rosto para qualquer um perceber que eu havia chorado por horas. Eu não podia deixar Amie me ver assim.
Peguei o corretivo e apliquei uma quantidade generosa no rosto até que as olheiras sumissem.
Com o coração pesado, peguei minha bolsa no sofá, lancei um último olhar para o quarto e desci as escadas.
Assim que abri a porta da frente, dei de cara com Aiden, com a mão levantada.
Meu olhar desceu lentamente de seu rosto até a mão erguida e depois voltou para o rosto dele.
— Você ia bater? — Balancei a cabeça. Essa não era a pergunta certa. — O que está fazendo aqui?
Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios enquanto ele abaixava a mão e dava um passo para trás.
— Estava só passando. — Respondeu, lançando um olhar breve para trás. Segui seu olhar até o carro estacionado na rua. — Pensei em parar aqui.
Eu queria perguntar como ele sabia onde eu morava, mas isso pouco importava. O que importava era que o que ele fez foi inadequado.
Então disse:
— Agradeço, mas não há necessidade. — Falei, saindo de casa e fechando a porta atrás de mim. Tranquei a porta e me virei para ele. — Sua atitude pode até parecer gentil, mas não seria bem vista por nossos cônjuges. Não é apropriado.
Ele assentiu.
— Claro. — Enfiou as mãos nos bolsos. — O Dennis está em casa?
— Não precisa. Na verdade, estou indo para uma consulta pré-natal.
Suas sobrancelhas se ergueram.
— Sério? Perfeito então. Deixe-me te levar. Posso aproveitar e dar um oi para a Amie também.
Forcei um sorriso. Quem deveria me acompanhar em uma consulta pré-natal era meu marido, não o pai da minha filha.
— Está tudo bem, Aiden. Não precisa. Meu transporte deve chegar em alguns minutos. — Menti. Eu realmente não queria criar mais uma situação que pudesse gerar uma briga entre Dennis e eu.
Ele suspirou.
— Qual é, Ana. Me deixa te acompanhar. A gente combinou que eu estaria presente em todo o processo com a criança. — Deu de ombros, parecendo um pouco frustrado.
— Quer dizer, você não espera que eu simplesmente coloque um bebê em você e desapareça, né?
Pressionei os lábios e franzi a testa. Por que ele falou desse jeito, como se tivéssemos tido uma noite juntos?
— Eu sei, mas...
— Vamos lá, Ana. — A voz dele suavizou ainda mais quando deu um passo à frente. — Bem, só dessa vez.

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