ANASTASIA
Dessa vez, Dennis ficou completamente rígido. Um silêncio tenso pairou no ar antes que ele lentamente se afastasse de mim, suas mãos ainda pousadas levemente na minha cintura. Com a testa franzida, ele perguntou:
— O que você quer dizer com “ele cuidou das contas”?
Ele enfatizou as palavras “cuidou”.
Franzi a testa, confusa.
— Quero dizer que ele pagou as contas do hospital.
— De quem? — Perguntou, enquanto deixava as mãos caírem para os lados.
Uma risadinha nervosa escapou dos meus lábios.
— Da Amie, claro. De quem mais seria?
— Por quê?
Havia um tom cortante em sua voz, que me alertou a agir com cautela.
Comecei devagar:
— Eu não sei, só que...
— Você pediu para ele pagar as contas?
— Eu...
— Anastasia, eu sou o seu marido. Sou eu quem cuida de você e da Amie desde que nos casamos. Tenho pago todas as despesas. Por que pediria ajuda a ele? Eu te disse alguma vez que estava sobrecarregado?
Me encolhi, surpresa com o tom dele. Apesar da voz baixa, era impossível não notar a raiva e a acusação nas entrelinhas.
— Eu não pedi. Eu não pedi para ele fazer isso. — Minha voz saiu trêmula.
— Ah, claro! — Ele bufou e se afastou de vez. Virou de costas para mim, passou as mãos pelos cabelos e apertou a nuca com força.
Caminhei até ele.
— Dennis, você está me ouvindo? Eu não pedi para ele pagar nada. — Insisti. — Fui informada no hospital de que as contas já tinham sido quitadas.
Lembrei de como tinha descoberto. O médico veio checar a Amie e aproveitei para perguntar sobre as despesas, para poder avisar ao Dennis. Ele se virou para mim, franzindo a testa:
— Que contas?
No começo, fiquei surpresa, mas me recuperei rápido.
— As da Amie. Eu queria saber quanto ainda...
Como o tratamento agora era mais intenso, precisávamos pagar mais de duas vezes por mês. Dennis já havia quitado no início do mês e me lembrava vagamente de tê-lo escutado pedindo ao contador para aumentar o orçamento com "as contas do hospital".
— Ah, ué. Já está tudo pago.
Eu ia dizer que não sabia de nada quando uma enfermeira correu até ele, avisando de uma emergência em outro setor. Ele se desculpou e saiu.
Saí para buscar o almoço e, quando voltei, a mesma enfermeira me entregou o recibo do pagamento. "O senhor" havia esquecido de pegá-lo.
A assinatura não era do Dennis. Lembrava do brilho curioso nos olhos da enfermeira quando comentou:
— Não foi o pai da Amie, foi o outro homem.
— Então você simplesmente concluiu que era o Aiden?
Dennis me arrancou do devaneio com a pergunta.
— Eu fiquei surpresa. Só soube quando perguntei à enfermeira e ela me descreveu quem fez o pagamento.
— E, deixa eu adivinhar, a descrição não era minha, né?
Ele rebateu com aspereza, se afastando ainda mais.
— Agora eu sou um mentiroso também? Não faço o bastante, sou um estranho e agora sou um mentiroso! Ótimo! — E saiu pela porta.
— Dennis, por favor, me escuta!
Ele se virou furioso.
— O quê? O que mais você quer me acusar?
Minhas palavras vacilaram.
— Por que você ficou tão irritado só porque o Aiden pagou as contas?
Ele bufou, indignado.
— Você está falando sério?
— Eu...
— Anastasia, você é minha esposa! A Amie é minha enteada. Eu não quero outro homem cuidando de vocês. — Seu rosto se contorceu em desgosto. — Ou pagando contas só porque ele resolveu aparecer nas nossas vidas. Ele não tinha o direito de fazer isso.
— Mas a Amie é filha dele. — Sussurrei.
Ele congelou, me encarando com uma expressão vazia.
— Entendi. — Murmurou e caminhou direto para o carro.
Corri atrás dele.
— Dennis, por favor, vamos conversar.
— Dennis!
Meu coração se despedaçou enquanto eu o via partir em alta velocidade.

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