AIDEN
Meu olhar percorreu seu corpo. Não havia sangue em suas mãos nem em nenhuma parte do seu corpo. Embora sua cabeça estivesse abaixada, seus ombros não tremiam de tanto chorar. Soltei um suspiro de alívio e agradeci a Deus por ela estar fisicamente bem, enquanto meu olhar varria o quarto.
Eu não sabia o que esperava, mas fiquei aliviado por não haver nenhum perigo físico à espreita... Ou será que havia?
— Sharon? — Chamei enquanto caminhava mais para dentro do quarto. — Você está bem?
Enquanto falava, me joguei na cama ao lado dela.
Ela finalmente levantou a cabeça do papel que segurava nas mãos. Não consegui decifrar a expressão no rosto dela enquanto me entregava o papel sem dizer uma palavra.
— O que é isso? — Perguntei, arqueando as sobrancelhas, meu olhar estava fixo no rosto dela enquanto pegava o papel.
— Não estava me sentindo bem no trabalho. Fui ao hospital, fiz um exame e esse é o resultado. — Ela disse de forma curta, sem emoção.
Meus olhos percorriam seu rosto e perguntei de novo:
— Você está bem?
Ela assentiu. Mas eu não conseguia deixar de me perguntar se ela tinha contraído alguma doença.
“Deus, por favor, que ela não tenha sido diagnosticada com nenhuma enfermidade.”, eu rezei em meu coração.
Me concentrei no papel e comecei a ler o que estava escrito. No próximo instante, pisquei, surpreso.
— Você está grávida! — Disse, depois olhei novamente o conteúdo no papel, para ter certeza de que não estava interpretando errado.
— O quê? Você não está feliz?
Olhei rapidamente para cima, com uma expressão suave de sobrancelhas franzidas.
— Por que você diz isso, Sharon?
Ela deu de ombros e desviou o olhar.
Coloquei um sorriso no rosto e passei meu braço pelos ombros dela, puxando-a para mais perto de mim.
— Você está carregando meu filho. — Olhei para ela, meus olhos caíram brevemente sobre sua barriga. — Claro que estou feliz.
E por anos a fio, ou pelo menos foi assim que pareceu, o rosto de Sharon se abriu em um enorme sorriso. Mas logo ela fez um biquinho e franziu levemente as sobrancelhas.
— Tem certeza? Quero dizer...
— Shh. — Enlacei sua cintura com a outra mão e a puxei para meu abraço. — Você não deve se preocupar com nada. Você é minha esposa, e estou feliz que esteja esperando nosso filho.
Ela assentiu e envolveu os braços ao meu redor. Ouvi seu suspiro. Então, em uma voz pequena, ela disse:
— Quando te liguei... Achei que não viria.
— Por que pensou isso?
Ela hesitou e depois deu de ombros.
— Não sei, talvez você estivesse ocupado com o trabalho.
— Você se preocupa demais, amor. Não importa com quem eu esteja ou o que eu esteja fazendo, se você me chamar, eu venho. Sempre.
Ela não disse nada, apenas apertou mais o abraço. Depois, suspirou:
— Estou tão feliz, Aiden. Sempre sonhei com isso.
Respondi com um beijo em sua têmpora.
Eu estava feliz por ver ela feliz. Havia muito tempo que Sharon não sorria desde que decidi seguir adiante com o procedimento para termos um filho salva-vidas para Amie. Na verdade, nada conseguia fazer ela sorrir, pelo menos na minha frente.
Então, aquilo era bom. Tinha que ser.
Eu teria um filho e, daquela vez, estaria presente em cada etapa, até o momento em que a criança viesse ao mundo e começasse a crescer. Aquele pensamento me animava. Era fácil me imaginar indo com ela às consultas médicas.
Mas por que eu sentia... Vazio?


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