POV DO AUTOR
“Era para acontecer.”
Essas eram as palavras que Sharon repetia para si mesma, tentando sufocar a culpa crescente.
Muitas vezes, ela pensava que teria sido melhor ter contado a verdade sobre a gravidez e lidar com as consequências. Estar com Aiden não valia aquele peso, aquele buraco escuro e sem fundo em que estava afundando.
Agora que se aproximava da data falsa do parto, Aiden estava mais carinhoso com ela. Eles estavam mais próximos do que nunca. Às vezes, Sharon se perguntava se era a morte da pobre menina que havia causado essa mudança.
Seja lá o que fosse, não valia a pena, porque ela não estava feliz. Tinha tudo o que sempre quisera: a atenção total de Aiden. Ou tão total quanto poderia ser, com ele se enfiando cada vez mais na investigação.
Sempre que Aiden não estava com Sharon, ajudando-a a preparar uma refeição, entregando as comidas que havia pedido ou limpando a casa, já que ela não queria mais a empregada, ele estava na delegacia, tentando resolver o caso de Amie, sem perceber que a resposta estava bem debaixo do próprio teto.
Agora, Sharon não apenas lutava com a culpa pela sua participação na morte de Amie, como também não tinha paz.
Nunca em sua vida Sharon tinha tido pesadelos. Mas agora, eles se tornaram constantes. Amie estava sempre neles, chorando e perguntando por que Sharon a havia matado. Então Aiden surgia, os olhos cheios de incredulidade, antes de balançar a cabeça, arrancar a barriga falsa dela e jogá-la em um poço fundo e escuro, repleto de versões furiosas de Amie e Ana.
Ela vivia com medo de dormir. Sempre que Aiden dormia em casa, Sharon precisava fingir que estava bem, inventar desculpas sobre por que não conseguia dormir ou por que acordava sobressaltada.
Na verdade, já sabia que estava enlouquecendo.
Às vezes, nos sonhos, Tabitha — que ela ainda não conseguira localizar — aparecia no topo do poço em que Aiden a jogava, e as risadas dela ecoavam até Sharon.
***
— Sharon? — ela se sobressaltou ao ouvir seu nome.
Fechou os olhos e respirou fundo.
— Aiden... quando você chegou?
E como eu não te vi chegar? Foi o pensamento imediato.
Essa já era quase uma rotina. Com o rumo da investigação, Sharon temia que sua participação logo fosse descoberta. Então, todos os dias, próximo do horário em que Aiden costumava chegar, ela ia até a janela para ver se ele viria com a polícia, se traria uma arma ou algemas. Não que tivesse um plano caso isso acontecesse, mas sempre se pegava parada ali.
— Agora há pouco — Aiden respondeu, franzindo a testa ao observá-la, notando como suas mãos agarravam firmemente a cortina. — Como não me viu chegar se estava aqui?
Ele se inclinou e olhou pela janela. Talvez ela tivesse visto outra coisa. Mas tudo o que Aiden enxergava era a entrada da garagem e os carros.
Sharon lambeu os lábios e se afastou alguns passos dele.
— Me distraí.
Com o quê?, Aiden se perguntou.
— E o que estava fazendo aí?


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