DENNIS
Após algumas semanas, quando não ouvi mais nenhum som vindo do quarto da Amie, soube que algo estava errado.
Não hesitei em forçar a porta e, quando consegui abri-la, a encontrei inconsciente. Ao seu redor, havia garrafas de água e tanto fast food que logo suspeitei que ela devia ter saído escondida à noite para comprar tudo aquilo enquanto eu dormia. Também havia farelos de torradas e caixas de pizza — as mesmas que eu vinha empurrando por debaixo da porta. Mas, ao que parecia, não tinham sido suficientes.
Corri, peguei-a nos braços, coloquei Justin na cadeirinha do carro e fui direto para o hospital.
Cerca de uma hora depois de ela ter sido levada para atendimento, o médico apareceu.
— Ela teve muita sorte de você tê-la trazido a tempo.
Passei as mãos pelo rosto, aliviado, grato por não estar ouvindo mais um anúncio de morte.
— No momento, ela apresenta desidratação severa, hipoglicemia e sinais de sobrecarga nos órgãos. Se tivesse demorado mais, estaríamos falando de exaustão extrema, falência de órgãos e até possíveis traumas psicológicos graves.
A única coisa que consegui pensar foi: Eu devia ter arrombado essa porta antes. Devia tê-la tirado de lá à força e feito ela se alimentar. Achei que ela só precisava de um tempo sozinha para processar o luto.
— Ela vai precisar ficar aqui por alguns dias — continuou o médico. — Vamos tratar a desidratação, estabilizar os eletrólitos e monitorar eventuais danos aos órgãos.
Foi então que Justin soltou um murmúrio no bebê conforto preso ao meu peito. Olhei para baixo e o vi acordado.
— Obrigado, doutor — agradeci, e seguimos até a sala dele, onde recebi mais detalhes sobre a internação da Ana e as instruções necessárias.
***
Depois de uma semana, Amie voltou para casa. Nos primeiros dias após a alta, parecia bem. Ela chegou até a sorrir algumas vezes, comeu melhor, bebeu bastante água.
Eu respirei aliviado, achando que ela estava se recuperando. Mas tudo mudou no dia em que a peguei tentando engolir um punhado de comprimidos.
Eu havia saído apenas por alguns minutos para buscar o almoço que tinha pedido.
— Ana! — gritei, correndo em sua direção. Bati em sua mão, derrubando os comprimidos no chão. — Ana, por que você está fazendo isso?
Mas ela nem me escutava. Caiu no chão, apressada, recolhendo os comprimidos e colocando o que conseguia na boca.
Arranquei-os de sua boca e ela me empurrou com força.
— Me solta! Me deixa em paz! — ela gritou na minha cara. — Fica longe de mim!
Fiquei paralisado, encarando-a. E foi nesse momento que percebi: nada tinha melhorado.
Ela teve um surto, jogando coisas contra mim e contra as paredes enquanto gritava. Depois, encolheu-se no canto do quarto, tremendo enquanto chorava.
A partir daquele dia, ela parou de tentar melhorar. Chorava o dia inteiro e jogava a comida no chão.
Diversas vezes a encontrei rindo sozinha ou conversando com ninguém. E, sempre que eu me fazia notar, ela me olhava e dizia entre risadas:
— A Amie é tão engraçada.
Outras vezes, lágrimas rolavam pelo seu rosto.
— A Amie está tão triste. Ela está infeliz. Vamos até ela. Vamos levar o Justin e ir ficar com ela.
Na segunda vez, encontrei-a com uma faca na mão, tentando cortar o próprio braço. Por sorte, usava o lado cego da lâmina.
Tirei a faca das mãos dela e, mais uma vez, ela explodiu. Era como um padrão. Se não gritasse comigo, gritava com os sequestradores de Amie em sua cabeça.
— Me deixa em paz, seu desgraçado! — ela berrava. — Já que você não ama a Amie, eu amo. Eu quero vê-la de novo e ficar com ela para sempre!


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