— Ela já teve um filho? — Pensei comigo mesma, sentindo meu corpo enrijecer um pouco. Certamente não esperava por essa revelação.
Quando isso poderia ter acontecido? Teria sido durante aqueles três intermináveis anos em que ela havia desaparecido sem deixar rastros? Apesar da avalanche de perguntas que surgiram em minha mente, me esforcei para manter a compostura, controlando minha expressão até que parecesse uma completa indiferença.
Concentrei-me nas quase invisíveis ondulações que se formavam na superfície do meu café enquanto eu mexia o líquido quente lentamente.
— Eu não quero ouvir isso. — Declarei em um tom frio e indiferente.
Para ser sincera, eu realmente não tinha interesse em ouvir histórias sobre o passado sombrio dela, embora, em algum momento, eu já tivesse me importado. Mas, afinal, que propósito serviria reviver todas essas memórias agora?
Ao fundo do café, os sons de vozes e o tilintar de talheres pareciam ecos distantes, quase apagados, enquanto o olhar de Bella me perfurava como pregos. Seus dedos se fecharam ao redor de sua xícara, e ela tomou um gole vagarosamente antes de revirar os olhos.
— Eu vou te contar de qualquer forma. — Ela deu de ombros.
Eu apenas imitei seu gesto e tomei um gole do meu café, desviando o olhar para a vista do lado de fora da janela do café. Tentei me perder na agitação da cidade, na esperança de que Bella entendesse a dica e me poupasse dos detalhes sórdidos da sua história.
— Isaac me enganou para fugir com ele para o exterior e, pouco tempo depois, descobri que estava grávida.
Por fora, mantive a expressão impassível, mas, por dentro, uma curiosidade mórbida me fez prestar atenção em cada palavra que saía de sua boca.
— Nós dois vivíamos em um aluguel miserável que chamávamos de lar. Eu tive que sobreviver com uma comida horrível... horrível mesmo, eu te digo. Mas, apesar das dificuldades, eu ainda me sentia feliz e orgulhosa. — Ela parecia agora olhar para um ponto distante atrás de mim. — Por saber que eu havia escapado corajosamente das amarras dos planos da nossa família e assumido o controle do meu próprio destino, sem deixar ninguém ditar o rumo da minha vida ou do meu futuro.
Ela franziu a testa, como se estivesse revivendo o momento.
—... Comecei a sangrar imediatamente após ter caído, sem forças para me levantar, precisando de ajuda urgente, mas ele nem sequer olhou para trás. Ele simplesmente foi embora! — Ela gesticulou no ar, imitando o ato de alguém se afastando.
— Quando os vizinhos finalmente me encontraram, eu já estava inconsciente. E quando recuperei a consciência, estava deitada em uma mesa de cirurgia, completamente fraca. Mas o pesadelo não havia acabado: os médicos me disseram que o bebê dentro de mim havia morrido, e eu ainda precisava dar à luz o feto morto para salvar minha própria vida.
Um nó se formou em minha garganta ao ouvir Bella descrever o sofrimento excruciante do parto prolongado, já que o natimorto não conseguia se mover pelo canal de parto sozinho.
— Como qualquer mãe, passei por um trabalho de parto longo e doloroso, ainda mais demorado porque um feto morto não se movimenta pelo canal de parto. Eu havia acabado de me tornar mãe... e imediatamente perdi meu filho. — Ela sussurrou, e vi seus dedos se apertarem ainda mais ao redor da xícara, como se a qualquer momento ela fosse quebrá-la em pedaços.

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