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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 203

Atônito com o que acabava de ouvir, Noah deu um passo à frente, confuso.

— Como assim…? — perguntou, tentando encontrar alguma lógica naquele afastamento repentino. — A Luana precisa passar por profissionais que possam ajudá-la no trauma que passou.

Virando-se devagar, Marta o encarou em silêncio. Seus olhos, cansados de chorar, fixaram-se no rapaz alto, de aparência séria, que a encarava com os olhos vermelhos.

— Esqueça tudo o que eu te disse naquela sala, Noah — disse com firmeza, olhando-o nos olhos. — Tudo mesmo. Aquelas palavras foram ditas no impulso de uma emoção… e de um engano.

Ele franziu o cenho, sem entender.

— Eu gostei de saber que tenho um sobrinho — ela continuou. — E sim, é reconfortante ver que, apesar da má índole da sua mãe, você é um bom rapaz. Corajoso, decente. Mas isso… — sua expressão endureceu ainda mais — não muda o passado. Nem apaga o que foi feito.

Com os olhos marejados, Marta continua:

— Eu não quero e nem devo manter qualquer contato com você. E minha filha também não deve. Já passou da hora de enterrarmos tudo isso. O que você precisa agora é seguir sua vida. E o que eu preciso… é proteger a minha filha.

Fez uma breve pausa, respirando fundo, antes de concluir com um tom definitivo:

— Assim que Luana estiver bem o suficiente para viajar, vamos pegar um avião e ir embora. Para sempre. Sinto muito por todo o transtorno que causamos na vida de vocês.

Percebendo que Noah queria protestar em algo, Oliver segurou a mão dele e o encarou com seriedade, dando um passo à frente e assumindo a palavra.

— Senhora — disse educadamente —, o hospital já está totalmente pago. Também deixamos um valor em caução para quaisquer despesas adicionais. A estadia da senhora e de sua filha aqui também foi providenciada por nós, assim como as passagens de volta.

Em silêncio, Marta o olhava e assentia com tudo.

— Faremos o possível — continuou Oliver — para garantir que aquele homem permaneça atrás das grades e bem longe da sua filha. Sinceramente, espero que ela se recupere logo… e que vocês voltem para casa em segurança.

— Obrigada por tudo, senhor — respondeu Marta, com um aceno sutil. — Agora, por favor, leve o seu filho para casa. Ajude-o a descansar… e não falo apenas do corpo, mas da mente também.

Se aproximando de Noah, ela tocou a sua mão com delicadeza e disparou.

— Adeus, Noah, que você continue sendo correto, como o seu pai.

Ela não disse mais nada. Virou-se e voltou a caminhar lentamente pelo corredor, deixando atrás de si um silêncio denso e um Noah parado e confuso.

— Vamos para casa, filho — disse Oliver, pousando uma mão firme sobre o ombro do rapaz. — No fim, tudo acabou bem.

— Mas, pai…

— Nada de “mas”, Noah. Você ouviu o que aquela senhora disse.

Noah assentiu com um leve movimento de cabeça, mas ainda havia inquietação em seu olhar.

— Eu só não entendo… — murmurou. — Como a mãe da Luana mudou assim de ideia? No quarto, ela parecia outra pessoa. E agora… é como se quisesse nos apagar da história.

Saulo, que acompanhava tudo em silêncio até então, cruzou os braços e disse com calma:

— Você é maravilhosa, Elisa. Eu sou mesmo um cara de sorte por ter você.

No estacionamento, ela se despediu dos pais com um beijo no rosto de Saulo.

— Eu vou ficar com o Noah mais um pouco, papai. Mais tarde volto para casa — explicou com naturalidade.

Saulo lançou um olhar meio contrariado, como quem ponderava se devia ou não contrariá-la, mas resolveu não insistir. Sabia que, se o fizesse, a filha retrucaria até o vencer pelo cansaço.

— Tudo bem… — murmurou, virando-se então para Aurora e Oliver. — Mas é melhor vocês dois ficarem de olho nesses dois aí.

— Pode deixar, a gente cuida deles — Aurora respondeu com um sorriso maroto.

Cada um seguiu para o próprio carro e foram para casa.

Já na fazenda, Noah e Oliver subiram para seus respectivos quartos para um banho merecido, enquanto Elisa e Aurora foram para a cozinha improvisar algo leve para os homens comerem.

Enquanto preparavam os sanduíches, Aurora se aproximou da nora com um sorriso cúmplice no rosto.

— Eu vou subir e ficar com o Oliver no quarto — disse em voz baixa. — E vou deixar você e o Noah a sós… Mas, Elisa — completou, com uma sobrancelha arqueada — não me faça me arrepender disso, hein?

— Tudo bem, sogrinha — respondeu Elisa, sorrindo de canto. — Eu e o Noah sabemos nos comportar muito bem.

Aurora riu baixinho, balançou a cabeça e desapareceu pelo corredor, deixando a jovem sozinha com o coração batendo mais rápido, não de nervoso, mas de expectativa.

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