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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 202

Surpresa com o que acabava de ouvir, Marta arregalou os olhos, como se tivesse sido atingida por um raio em pleno peito.

— O que você está dizendo, menina? — perguntou, quase sem fôlego.

— É a verdade, mãe — respondeu Luana, com a voz baixa e trêmula. — Eu percebi que aquele homem me olhava muito no avião. E... por mais errado que pareça agora, eu gostei da atenção. Me senti vista. E acabei provocando-o. Eu só queria… me distrair do que havia acontecido na fazenda e pensei que tudo aquilo acabaria assim que eu descesse do avião. No entanto, nunca imaginei que um senhor como ele fosse perigoso.

Fez uma pausa, como se reviver cada detalhe fosse um peso enorme.

— Eu não sabia que ele conhecia a tia Liana, não sabia de nada. Quando desembarquei, eu não o vi mais e continuei o meu caminho até que notei que ele começou a me seguir. No começo, achei que foi pelas minhas invertidas no voo… mas logo ficou claro que não era. Ele veio atrás de mim, mãe. Me seguiu, me encurralou. E quando tentei me afastar, já era tarde demais.

Marta permaneceu em silêncio por alguns segundos, processando cada palavra como se estivesse ouvindo uma língua estrangeira. A expressão dela oscilava entre choque, indignação e um desapontamento profundo com a filha.

— Meu Deus, Luana… — sussurrou, com as mãos trêmulas. — Você… você se colocou em perigo, minha filha. Como uma jovem tão bonita como você pode se insinuar para um homem daquela idade?

— Me desculpa, mãe — fala, começando a chorar. — Na hora foi divertido ver as expressões que ele fazia, eu nunca pensei que isso chegaria a tal ponto.

— Ai, minha filha — Marta suspira, passando a mão na cabeça, visivelmente desapontada. — Eu não acredito que você fez isso.

— Eu fui ingênua — murmurou a filha, com lágrimas escorrendo pelo rosto. — Acha que eu não me culpo? Acha que é fácil saber que a dor que estou sentindo foi, em parte, por uma escolha inconsequente minha?

— Eu queria que você fosse apenas parecida na aparência com a minha irmã, mas o seu gênio é como o dela… — murmura, mais para si do que para a filha. — O que faço para tentar te livrar do mesmo destino que a sua tia?

Luana soltou um soluço contido e estendeu a mão para a mãe, que a segurou imediatamente.

— Prometo que nunca mais faço isso, mãe. Eu aprendi a lição — confessa. — Mãe… eu só queria ser honesta. Eu precisava que você soubesse a verdade.

— Espero mesmo que tenha aprendido, filha, porque se não… eu não sei se terá uma segunda chance novamente.

— Eu só quero ir para casa — Luana revela. — Mas… antes de tudo, não quero que culpe o Noah.

— Mas…

— Ele não teve culpa de nada — Luana se apressou em dizer, interrompendo a mãe antes que continuasse. — Foi ele quem me defendeu… e eu… eu é que fiz tudo errado. Comecei lá mesmo, na casa dele e depois…

Marta franziu o cenho, sentindo um gosto amargo na boca.

— Na casa dele? — repetiu, incrédula. — Luana, pelo amor de Deus, não me diga que você… — pondera. — Que você deu em cima do pai dele?

A pergunta veio como um choque. Marta a encarava como se mal reconhecesse a filha.

Envergonhada, ela disparou.

Noah se virou imediatamente ao reconhecer a voz. Seus olhos estavam atentos, quase apreensivos.

— Precisa de alguma coisa, dona Marta? — perguntou, com respeito.

O homem ao lado dele a observou por um instante, depois deu um passo à frente.

— Essa é a mãe da Luana? — perguntou, com a voz grave.

— Sim — confirmou Noah.

— Muito prazer, senhora. Sou Oliver — disse ele, estendendo a mão. — Só queria dizer que sinto muito pelo que aconteceu com a sua filha. De verdade.

Marta hesitou por um instante, sentindo um nó na garganta. Ainda que envergonhada pelas últimas revelações de Luana, correspondeu ao gesto e apertou a mão dele.

— Eu só vim dizer que a minha filha vai ficar bem — falou com firmeza, apesar da fragilidade que ainda sentia. — E que, a partir de agora, eu mesma vou tomar as rédeas da situação.

Fez uma breve pausa, depois completou:

— Agradeço sinceramente por tudo o que fizeram até aqui. Mas agora… podem ir. Não precisaremos mais de vocês.

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