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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 205

Enquanto caminhava pela pista que levava até sua casa — uma estrada bem iluminada, apesar de isolada — chutava com força algumas pedrinhas que encontrava pelo caminho.

— Ai, que raiva! — resmungou, bufando alto. — A gente tinha a oportunidade perfeita… e ele resolveu bancar o puritano justo agora?

Cruzando os braços, contrariada, enquanto o vento da noite bagunçava os fios soltos de seu cabelo. Seu rosto alternava entre frustração e decepção.

— Será que ele realmente me deseja como diz? — murmurou, sentindo o coração apertar no peito. — Ou será que ainda não sou atraente o suficiente?

Por mais que tentasse compreender o lado de Noah, não conseguia disfarçar a ferida que aquilo havia deixado. Sentia-se rejeitada. E essa sensação era como uma farpa invisível que insistia em incomodar.

Ao longe, viu a luz acesa da varanda de sua casa. Respirou fundo, enxugando os olhos antes que qualquer lágrima caísse, e apressou o passo, decidida a não deixar que ninguém percebesse o quanto aquela noite, que prometia ser especial, acabou deixando um gosto amargo.

Quando chegou em frente à sua casa, diminuiu o passo. Na varanda, a luz amarelada da luminária revelou uma figura familiar: Eloá estava deitada na rede, balançando suavemente, com os olhos fixos no céu. Seu corpo estava ali, mas sua mente parecia vagar bem longe.

Antes de subir os degraus da varanda, a observou por alguns segundos.

— Isso é hora de estar acordada? — perguntou baixinho, tentando não a assustar.

Eloá piscou devagar, como se despertasse de um transe, e virou o rosto na direção da irmã.

— Estava só olhando as estrelas — respondeu, com um tom sereno, mas distante. — Às vezes parece que elas entendem mais a gente do que as pessoas.

Notando o quanto a irmã parecia meio reflexiva, Elisa decidiu se sentar no batente da varanda, apoiando os cotovelos nos joelhos.

— Acho que você tem razão — confessou, com um suspiro.

— Brigou com o Noah? — Eloá perguntou, percebendo que a irmã parecia triste.

— Não foi bem uma briga… mas foi frustrante — admitiu, passando as mãos pelo rosto. — Estava tudo tão perfeito, e ele simplesmente… travou.

Eloá fez um som de entendimento. Apenas balançou a rede devagar, voltando a olhar para o céu.

— Os homens têm um talento incrível para estragar o que tem tudo para ir bem — murmurou, meio irônica.

— Ele disse que quer respeitar o papai, manter a promessa… eu entendo, de verdade. Mas dói mesmo assim.

— Entender não é o mesmo que aceitar sem se magoar — disse Eloá, agora olhando diretamente para a irmã.

— Às vezes, eu acho que estou querendo demais — Elisa continuou, com os olhos fixos na escuridão adiante. — Como se eu esperasse que tudo fosse se encaixar perfeitamente… mas aí vem a vida e mostra que não é tão simples assim.

— Você não está querendo demais — Eloá respondeu, firme. — Só está querendo ser feliz. Isso não é errado.

— Mas e se eu estragar tudo com a minha pressa? — perguntou, baixinho. — E se ele cansar? E se…

— Ei — Eloá a interrompeu. — O Noah é completamente apaixonado por você. Eu tenho certeza de que ele moveria montanhas se você pedisse.

— Eu sei… — Elisa suspirou. — E talvez por isso eu me sinta mal por não ter sido tão compreensiva hoje.

— Você ficou chateada, é normal. Você passou por muita coisa. Só precisa lembrar que amar também é aprender a esperar o tempo do outro.

— É que… quando ele me segurou, quando me olhou daquele jeito… eu senti tanto amor que parecia que o mundo podia parar ali.

Os olhos de Elisa ganharam um novo brilho. Sem dizer nada, se levantou devagar e se sentou ao lado da irmã na rede, a abraçando.

— Você acabou de salvar a minha noite.

— Fico feliz em ajudar, pelo menos nisso — sorriu, mas havia algo em seu olhar que não acompanhava o sorriso.

Elisa percebeu.

— E você? Está tudo bem?

Ela hesitou. Seus olhos voltaram a fitar o céu, como se buscassem coragem entre as estrelas.

— Sinceramente? Não… mas eu sei que daqui a alguns dias vai ficar.

O olhar que estava distante agora pareceu vacilar.

— Às vezes, eu me sinto meio invisível, sabe? Tá todo mundo girando em torno de coisas importantes, vivendo grandes histórias… e eu aqui, parada, esperando que algo aconteça comigo também.

— Você não está invisível para mim — Elisa disse, apertando sua mão. — Quer conversar?

— Não hoje… só fica aqui comigo mais um pouco — pediu, num sussurro.

As duas permaneceram abraçadas na rede, ouvindo o som calmo da noite. Às vezes, não era preciso muito para confortar. Apenas estar ali, presente, dividindo o silêncio com alguém que entendia sem precisar de explicações já era o suficiente.

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