A revelação caiu como uma bomba no meio da comemoração. Por um momento, o tempo pareceu parar. As conversas cessaram, os sorrisos congelaram, e todos se entreolharam, confusos com o que Eloá, que ainda permanecia de pé no centro, havia acabado de falar.
Denise se aproximou devagar, com os olhos arregalados, a boca entreaberta, como se procurasse palavras que simplesmente não vinham. Já Saulo permanecia imóvel, com o olhar cravado na filha, tentando compreender o real peso do que acabava de ouvir.
— Como assim, no exterior? — ele perguntou, rompendo o silêncio com a voz baixa e incrédula. — Você nunca disse que tinha vontade de estudar fora, filha.
Eloá assentiu levemente, respirando fundo antes de responder.
— Sim, o senhor tem razão… Eu nunca havia pensado nisso antes, mas… a vida é imprevisível, não é? E com o tempo, eu fui percebendo que lá fora terei mais chances de expandir meu conhecimento. Yale não é apenas um sonho, é uma porta que se abriu e que eu não posso ignorar.
— Mas você vai ficar longe da sua família… — disse Saulo, como se ainda tentasse digerir a ideia.
— São apenas quatro anos — revelou, quase num sussurro.
— Quatro anos? — Dessa vez, foi Elisa quem se manifestou, incrédula. — Eloá, você nunca passou mais do que uma semana longe da gente.
— Eu sei… — respondeu com a voz vacilante. — Mas agora é diferente. É necessário.
Enquanto falava, seus olhos vagaram involuntariamente até Henri, que permanecia parado no mesmo lugar onde haviam conversado instantes antes. Ele a observava com um semblante indecifrável, e aquilo a incomodava mais do que gostaria de admitir. Era como se tentasse encontrar ali, naquela troca silenciosa, algum sinal de sentimento… mas ele parecia inalcançável e frio.
Engolindo em seco, ela volta o olhar novamente para os pais.
— Eu não queria contar assim, no meio de uma festa, mas… é a vida, não é? — respirou fundo, tentando controlar a voz e não cair no choro. — Estou crescendo e preciso pensar no meu futuro. Amo vocês, amo esse lugar… mas eu preciso encontrar o meu lugar no mundo.
Por alguns segundos, o silêncio voltou a dominar o ambiente. Até que Denise se aproximou, com os olhos marejados, e segurou a mão da filha.
— Filha… — ela começou com a voz baixa, como quem escolhe cada palavra com cuidado. — O seu lugar no mundo é ao lado da sua família. Você pertence a esse chão, a essas pessoas que te amam…
Eloá baixou os olhos.
— Todos aqui torcemos por você, torcemos de verdade. E ninguém duvida da sua capacidade. Você é inteligente, dedicada, determinada… Você não precisa ir tão longe para realizar um sonho.
— Talvez eu precise, mãe — Eloá sussurrou, levantando o olhar. — Eu não quero só ajudar na empresa, eu quero ser alguém que entende o mundo. Quero conhecer outras culturas, aprender com pessoas diferentes, sair dessa bolha que me protege, mas também me limita.
Ninguém sabia o que dizer.
— Eu também estou sofrendo com isso, que droga! — disparou. — Se não me apoiam, pelo menos não me façam sentir pior do que já estou sentindo!
As palavras cortaram o ar como um grito engasgado, e antes que alguém consiga reagir, ela se vira e sai correndo. Passa pela área externa, pelas mãos estendidas de Elisa, pelos convidados, até pelo olhar confuso de Henri. Tudo estava embaçado pelas lágrimas que agora desciam sem freio.
— Eloá, filha! — Saulo chama, saindo atrás dela. Mas a garota já estava longe, a passos rápidos e decididos, guiada apenas pelo impulso de fugir de tudo.
Denise leva a mão à boca, sem saber se corre também ou se tenta acalmar os demais. Atônita, Elisa permanece parada no meio da roda, sentindo a culpa pesar como uma âncora.
Oliver, ao fundo, se aproxima devagar de Saulo.
— Deixe que ela vá — disse com empatia. — Às vezes, a gente precisa de um pouco de silêncio para organizar o que sente. E vocês também. Sei que não é fácil aceitar certas decisões, principalmente quando vêm dos nossos filhos, mas é preciso lembrar que eles não são mais crianças… e que esse dia, inevitavelmente, chegaria.
Saulo respirou fundo, os olhos marejados denunciavam o furacão em seu peito.
— Você tem razão — murmurou, tentando conter as lágrimas que ameaçavam cair. — Assim que ela voltar, eu vou conversar com mais calma. Ela tem direito de escolher o que quer da vida.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...