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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 217

Depois que orientou os funcionários sobre o almoço, Aurora percebeu que o marido estava encostado perto da varanda, observando-a em silêncio. Seus olhos a seguiam com uma atenção redobrada.

Ela se aproximou dele e arqueou uma sobrancelha.

— O que foi agora, amor? Por que está me olhando desse jeito?

— Nada — ele respondeu, desviando o olhar. — Só estou pensando.

— Pensando no quê?

— Que o Saulo deve estar bem feliz nesse momento.

— Ah, com certeza — ela assentiu. — Acho que ele nem sonhava com essa surpresa.

— Realmente — ele concordou, mas logo ficou em silêncio outra vez, com o olhar distante.

Desconfiada, o encarou de lado. Ela sabia muito bem quando ele estava remoendo alguma coisa por dentro. Oliver era mais de falar do que pensar, mas naquele momento, não parecia assim…

— O que foi agora? — ela insistiu. — Pode me falar, eu aguento.

Ele soltou o ar devagar, como se ponderasse se devia ou não abrir o jogo.

— É que agora com a Denise grávida — começou, pausando por um segundo —, eu fico imaginando. Você também poderia engravidar, não acha?

Aurora arregalou os olhos, quase rindo de incredulidade.

— O quê?

— Ué, por que não? — ele deu de ombros. — A gente tem três meninos lindos… mas você mesma disse um dia que queria tentar ter meninas.

Ela cruzou os braços, tentando conter o riso.

— Oliver, e a minha idade?

— E daí? Você está maravilhosa e ainda é mais nova que a Denise — disse com naturalidade.

Ela bufou, tentando disfarçar o rubor no rosto.

— Acho que você está assim devido à emoção do dia, certeza.

— Não é não! — rebateu.

— Sério?

— Sim — confessou um pouco tímido. — Tenho pensado nisso já faz um tempo.

— E por que nunca me disse nada?

— Porque eu nunca quis atrapalhar a sua vida, você sabe — revelou.

— Amor, o que está dizendo? — perguntou, se aproximando mais dele. — Você nunca atrapalhou a minha vida.

— Eu sei, é que… — ele ponderou. — Você teve os gêmeos quando era tão nova e teve que enfrentar tantas coisas, que depois deles nascerem, tudo o que eu quis foi que você vivesse a sua vida. Fizesse a sua faculdade, trabalhasse no que sonhava… Conforme o tempo foi passando, fui vendo o quanto estava feliz no trabalho, em casa… que não tive coragem de tocar no assunto.

Ela ficou em silêncio por alguns segundos, apenas observando o marido se abrir daquele jeito. Mesmo depois de tantos anos de convivência, sabia que Oliver ainda carregava certa dificuldade em expressar seus desejos mais profundos. Quando o fazia, era porque vinha mesmo do coração.

Com um sorriso sereno, ela se aproximou, apoiando a cabeça contra o peito dele.

— Você tem razão — murmurou com doçura. — Depois que os gêmeos nasceram, você foi o meu maior incentivador. Me ajudou em tudo, segurou as pontas para que eu pudesse voltar a estudar, conquistar minha profissão, crescer. Graças a você, eu me realizei em muitas coisas…

Ela então se afastou levemente, apenas o suficiente para encará-lo nos olhos.

— Mas também tem algo que me realiza profundamente… te ver feliz. Amo fazer as suas vontades, até aquelas mais simples — confessou com um sorriso suave.

Oliver franziu o cenho, confuso e curioso.

— O que está querendo dizer com isso?

Aurora respirou fundo, como quem carregava um segredo há dias.

— Estou dizendo… que essa ideia sobre filhos não passou só pela sua cabeça.

Os olhos dele brilharam na mesma hora, como se uma luz tivesse se acendido dentro dele. E então, ela completou, com um olhar cheio de significado:

— E só para avisar… talvez eu não volte para casa hoje — completou, já se afastando em direção à porta.

— Alice… — Oliver a chamou, num tom mais sério e protetor.

— Não se preocupe comigo, tio. Vou ficar bem. Eu e o Caio já namoramos há quase dois anos.

— É por isso mesmo que me preocupo — retrucou. — Vocês apenas namoram. E, na minha opinião, não deviam dormir juntos antes do casamento.

— Ai, quem vê assim até pensa que vocês esperaram o casamento, né? — provocou Alice com um sorriso travesso, encarando a irmã.

Aurora arregalou os olhos, entreabriu a boca e corou até as orelhas.

— Como ousa?! — perguntou, semicerrando os olhos.

— Relaxa! — riu. — Eu só estou brincando. Só queria lembrar que não sou mais uma menininha, tudo bem?

— Mas só para avisar — Oliver interveio. — Depois quero ter uma conversinha com o Caio. Esse namoro de vocês já está demorando até demais. No mínimo, era para estarem noivos.

— Nem inventa de dizer nada para ele, viu? — Alice virou-se, séria. — Quero que tudo aconteça naturalmente, sem pressão. Se o Caio quiser me pedir em casamento, que seja porque ele quer, não por pressão.

— Está bem, está bem — Oliver disse, levantando as mãos em rendição.

— Até mais!

Eles a acompanharam com o olhar até a porta, e quando ela sumiu do campo de visão.

— Nunca imaginei que ela me daria trabalho — Oliver murmurou.

— Espero que se acostume, ainda mais se está querendo uma menina dessa vez.

Ele paralisa e, depois de um tempo, comenta:

— Acho melhor deixarmos essa ideia de lado e termos outro menino — brincou. — Assim, ele namora a filha que o Saulo e a Denise estão esperando!

— O que foi que você acabou de dizer, Oliver?! — A voz de Saulo ecoou pela casa como um trovão, vinda do corredor.

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