Depois que orientou os funcionários sobre o almoço, Aurora percebeu que o marido estava encostado perto da varanda, observando-a em silêncio. Seus olhos a seguiam com uma atenção redobrada.
Ela se aproximou dele e arqueou uma sobrancelha.
— O que foi agora, amor? Por que está me olhando desse jeito?
— Nada — ele respondeu, desviando o olhar. — Só estou pensando.
— Pensando no quê?
— Que o Saulo deve estar bem feliz nesse momento.
— Ah, com certeza — ela assentiu. — Acho que ele nem sonhava com essa surpresa.
— Realmente — ele concordou, mas logo ficou em silêncio outra vez, com o olhar distante.
Desconfiada, o encarou de lado. Ela sabia muito bem quando ele estava remoendo alguma coisa por dentro. Oliver era mais de falar do que pensar, mas naquele momento, não parecia assim…
— O que foi agora? — ela insistiu. — Pode me falar, eu aguento.
Ele soltou o ar devagar, como se ponderasse se devia ou não abrir o jogo.
— É que agora com a Denise grávida — começou, pausando por um segundo —, eu fico imaginando. Você também poderia engravidar, não acha?
Aurora arregalou os olhos, quase rindo de incredulidade.
— O quê?
— Ué, por que não? — ele deu de ombros. — A gente tem três meninos lindos… mas você mesma disse um dia que queria tentar ter meninas.
Ela cruzou os braços, tentando conter o riso.
— Oliver, e a minha idade?
— E daí? Você está maravilhosa e ainda é mais nova que a Denise — disse com naturalidade.
Ela bufou, tentando disfarçar o rubor no rosto.
— Acho que você está assim devido à emoção do dia, certeza.
— Não é não! — rebateu.
— Sério?
— Sim — confessou um pouco tímido. — Tenho pensado nisso já faz um tempo.
— E por que nunca me disse nada?
— Porque eu nunca quis atrapalhar a sua vida, você sabe — revelou.
— Amor, o que está dizendo? — perguntou, se aproximando mais dele. — Você nunca atrapalhou a minha vida.
— Eu sei, é que… — ele ponderou. — Você teve os gêmeos quando era tão nova e teve que enfrentar tantas coisas, que depois deles nascerem, tudo o que eu quis foi que você vivesse a sua vida. Fizesse a sua faculdade, trabalhasse no que sonhava… Conforme o tempo foi passando, fui vendo o quanto estava feliz no trabalho, em casa… que não tive coragem de tocar no assunto.
Ela ficou em silêncio por alguns segundos, apenas observando o marido se abrir daquele jeito. Mesmo depois de tantos anos de convivência, sabia que Oliver ainda carregava certa dificuldade em expressar seus desejos mais profundos. Quando o fazia, era porque vinha mesmo do coração.
Com um sorriso sereno, ela se aproximou, apoiando a cabeça contra o peito dele.
— Você tem razão — murmurou com doçura. — Depois que os gêmeos nasceram, você foi o meu maior incentivador. Me ajudou em tudo, segurou as pontas para que eu pudesse voltar a estudar, conquistar minha profissão, crescer. Graças a você, eu me realizei em muitas coisas…
Ela então se afastou levemente, apenas o suficiente para encará-lo nos olhos.
— Mas também tem algo que me realiza profundamente… te ver feliz. Amo fazer as suas vontades, até aquelas mais simples — confessou com um sorriso suave.
Oliver franziu o cenho, confuso e curioso.
— O que está querendo dizer com isso?
Aurora respirou fundo, como quem carregava um segredo há dias.
— Estou dizendo… que essa ideia sobre filhos não passou só pela sua cabeça.
Os olhos dele brilharam na mesma hora, como se uma luz tivesse se acendido dentro dele. E então, ela completou, com um olhar cheio de significado:
— E só para avisar… talvez eu não volte para casa hoje — completou, já se afastando em direção à porta.
— Alice… — Oliver a chamou, num tom mais sério e protetor.
— Não se preocupe comigo, tio. Vou ficar bem. Eu e o Caio já namoramos há quase dois anos.
— É por isso mesmo que me preocupo — retrucou. — Vocês apenas namoram. E, na minha opinião, não deviam dormir juntos antes do casamento.
— Ai, quem vê assim até pensa que vocês esperaram o casamento, né? — provocou Alice com um sorriso travesso, encarando a irmã.
Aurora arregalou os olhos, entreabriu a boca e corou até as orelhas.
— Como ousa?! — perguntou, semicerrando os olhos.
— Relaxa! — riu. — Eu só estou brincando. Só queria lembrar que não sou mais uma menininha, tudo bem?
— Mas só para avisar — Oliver interveio. — Depois quero ter uma conversinha com o Caio. Esse namoro de vocês já está demorando até demais. No mínimo, era para estarem noivos.
— Nem inventa de dizer nada para ele, viu? — Alice virou-se, séria. — Quero que tudo aconteça naturalmente, sem pressão. Se o Caio quiser me pedir em casamento, que seja porque ele quer, não por pressão.
— Está bem, está bem — Oliver disse, levantando as mãos em rendição.
— Até mais!
Eles a acompanharam com o olhar até a porta, e quando ela sumiu do campo de visão.
— Nunca imaginei que ela me daria trabalho — Oliver murmurou.
— Espero que se acostume, ainda mais se está querendo uma menina dessa vez.
Ele paralisa e, depois de um tempo, comenta:
— Acho melhor deixarmos essa ideia de lado e termos outro menino — brincou. — Assim, ele namora a filha que o Saulo e a Denise estão esperando!
— O que foi que você acabou de dizer, Oliver?! — A voz de Saulo ecoou pela casa como um trovão, vinda do corredor.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...