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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 218

O casal cai na risada, mas Saulo continua:

— Não adianta rir, está me ouvindo? Eu ouvi muito bem o que você e a Aurora estão planejando.

— Calma, cara — Oliver respondeu, ainda rindo. — Eu só estava brincando com ela.

— É bom mesmo que seja brincadeira! — rebateu. — Já não basta a loucura que passo tendo a minha filha namorando o seu filho.

— Você fica desse jeito porque ainda não aceitou que eles cresceram — Oliver comentou, tentando se controlar. — E olha que o Noah é um bom menino, hein? Respeitoso, trabalhador e ainda trata a Elisa como uma princesa!

— Sim, não posso negar que ele é — resmungou Saulo. — Mas você não tem ideia das preocupações que passo sendo pai de menina.

— A maioria das coisas que você passa é drama da sua cabeça — Aurora respondeu.

— Drama, Aurora? — indagou ele, ofendido. — Eu sou um pai zeloso!

— Enquanto a sua filha namorar o meu filho, não precisa se preocupar com nada — Oliver garantiu, com um sorriso confiante. — Eu o criei para ser respeitador, e nisso coloco a mão no fogo.

— Eu sei… — Saulo resmungou, suspirando. — Mas é difícil lembrar disso quando meu coração ainda está se recuperando do susto de mais cedo.

Aurora caiu na risada, balançando a cabeça, e o marido a acompanhou, rindo baixinho.

Enquanto conversavam, não notaram a aproximação silenciosa de Eloá, que se esgueirava curiosa só para escutar o assunto.

— Se eu fosse você, Saulo, torceria para a Eloá se apaixonar por um dos gêmeos — soltou Oliver, com um brilho provocador nos olhos.

— Ah, não começa! — Saulo resmungou, virando-se de leve. — A Eloá é bem diferente da Elisa. É centrada, vive enfiada nos livros. Eu duvido que já tenha sequer pensado em namorado.

— Será? — Aurora provocou, arqueando uma sobrancelha.

— Eu acho que, se ela estivesse gostando de alguém, iria me contar — Denise comentou, com a certeza tranquila de uma mãe que pensa saber tudo.

— Mas a ideia dela gostar de um dos gêmeos não é má, vai… — Oliver continuou. — Imagine só: nossos filhos virando genros em dobro.

— Realmente, não é uma má ideia, mas se fosse para escolher, tenho certeza de que ela se apaixonaria pelo Gael. — Denise respondeu sem hesitar.

— O quê? — Oliver questionou, fingindo-se ofendido. — Por que não o Henri?

— O Henri é mais introspectivo, muito na dele… A Eloá é doce, mas também é comunicativa. Acho que ela se encantaria mais com alguém como o Gael, que é mais aberto, falante, descontraído.

— Por que estamos perdendo tempo falando sobre isso? — Saulo interveio. — Se tem uma coisa com a qual eu nunca me preocupei foi com a Eloá. Desde pequena, ela sempre teve a cabeça nos livros, nos números, nas metas que traça para si mesma. É por isso que estou deixando-a estudar fora com o coração tranquilo. Namoro? Eu sei que isso não ocupará espaço nos pensamentos dela por muito tempo. Ela tem foco demais para se distrair com esse tipo de coisa agora.

— Ouvindo isso de você, agora entendo a revolta da Elisa — comentou Aurora, rindo. — A coitada recebe toda a desconfiança do pai.

Mais uma vez, todos caíram na risada.

Ainda escondida, Eloá decidiu sair de fininho antes que alguém notasse sua presença. No entanto, um calor repentino em sua nuca fez seu corpo inteiro se arrepiar.

— Não sabia que gostava de ouvir conversa dos outros — uma voz rouca murmurou, bem próxima ao seu ouvido.

Ela congelou. Henri havia se aproximado tão silenciosamente que nem percebeu sua chegada.

— Henri… — sussurrou, ainda parada. — Por acaso está usando sapatinhos de algodão?

— Realmente, ele não estava — concordou. — Mas a minha mãe deixou bem claro uma coisa.

— O quê? — perguntou, curioso.

— Disse que, se fosse para eu me apaixonar por um de vocês, preferiria que fosse pelo Gael. Porque ele é mais aberto, falante, descontraído…

A resposta fez Henri congelar por um instante. Elisa quase teve certeza de que viu uma sombra de desconforto passar por seu rosto. Mas, se havia algo ali, ele rapidamente soube esconder.

Com um sorrisinho no canto da boca, ele respondeu:

— Acho que a sua mãe tem razão. O Gael seria a melhor escolha. Ele é um cara bacana, centrado, sério… pode te dar um futuro.

Fez uma pausa, depois continuou, mais sério:

— Além disso, eu sou o tipo de homem que nenhuma mãe sonha para a filha. Não sei cuidar de sentimentos, muito menos retribuir os que nascem puros. Não é que eu seja cruel… — disse com um tom indiferente. — É só que, para mim, se envolver seriamente com alguém seria uma perda de tempo.

Fez uma breve pausa.

— Eu não crio laços. Eu não fico, não prometo, não construo. E, para ser honesto, nem sinto falta disso.

Então, virou-se para ela com um leve erguer de sobrancelha:

— Para resumir, eu não presto! — Confessou rindo. — Então, se fosse para se apaixonar por um de nós, eu mesmo te sugeriria o Gael. Eu sou o tipo de homem com quem uma mocinha de família como você não deveria se relacionar amorosamente.

O peso das últimas palavras caiu sobre ela como uma pedra lançada sem aviso: pesada, seca e impossível de ignorar.

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