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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 223

Percebendo que havia falado mais do que devia, Eloá tentou se corrigir às pressas.

— Eu não quis dizer nada com isso, mãe.

— Como não? — Denise arqueou uma sobrancelha, desconfiada. — Por acaso é o Henri quem te interessa?

— Não! — rebateu, visivelmente nervosa. — Ninguém me interessa. Eu não estou pensando em relacionamento agora, só quero estudar. É isso que eu quis dizer.

Denise a observou por mais alguns segundos, estreitando os olhos, mas decidiu não insistir.

— Tudo bem.

Em seguida, elas bateram na porta da casa da amiga. Quem as atendeu foi uma das funcionárias.

— Bom dia, Marta. A Alice está em casa?

— Bom dia, dona Denise. Está sim. Pode entrar.

As duas entraram e, assim que passaram pela porta, Denise voltou-se para a filha.

— Eu vou conversar com a Alice a sós, está bem?

— Tudo bem — respondeu Eloá, lançando um sorriso debochado. — Vai lá com o seu segredinho…

Mesmo revirando os olhos, Denise não respondeu à provocação. Seguiu em direção ao corredor, enquanto Eloá se jogou no sofá da sala e começou a mexer no celular.

Alguns minutos depois, a porta da sala se abriu com certa urgência, e Henri apareceu, ajeitando a gola da camisa.

— O que aconteceu? — ela perguntou, erguendo os olhos do celular.

— Esqueci um documento no escritório — respondeu, já caminhando apressado para lá.

Mesmo curiosa, ela voltou a mexer no celular, mas não demorou a ouvir o som sufocado da voz dele reclamando alguma coisa no cômodo ao lado. Aquilo atiçou ainda mais sua curiosidade. Levantou-se e caminhou até o escritório, encontrando-o revirando as prateleiras com um semblante tenso.

— Está tudo bem? — perguntou.

— Não estou achando a droga do papel — resmungou, passando as mãos pelos cabelos.

— Quer ajuda?

— Por favor, seria ótimo.

— Qual o nome do bendito papel?

— É um licenciamento de uma nova obra. Estava em uma pasta branca… ou pelo menos era para estar.

Ela olhou ao redor e suspirou.

— Parece que temos um pequeno desafio — comentou, notando que quase todas as pastas do ambiente eram brancas.

— Pois é — ele murmurou, voltando à busca.

Eloá começou a abrir uma a uma, tentando ajudar da melhor forma possível. Enquanto folheava os papéis, percebeu que Henri parecia inquieto, frustrado.

— Meu pai me pediu para separar isso ontem à noite — ele confessou. — Mas acabei esquecendo. Hoje de manhã, saí com tanta pressa que só me dei conta quando já estava quase na ponte. Agora estou atrasado, e sem o documento…

— Calma, vai dar certo — disse ela, tentando passar confiança na voz. — Vamos encontrar essa pasta. Juntos.

Ele parou por um instante para encará-la. O olhar dela era sereno e determinado, e por alguma razão, aquilo o tranquilizou mais do que qualquer palavra poderia fazer. Um breve silêncio pairou no ar enquanto ambos continuavam procurando. Concentrada, Eloá vasculhava pasta por pasta com atenção redobrada, até que seus dedos pararam em uma delas. Ela abriu e leu o início do documento.

— Será que é esse aqui? — perguntou, erguendo a pasta com hesitação.

Henri se aproximou rapidamente, pegou-a de suas mãos e a abriu com agilidade. Bastou um olhar para que um sorriso se abrisse em seu rosto.

— Sim! É essa mesmo! — exclamou, aliviado. — Você é incrível, Eloá. De verdade.

Sem pensar duas vezes, a envolveu em um abraço apertado, gratificante. E antes que ela pudesse sequer reagir, depositou um beijo rápido em sua bochecha.

Seus olhos se arregalaram e o coração deu um salto tão inesperado quanto o gesto, que ela congelou.

— Preciso ir! Obrigado por tudo! — ele disse, ainda sorrindo, já se afastando às pressas com a pasta nas mãos.

— O Caio pediu a Alice em casamento!

— Sério?! — exclamou, com os olhos se arregalando de surpresa.

— Sim! Ontem mesmo. Ele a chamou para almoçar e, quando ela chegou ao restaurante, descobriu que ele havia reservado o local só para os dois. Enquanto o garçom servia a sobremesa, o Caio simplesmente se levantou e ajoelhou-se ao lado dela, abrindo uma caixinha com um anel deslumbrante de diamantes.

— Uau… deve ter sido maravilhoso! — Eloá exclamou, encantada.

— E foi. Ela me mostrou as fotos — contou Denise, toda orgulhosa. — Disse que vai postar hoje à noite.

— Aposto que ela está radiante.

— Está sim. E me chamou para ser madrinha.

— Que lindo, mãe. Eu sei que a Alice sempre a considerou muito.

— É verdade — disse Denise, olhando para frente com um ar nostálgico. — A minha história com a Alice é especial. Mesmo quando ela era só uma menina, ela já sabia me acolher nas minhas lutas e batalhas pessoais… Às vezes, ela parecia até mais madura que muita gente adulta.

Tocada pelas palavras, Eloá sorriu.

— É por isso que ela tem esse coração tão bonito. Com certeza, aprendeu um pouco com você também.

Denise a olhou com carinho, até que comentou.

— Sabe o que isso significa? — perguntou, animada, com os olhos brilhando de empolgação.

— Que em breve teremos festa! — respondeu Eloá, forçando um sorriso.

— Exatamente! — a mãe comemorou, sem notar a expressão levemente distante da filha.

Eloá sorriu, mas o sorriso não alcançou os olhos. Por dentro, um aperto silencioso começava a crescer.

Naquele instante, uma leve tristeza tomou conta dela. Ela percebeu que, justamente após decidir que partiria, tudo parecia ficar mais animado naquele lugar.

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