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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 222

Enquanto caminham em direção à casa da amiga, Denise segura levemente o braço da filha enquanto comenta sobre os medos da gravidez.

— Tenho certeza de que tudo será maravilhoso, mãe. Deus está cuidando de tudo. — Eloá tenta animá-la. — Vai ser uma nova fase linda.

Denise sorri, mas antes de responder, algo capta sua atenção. Um rapaz alto, de porte atlético, sai pela porta da casa usando um terno elegante, ajeitando os punhos da camisa com cuidado.

— Aquele é o Henri ou o Gael? — perguntou, semicerrando os olhos.

— Acho que, pelo jeito de andar, é o Henri — Eloá respondeu, sem disfarçar o olhar mais demorado.

— Eu nunca os reconheço de primeira, ainda mais quando estão de longe — a mãe confessou, divertida.

— Às vezes me confundo também — admitiu Eloá, ainda observando enquanto ele se aproximava. — Até a voz se parece.

Ao notar a presença delas, Henri abriu um sorriso gentil e caminhou em direção às duas.

— Bom dia, tia Dê. Eloá. — disse com educação.

— Bom dia, querido. Como você está lindo! — Denise comentou com sinceridade.

— Obrigado — ele sorriu. — Tenho que resolver uma coisa importante na capital. Não posso aparecer de qualquer jeito, ou o meu pai me mata — brincou, ajeitando a gravata.

— Acredito que, quando o seu pai te ver, vai é se encher de orgulho — respondeu, admirada.

— Assim espero. Bom, se não se importam, já estou indo. Até mais!

— Até! — as duas responderam quase em coro.

Assim que Henri se afastou e entrou no carro, Denise comentou algo em tom descontraído:

— A Aurora soube mesmo fazer homens bonitos…

— Mãe! — Eloá protestou, sem conter o riso.

— Estou mentindo? Vai dizer que não acha os meninos lindos.

— Sim, eles são bonitos — Eloá respondeu, sem graça, lançando um último olhar na direção do carro de Henri que se aproximava do portão.

— É por isso que a Elisa é daquele jeito… — Denise continuou com uma voz divertida. — Ela é doidinha pelo Noah. E convenhamos, além dele ser um amor de menino, ele é lindo demais.

Eloá apenas balançou a cabeça, rindo e tentando mudar de assunto, enquanto chegavam em frente à casa da amiga.

— Você já se apaixonou, filha?

A pergunta veio como uma pedra lançada em meio ao lago tranquilo. O olhar de Eloá, que até então parecia distraído, se arregalou de imediato, como se tivesse sido pega em flagrante.

— O quê? — perguntou com a voz trêmula, tentando disfarçar o impacto.

— Quero saber se você já gostou ou gosta de alguém — repetiu Denise, serena, mas atenta a cada detalhe da reação da filha.

— Não… — respondeu rápido demais. — Eu não gosto de ninguém.

A resposta abrupta acendeu ainda mais o alerta de Denise, que estreitou os olhos ao notar o rubor subindo pelas bochechas da filha.

— Por que está corando? Perguntei algo que te deixou envergonhada?

— Não, claro que não! — rebateu, desviando o olhar.

— Filha, eu sou sua mãe, mas também sou sua amiga. Se quiser me contar algo, sabe que pode confiar em mim. Eu jamais te julgaria.

— Eu sei, mãe… é só que não tenho nada para contar mesmo.

— Tem certeza?

— Absoluta.

Mas Denise não estava convencida. Conhecia aquela inquietação nos olhos da filha como ninguém. Ela respirou fundo, decidida a arriscar mais um passo.

— E o que acha do Gael?

— O Gael? — repetiu, confusa. — O que você quer dizer com isso?

— É só uma pergunta — insistiu, tentando não sorrir com a reação da filha. — Curiosidade de mãe mesmo.

— Mas por que perguntar isso justo agora?

— Porque estamos tendo um momento, mãe e filha, oras — respondeu, divertida.

Eloá soltou um suspiro resignado e cruzou os braços.

— Tudo bem — murmurou. — Sim, eu já tive vontade de namorar. Mas, para isso acontecer, eu teria que encontrar alguém de quem eu realmente gostasse… e que gostasse de mim do mesmo jeito.

— Tem certeza de que esse alguém não existe? — Denise martelou.

— Já disse que não — Eloá respondeu, sem a encarar diretamente.

— E se você tentasse alguma coisa com o Gael? — A mãe soltou de repente, como quem lança uma ideia ao vento.

Surpresa com a pergunta, Eloá virou-se de imediato.

— Mãe… do que está falando?

— Só pensei em voz alta — disse com naturalidade, ignorando o olhar desconfiado da filha. — Acho que você e o Gael combinam. Ele é educado, carinhoso… talvez vocês até compartilhem mais afinidades do que imaginam.

— Eu não acredito que você esteja mesmo dizendo isso — murmurou, indignada.

— Não me olhe assim, Eloá. Eu só estou sugerindo. Às vezes o amor está bem na nossa frente, mas estamos ocupados demais olhando para o horizonte… no seu caso, um novo país, um novo mundo.

Houve um silêncio breve, antes que Eloá soltasse com firmeza:

— O problema, mãe, é que eu não estou procurando o amor agora. E mesmo se estivesse e tivesse que escolher entre os gêmeos, não seria o Gael.

Surpresa com a convicção que a filha usou, Denise arqueou uma sobrancelha.

— O que você quer dizer com isso? — perguntou, agora com mais curiosidade.

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