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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 225

Algum tempo depois…

— Eu ainda não consigo acreditar que você vai embora amanhã — disse Elisa, abraçando a irmã com força, enquanto a via fechar a mala.

— Pois é... o tempo voou — Eloá respondeu, com um sorriso leve, mas o olhar distante.

— Tem certeza de que não quer desistir? A minha faculdade tem cursos incríveis…

— Elisa, eu não esperei tanto tempo por isso para desistir na última hora — respondeu, tentando conter a própria ansiedade.

— Eu sei, eu sei… — Elisa murmurou, já com os olhos marejados. — É que eu vou sentir tanto a sua falta.

— Não mais do que eu vou sentir a sua — garantiu Eloá, tocando o rosto da irmã com carinho.

— Que tal sairmos hoje à noite? Só nós duas. Um jantarzinho, sei lá… para nossa despedida?

— Não vai dar… — respondeu, hesitante.

— Por que não?

— Eu tenho outros planos — revelou, desviando o olhar.

— Que outros planos? — perguntou, curiosa.

Desde o nascimento, as duas sempre foram unidas. Brigas eram raras, e a cumplicidade entre elas era quase sagrada. Guardavam os segredos uma da outra como se fossem tesouros, e a confiança sempre reinou entre as duas. Mas Eloá sabia que, a partir daquela noite, teria coisas que não poderia mais dividir com a irmã.

E era por isso que o coração começava a pesar, mesmo antes da despedida.

— Vou jantar na casa do vovô e passar um tempo com eles hoje — anunciou, fechando o zíper da mala com um suspiro.

— Eu também vou! — Elisa disse, animada.

— Não — rebateu, apressada, quase instintivamente.

A resposta cortante fez Elisa franzir o cenho, surpresa.

— O que foi? Por que não quer que eu vá?

— Porque… — Ela hesitou, buscando as palavras certas. — Você sempre acaba virando o centro das atenções, e... como é a minha última noite no país, eu quero que ela seja um pouco mais… sobre mim.

Elisa pareceu digerir aquilo devagar, tentando entender se havia sido uma crítica ou apenas um desabafo.

— Mas…

— Não é nada de mais, irmãzinha — disse com um sorriso leve, tentando suavizar o impacto. — Amanhã cedo a gente se despede no aeroporto.

— Tudo bem… — murmurou Elisa, com um sorriso forçado. Mas, por dentro, sentia um leve incômodo, como se tivesse sido deixada de lado.

— Agora vou lá na casa da tia Aurora me despedir dela, da Alice e dos meninos.

— Deixa eu ir com você! Assim, arrumo uma desculpa para ver o Noah — disse, com um sorriso malicioso.

— Tudo bem — segurou a mão da irmã.

As duas saíram de casa e pegaram a estrada em direção ao casarão.

Ao chegarem, avistaram Noah e Alice sentados na varanda, dividindo um pote de sorvete e rindo de alguma coisa. Assim que viu Elisa, Noah deixou o sorvete de lado num impulso e correu até ela, com um sorriso largo.

— Que maravilha te ver aqui tão cedo, linda… — disse, abraçando-a com entusiasmo.

— A Eloá precisava vir — respondeu, tentando disfarçar o brilho nos olhos. — Então aproveitei a deixa.

Ao ver o casal de pombinhos abraçados na varanda, Eloá sorriu, certa de que a irmã estaria ocupada demais para atrapalhar seus planos.

— Eu brinco com ele e tudo… mas, sinceramente, eu também cairia no choro se um dos meus filhos decidisse morar longe de mim — Oliver confessou, com um suspiro sincero.

— Tem razão, amor. O Saulo e a Denise estão sendo fortes até demais — Aurora completou, balançando a cabeça. — Eu já teria me jogado aos pés da minha filha, implorando para ela repensar essa decisão.

— É por uma boa causa, tios, em breve estarei de volta. Vocês vão ver.

— Eu sei, minha querida — Oliver a puxou para mais um abraço apertado. — Se precisar de qualquer coisa, por menor que seja… pode nos ligar. A gente resolve na mesma hora, entendeu?

— Obrigada por tudo — disse ela, lançando um olhar curioso ao redor.

— Cadê o Henri e o Gael?

— O Henri está no galpão, cuidando dos cavalos. Já o Gael… acho que foi dar uma volta na plantação — Aurora respondeu.

— Vou lá me despedir deles também — avisou, ajeitando os cabelos antes de sair pelas portas dos fundos.

Ela atravessou o quintal apressada, sentindo o vento leve balançar seus cabelos. O sol começava a se esconder atrás das montanhas, tingindo o céu de tons alaranjados. Assim que se aproximou do galpão, parou na entrada e ficou estática com o que viu.

Henri estava de costas, sem camisa, escovando um dos cavalos. A luz dourada do fim de tarde desenhava as linhas de seus ombros largos e das costas bem definidas.

— Meu Deus… como ele consegue ser tão lindo? — murmurou sem perceber que havia dito em voz alta.

— Sério mesmo que você acha isso? — a voz veio como um trovão suave ao seu lado.

Ela virou-se num pulo e deu de cara com… Henri.

— Espera… — ela arregalou os olhos, surpresa. — Aquele é o Gael?

Havia acabado de elogiar o gêmeo errado.

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