— Olha… até que foi bom ouvir esse elogio, já que ele serve indiretamente para mim, né? — Henri brincou, com um sorriso provocador, notando o quanto as bochechas dela estavam vermelhas.
— Eu… eu não sabia que era o Gael — ela sussurrou, já se arrependendo no instante seguinte.
— Sério? Então quer dizer que o elogio era para mim? — Ele se aproximou mais um passo, diminuindo a distância entre eles.
— Não… não foi isso que eu quis dizer — rebateu, tropeçando nas próprias palavras, sem saber onde enfiar o rosto.
Antes que a situação ficasse ainda mais embaraçosa, Gael percebeu a movimentação no galpão. Virou o rosto e viu Eloá ali, conversando com o irmão. Então, largou a escova que segurava e caminhou na direção dos dois.
— Eloá, que surpresa boa te ver por aqui.
— Vim me despedir… — ela murmurou por fim, se recompondo.
— Já vai mesmo? — A expressão de Gael ficou mais contida, com um toque de melancolia.
— Amanhã, bem cedinho. Mas eu não queria partir sem me despedir de vocês.
— Vai fazer falta por aqui — ele disse com sinceridade, olhando-a nos olhos.
— Quase todo mundo me falou isso hoje — respondeu com um sorriso tímido, meio sem jeito.
— Se todos disseram, é porque é verdade — Gael afirmou. — Para ser sincero, eu preferia que você ficasse.
Enquanto os dois conversavam, Henri observava as expressões deles em silêncio.
— Ficar já não é mais uma opção — disse Eloá, tentando disfarçar o peso da despedida com um sorriso leve. — Principalmente depois de ter convencido meus pais.
— Posso te visitar enquanto estiver por lá? — perguntou Gael.
— Claro. Adorarei ver um rosto conhecido.
— Ótimo — ele respondeu, sem esconder o sorriso meio sem jeito. — Antes de você ir, queria te dar um abraço, mas… do jeito que estou agora — disse, olhando para si, suado e cheirando a cavalo — seria crueldade com você.
— Eu posso esperar você tomar um banho — ela respondeu, quase sem pensar.
— Então, vou lá rapidinho!
Gael saiu apressado, deixando os dois a sós. Assim que ele virou a esquina do galpão, Eloá sentiu o nervosismo subir. Aquela era a chance perfeita. O momento que ensaiou tantas vezes nos últimos dias.
Henri quebrou o silêncio.
— Agora que está de partida… quem é que vai comigo naquela hamburgueria da estrada, hein?
— Do jeito que você é famosinho, não vão faltar companhias — ela respondeu com um sorriso leve, tentando disfarçar a tristeza e o ciúme.
— Pode ser… mas nenhuma delas vai ser tão divertida e espontânea quanto você.
Ela sorriu, um tanto nervosa.
— O que foi? — ele notou — Você parece tensa.
— Deve ser a ansiedade por amanhã — mentiu.
— Não precisa ficar assim. Se achar que é demais para você, apenas volte para casa.
— Eu não posso voltar — revelou, com um olhar distante. — Não enquanto eu não mudar meu jeito de pensar.
— Como assim? — ele perguntou, curioso.
— É meio complicado de explicar.
— Tudo bem, não vou insistir.
— Henri… — ela começou, sentindo o coração subir à garganta.
— O que foi?
— Você se lembra que um dia eu disse que iria te pedir um favor?
— Hm… deixa eu ver — ele levou a mão à cabeça, coçando os cabelos como se estivesse forçando a memória.
— Por que não?
— Porque é um segredo — desabafou, baixando os olhos, como se aquele pedido escondesse mais do que ele podia imaginar.
Tentando analisar o que estava por trás daquele pedido, Henri a observou em silêncio por alguns segundos.
— Você está misteriosa hoje, Eloá.
— E para alguém que sempre optou pelo silêncio, você está fazendo muitas perguntas, seu curioso — retrucou, tentando aliviar a tensão com um sorriso.
— Só quero saber se preciso levar uma arma ou uma pá para enterrar alguém — brincou.
Ela riu, balançando a cabeça.
— Leva os dois. Nunca se sabe quando vai precisar.
Mesmo estranhando tudo, ele cruzou os braços, como quem aceitava o desafio.
— Tudo bem.
— Eu não sei que horas vou aparecer, mas me espere, OK? — Pediu.
— Se você está garantindo que irá aparecer, eu esperarei.
— Tudo bem — disse, suspirando pesado. — Eu já vou indo.
— E o meu abraço de despedida? — ele perguntou, rindo.
— A noite eu te dou, eu prometo!
Assim, Eloá saiu do galpão, sentindo a adrenalina nas veias. Havia conseguido planejar a primeira parte do plano, agora, só deveria esperar a noite para concretizar o restante.
Enquanto ela se afastava, Henri ficou parado, com o pressentimento de que aquela noite mudaria alguma coisa, para sempre.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...