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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 226

— Olha… até que foi bom ouvir esse elogio, já que ele serve indiretamente para mim, né? — Henri brincou, com um sorriso provocador, notando o quanto as bochechas dela estavam vermelhas.

— Eu… eu não sabia que era o Gael — ela sussurrou, já se arrependendo no instante seguinte.

— Sério? Então quer dizer que o elogio era para mim? — Ele se aproximou mais um passo, diminuindo a distância entre eles.

— Não… não foi isso que eu quis dizer — rebateu, tropeçando nas próprias palavras, sem saber onde enfiar o rosto.

Antes que a situação ficasse ainda mais embaraçosa, Gael percebeu a movimentação no galpão. Virou o rosto e viu Eloá ali, conversando com o irmão. Então, largou a escova que segurava e caminhou na direção dos dois.

— Eloá, que surpresa boa te ver por aqui.

— Vim me despedir… — ela murmurou por fim, se recompondo.

— Já vai mesmo? — A expressão de Gael ficou mais contida, com um toque de melancolia.

— Amanhã, bem cedinho. Mas eu não queria partir sem me despedir de vocês.

— Vai fazer falta por aqui — ele disse com sinceridade, olhando-a nos olhos.

— Quase todo mundo me falou isso hoje — respondeu com um sorriso tímido, meio sem jeito.

— Se todos disseram, é porque é verdade — Gael afirmou. — Para ser sincero, eu preferia que você ficasse.

Enquanto os dois conversavam, Henri observava as expressões deles em silêncio.

— Ficar já não é mais uma opção — disse Eloá, tentando disfarçar o peso da despedida com um sorriso leve. — Principalmente depois de ter convencido meus pais.

— Posso te visitar enquanto estiver por lá? — perguntou Gael.

— Claro. Adorarei ver um rosto conhecido.

— Ótimo — ele respondeu, sem esconder o sorriso meio sem jeito. — Antes de você ir, queria te dar um abraço, mas… do jeito que estou agora — disse, olhando para si, suado e cheirando a cavalo — seria crueldade com você.

— Eu posso esperar você tomar um banho — ela respondeu, quase sem pensar.

— Então, vou lá rapidinho!

Gael saiu apressado, deixando os dois a sós. Assim que ele virou a esquina do galpão, Eloá sentiu o nervosismo subir. Aquela era a chance perfeita. O momento que ensaiou tantas vezes nos últimos dias.

Henri quebrou o silêncio.

— Agora que está de partida… quem é que vai comigo naquela hamburgueria da estrada, hein?

— Do jeito que você é famosinho, não vão faltar companhias — ela respondeu com um sorriso leve, tentando disfarçar a tristeza e o ciúme.

— Pode ser… mas nenhuma delas vai ser tão divertida e espontânea quanto você.

Ela sorriu, um tanto nervosa.

— O que foi? — ele notou — Você parece tensa.

— Deve ser a ansiedade por amanhã — mentiu.

— Não precisa ficar assim. Se achar que é demais para você, apenas volte para casa.

— Eu não posso voltar — revelou, com um olhar distante. — Não enquanto eu não mudar meu jeito de pensar.

— Como assim? — ele perguntou, curioso.

— É meio complicado de explicar.

— Tudo bem, não vou insistir.

— Henri… — ela começou, sentindo o coração subir à garganta.

— O que foi?

— Você se lembra que um dia eu disse que iria te pedir um favor?

— Hm… deixa eu ver — ele levou a mão à cabeça, coçando os cabelos como se estivesse forçando a memória.

— Por que não?

— Porque é um segredo — desabafou, baixando os olhos, como se aquele pedido escondesse mais do que ele podia imaginar.

Tentando analisar o que estava por trás daquele pedido, Henri a observou em silêncio por alguns segundos.

— Você está misteriosa hoje, Eloá.

— E para alguém que sempre optou pelo silêncio, você está fazendo muitas perguntas, seu curioso — retrucou, tentando aliviar a tensão com um sorriso.

— Só quero saber se preciso levar uma arma ou uma pá para enterrar alguém — brincou.

Ela riu, balançando a cabeça.

— Leva os dois. Nunca se sabe quando vai precisar.

Mesmo estranhando tudo, ele cruzou os braços, como quem aceitava o desafio.

— Tudo bem.

— Eu não sei que horas vou aparecer, mas me espere, OK? — Pediu.

— Se você está garantindo que irá aparecer, eu esperarei.

— Tudo bem — disse, suspirando pesado. — Eu já vou indo.

— E o meu abraço de despedida? — ele perguntou, rindo.

— A noite eu te dou, eu prometo!

Assim, Eloá saiu do galpão, sentindo a adrenalina nas veias. Havia conseguido planejar a primeira parte do plano, agora, só deveria esperar a noite para concretizar o restante.

Enquanto ela se afastava, Henri ficou parado, com o pressentimento de que aquela noite mudaria alguma coisa, para sempre.

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