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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 227

Assim que voltou para o interior da casa, Eloá se despediu dos tios e já estava prestes a cruzar a porta quando escutou seu nome ser chamado com certa urgência.

— Eloá… por acaso estava indo embora sem se despedir de mim? — Gael perguntou, com um tom magoado que ela não esperava.

— Não. — respondeu, sem jeito, sentindo as bochechas esquentarem.

Mas a verdade é que sim, havia se esquecido. E não era por desconsideração, de forma alguma. Era só que, naquele momento, sua mente estava dominada por um único pensamento. Um pensamento que latejava com tanta força, que a fazia até tremer.

A expectativa daquela noite era tamanha que parecia maior do que qualquer convicção que ela já teve na vida. Estava prestes a fazer algo que o medo sempre a impediu. E, mesmo sem saber exatamente como as coisas iriam ficar depois, estava decidida a seguir até o fim.

— Sério mesmo? Você já estava quase do lado de fora da casa — ele comentou, ainda um pouco desconfiado.

— Eu só ia até a varanda. A Alice, o Noah e a Elisa estão lá — explicou, tentando parecer mais segura do que realmente estava.

— Tudo bem, mas… — ele baixou os olhos, um pouco envergonhado. — Antes de ir, queria muito te dar um abraço de despedida.

— Claro — respondeu, caminhando em direção a ele.

Gael se aproximou devagar, com os ombros um pouco tensos. Mesmo acostumado com a presença dela, naquela hora parecia diferente. Havia uma hesitação sutil em seus gestos, como se temesse que aquele fosse o último abraço entre eles.

Com delicadeza, passou os braços ao redor dela e a envolveu num abraço firme e carinhoso.

— Eu estou sendo bem sincero quando digo que vou sentir sua falta — sussurrou em seu ouvido, mais emotivo do que deveria.

— Também vou sentir a sua — ela respondeu com um sorriso leve, mas que escondia um nó na garganta.

— E estou sendo sincero também quando digo que, na primeira oportunidade que eu tiver… vou te visitar.

— Estarei te esperando — disse, tentando se afastar aos poucos. Mas ele não a soltou.

— Espera… — pediu, num tom quase tímido. — Só mais um pouco.

Mesmo sem entender aquele sentimentalismo todo vindo da parte dele, ela apenas sentiu o aperto aumentar levemente, como se ele quisesse gravar aquele momento na memória, como se estivesse lutando contra o tempo que insistia em levá-la embora.

Ela não disse nada. Apenas fechou os olhos por um instante e, por mais que quisesse se concentrar naquele abraço, o pensamento inevitavelmente fugiu para Henri.

“Droga”, murmurou para si mesma, assim que se afastou de Gael.

Sentiu-se miserável. Felizmente, ele não podia ler pensamentos, pois, naquele momento, ela se considerava a pessoa mais desprezível da face da Terra.

— Eu já vou indo, então — disse, tentando parecer natural, mesmo sem conseguir esconder o desconforto na voz. — Daqui a pouco preciso ir para casa dos meus avós.

— Tudo bem. Mas, desde já, te desejo uma ótima viagem. Que tudo dê certo por lá — respondeu Gael, com sinceridade nos olhos.

— Obrigada, Gael.

Num gesto de gratidão, ela sorriu de leve e então abriu a porta da sala, dando de cara com a varanda. Ali, encontrou Noah e Elisa sozinhos, trocando um beijo cheio de carinho e despreocupação.

“Ah… como a vida da minha irmã parece simples, leve, sem 'complicações'”, pensou, com um suspiro resiliente.

Eloá não sentia inveja de Elisa, longe disso. Estava genuinamente feliz por ela. Mas, naquele instante, desejou com força ter também um amor tranquilo, recíproco… sem tanta dúvida e insegurança.

Mesmo relutando em interromper, sabia que precisava ir. Então, apenas pigarreou alto, chamando a atenção dos dois.

— Não sei se vou ter essa opção — murmurou, desviando o olhar para o céu alaranjado do fim de tarde.

— Não seja pessimista! Vai que na faculdade você conhece alguém que te faça até perder o ar.

— Ainda bem que o papai está pagando um ótimo plano de saúde para mim — zombou, arqueando uma sobrancelha. — Não quero correr esse risco.

— Ai, sua boba! — Elisa protestou, rindo com ela. Mas, ao ver a irmã ficar mais séria de repente, seu sorriso foi se desfazendo. — O que foi?

Eloá hesitou por um instante, depois soltou num fio de voz:

— Você acha que vou conhecer alguém… que consiga me fazer sentir algo mais forte do que o que sinto pelo Henri?

Como se pensasse com cuidado, escolhendo as palavras certas, Elisa demorou um pouco para responder.

— Eu tenho certeza de que sim — disse, por fim. — Aposto que logo você vai me ligar dizendo que conheceu o amor da sua vida.

— O amor da minha vida… — ela repetiu, num sussurro melancólico. — Custo a acreditar que eu vá sentir por outra pessoa algo tão intenso quanto sinto por aquele cafajeste do Henri.

Elisa soltou um riso curto, meio abafado.

— Falando nele… — decidiu tocar no assunto com mais cuidado. — Como foi para você se despedir do Henri?

Eloá mordeu o lábio, pensativa, e depois respondeu com sinceridade:

— Eu ainda não sei dizer — respondeu, pensando novamente na noite que estava planejando.

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