Quando se aproximou da porta da casa, estranhou o breu que tomava conta de tudo. Estava escuro demais, silencioso demais. Por um instante, seu coração vacilou. E se Henri não estivesse ali? E se ele tivesse esquecido do que combinaram?
Com o estômago apertado, decidiu contornar a casa. Foi quando viu o carro dele estacionado bem em frente. Um suspiro de alívio escapou dos seus lábios. Ele estava lá.
Sem hesitar mais, digitou a senha na fechadura eletrônica, que já conhecia bem e entrou com cuidado. A casa estava mergulhada na penumbra, mas não demorou a perceber um filete de luz escapando discretamente do andar de cima.
Subiu os degraus devagar, com a respiração presa e as mãos suando frio. Quando chegou ao corredor, viu a porta do quarto dele entreaberta. A luz amarela que vinha do corredor iluminava suavemente o interior do cômodo, revelando Henri deitado, de costas para a porta, aparentemente adormecido.
Eram quase duas da manhã. Claro que ele estaria exausto, provavelmente esperou por horas até desistir.
Ela ficou ali, imóvel por um instante. Depois, tomada por uma coragem que nem sabia que existia dentro de si, deu alguns passos até a beirada da cama. Fechou os olhos, inspirou fundo e soltou o ar com um suspiro trêmulo antes de subir no colchão.
No segundo em que ele percebeu o movimento, seu corpo se enrijeceu num susto. Mas não teve tempo de reagir, ela já estava ali, em cima dele.
Henri abriu a boca para dizer alguma coisa, mas ela foi mais rápida.
— Não fala nada… só me escuta — sussurrou, aflita, dando graças ao escuro por esconder suas bochechas em chamas.
— Você me disse que, quando eu te pedisse um favor, faria… — continuou, com a voz cortada, lutando contra o próprio coração. — Eu sei que é estranho, talvez até absurdo, mas eu preciso muito… preciso desesperadamente saber qual é o gosto daquilo que eu sei que nunca será meu.
Henri franziu o cenho, arregalando os olhos, visivelmente confuso.
— Eu juro que o que acontecer aqui ficará entre nós… para sempre. Ninguém jamais vai saber. Vou levar isso comigo até o fim da minha vida. Então, por favor… — a voz dela quase se quebrou — apenas me faça mulher.
Antes que a razão pudesse falar mais forte, com o coração acelerado e a coragem quase indo embora, Eloá se curvou e o beijou.
Henri recuou instintivamente, surpreso demais para reagir com clareza. Ela percebeu sua hesitação, mas não parou. Sabia que, se dependesse dele, aquilo nunca aconteceria. E, por mais que estivesse morrendo de vergonha, não iria desistir agora. Era sua única chance e já havia ido longe demais para parar.
Aquele era seu primeiro beijo. E, embora não soubesse exatamente o que estava fazendo, apenas seguiu o que o coração mandava.
E, aos poucos, sentiu que ele começava a ceder.
Os lábios que antes hesitavam agora se moviam devagar, aceitando o toque dos seus.
Eloá levou a mão até a camisa dele, começando a puxá-la para cima com pressa.
Foi então que sentiu os dedos dele segurarem seu pulso, firmes.
Com as mãos tremendo de nervosismo, o olhar dela não vacilava. Como se, naquele instante, tivesse deixado para trás a menina que hesitava… e assumido, mesmo que por uma única noite, a mulher que queria viver algo que sempre temeu desejar.
Com movimentos lentos, levou as mãos até a barra do vestido e começou a puxá-lo por cima do corpo. O tecido subiu devagar, roçando sua pele, passando pelos braços, até bagunçar um pouco os cabelos quando ela o retirou completamente pela cabeça. Assim que o retirou por completo, o jogou para bem longe, sem nenhuma cerimônia.
Então ficou ali, diante dele, sem dizer nada. Não era só o corpo que estava exposto… era tudo o que sentia, a coragem, o medo, o desejo, tudo de uma vez, escancarado no silêncio do quarto.
— Me olha — ordenou, com a voz firme. — É só isso que eu quero. Ser vista… por você. Mesmo que seja só hoje.
Ele engoliu em seco, grudando os olhos no corpo dela, que parecia brilhar sob a luz amarelada que escapava do corredor, como se cada detalhe estivesse ali só para deixá-lo ainda mais sem reação.
Sua boca entreabre, ainda confuso sobre o que fazer diante daquela provocação, mas ela continua firme e segura.
— Para de pensar tanto… e sente — disse ela, se aproximando devagar, com o coração na garganta e os olhos marejados de coragem.
Ela não sabia o que viria depois. Não sabia se aquilo mudaria alguma coisa entre eles, ou dentro dela. Mas, pela primeira vez na vida, não queria respostas. Só queria o momento. E ele estava ali, em sua frente.
Henri se mexeu na cama, como se buscasse algum controle sobre si mesmo, mas já era tarde demais. A presença dela o dominava, ainda mais quando Eloá voltou a beijá-lo com tanto desejo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...