Entrar Via

Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 230

Enquanto sentia o sabor do beijo do homem que tanto desejou, Eloá teve a nítida sensação de que seu coração poderia parar a qualquer instante. Mas, ao perceber que ele correspondia com a mesma intensidade, gradualmente, foi se acalmando. A felicidade que a invadiu era silenciosa e arrebatadora, fruto de um desejo guardado por tempo demais. Era como se o tempo tivesse sido suspenso só para aquele momento acontecer.

Com um gesto suave, ela levou a mão à camisa dele mais uma vez. Diferente de antes, não encontrou resistência. Ele apenas a permitiu conduzir, entregando-se à iniciativa dela. Aquilo a fazia se sentir viva como nunca, no controle de algo que, por tanto tempo, achou que jamais poderia tocar.

Com cuidado, tirou a camisa dele, sentindo a pele quente sob os dedos, cada movimento parecia um gesto de descoberta. Era a realização de tudo o que imaginou, não como nos devaneios românticos e perfeitos, mas de forma real, imperfeita e ainda assim tão bonita. Um marco silencioso de coragem.

Pela primeira vez, não havia espaço para dúvidas ou medos. Apenas a certeza de estar vivendo algo que era só seu, sem promessas, sem garantias, mas cheio de verdade.

E então, como se algo dentro dele tivesse se rendido ao inevitável, Henri se ergueu levemente, com os olhos fixos nos dela, e inverteu os papéis. Com firmeza e cuidado, passou os braços ao redor da cintura dela, guiando os próprios gestos com delicadeza, como quem reconhece um território sagrado. Eloá se entregou ao toque dele sem resistência, sentindo que ali não havia mais dúvida, só presença.

Não foram as palavras que marcaram aquele instante, mas os silêncios entre os gestos. A forma como ele a deitou devagar, como se estivesse cuidando de algo raro. A maneira como seus corpos se ajustaram, sem pressa, como se já se conhecessem há muito tempo, mesmo sem jamais terem se tocado daquele jeito.

Cada movimento era um passo em direção ao desconhecido e, ainda assim, tudo parecia tão certo.

Para Eloá, não era apenas a realização de um desejo antigo. Era a sensação de viver finalmente o que por tanto tempo esteve preso dentro dela. E mais do que isso: era sentir-se escolhida, ainda que por uma única noite. Era estar ali, inteira, sentindo-se viva, desejada, segura.

Henri a guiou do melhor modo, e a conexão entre eles ocorreu entre gemidos contidos e mãos entrelaçadas que exprimiam mais do que qualquer palavra. Não houve urgência, nem pressa. Apenas uma dança íntima entre dois mundos que, por fim, se encontravam.

As horas continuavam a passar no relógio, indiferentes ao desejo silencioso que guardava no peito. Cada ponteiro avançava com crueldade, lembrando-a de que aquela madrugada, por mais perfeita que fosse, também teria um fim.

Mas, por dentro, Eloá implorava que não. Queria que o tempo parasse ali, naquela cama, naquele quarto, com o calor da pele dele, marcando uma memória viva. Queria que aquela noite se estendesse para sempre, que a sensação de pertencimento não escapasse ao amanhecer.

No entanto, ela sabia: o tempo não esperaria por nada, muito menos por ela.

Sem dizer uma palavra, apenas se deitou no peito dele e fechou os olhos em silêncio. Henri também não disse nada. E, por mais que aquele silêncio a consumisse aos poucos, sabia que não podia pedir mais do que já havia vivido. Aquela era a única parte do plano que o coração dela jamais quis aceitar: o depois.

Aos poucos, a respiração dele foi desacelerando, até que ela percebeu que ele dormiu. Era estranho vê-lo adormecer depois de tudo, como se o mundo dele seguisse tranquilo, enquanto o dela desmoronava de mansinho.

Eloá pegou o celular sobre a mesinha e, quando viu a hora, sua mão estremeceu. Era quase a hora do voo.

Como uma Cinderela, ao ouvir o último toque do relógio, soube que a magia estava prestes a se dissolver. E o que restaria depois… era só memória.

Com movimentos rápidos, levantou-se da cama, vestiu-se em silêncio e lançou um último olhar para o homem que dormia ali, ainda com traços da noite impressos no corpo. Quis fotografar aquela imagem com os olhos, não como lembrança de um conto de fadas, mas como o fim de uma história que, para ela, sempre foi secreta.

Desceu as escadas apressada, sentindo o peso da madrugada ainda grudado na pele. Quando abriu a porta, o vento frio a golpeou com força, como se quisesse trazê-la de volta à realidade. E trouxe. De forma cruel.

Ao longe, avistou os faróis do automóvel do seu pai se aproximando pela estrada.

O coração quase parou.

— Tudo bem.

Assim que ela ouve os sons dos passos da avó ficarem distantes, se j**a na cama e olha para o teto.

— Fiz finalmente o que tanto sonhei…

[…]

Enquanto isso, na outra casa, um jovem despertou ainda sonolento. Piscou algumas vezes, confuso, como se seu corpo tivesse acordado antes da mente. Olhou ao redor, tentando entender se o que viveu naquela madrugada foi real… ou apenas mais um sonho estranho.

Sentou-se na cama devagar, com os pensamentos embaralhados. Passou a mão pelas têmporas, como quem tentava reorganizar as lembranças, até que algo chamou sua atenção, o lençol levemente manchado de sangue.

Engoliu em seco.

A realidade o atingiu com força, varrendo qualquer vestígio de dúvida.

— Droga… o que foi que eu fiz?

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda