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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 238

Enquanto isso, nos Estados Unidos, Eloá se afundava nos estudos como se aquela fosse sua única missão no mundo. Toda vez que sua mente insistia em voltar para a Vila São Caetano — ou pior, para Henri — ela pegava mais um livro de economia. Era assim que ela lidava: ocupando a mente até esvaziar o coração. E, entre leituras e anotações, os meses começaram a passar.

Toda semana, separava um tempinho para falar com a família. Conversava com o pai, com a mãe e claro, com Elisa, a quem já havia deixado claro que o nome de Henri estava proibido de ser citado.

— Essa semana a faculdade foi um saco — reclamava Elisa durante uma chamada de vídeo pelo W******p. — Estou em semana de provas e nem consegui ver o Noah.

— Por aqui não tem sido diferente. Eu sempre me achei inteligente, mas tem coisa que parece impossível de entender — desabafou Eloá, ajeitando os livros sobre a cama.

— Você vai dar conta, eu sei que vai.

— E por aí? A mamãe já está reclamando da barriga enorme?

— Ainda não. Ela e a Aurora estão praticamente morando na capital agora. Principalmente depois que a tia descobriu que está grávida.

— E já sabem o sexo?

— Vão descobrir amanhã. A tia nem queria fazer chá revelação, mas a mamãe insistiu tanto que ela cedeu.

— Aposto que aí todo mundo está em festa.

— Sim! E acredita que o Oliver descobriu antes mesmo dela contar?

— Sério? Como?

— Ele percebeu que ela não estava usando mais os absorventes. Ficou de olho na prateleira do guarda-roupa e desconfiou. Imagina?

— Meu Deus! Que homem atento.

— Pois é. Ela teve que contar antes da hora, mas a ideia era revelar só no dia da surpresa.

— Será que são gêmeos?

— Acho que não… mas, se forem, estou no meio do fogo cruzado.

— Como assim?

— Ora, por parte da mamãe, tem gêmeos. Do Noah também. Ou seja, minha chance de ter dois de uma vez é alta.

— Ah, seria legal! — Eloá riu.

— Legal? Eu nem sei cuidar de um, imagina dois!

— Você vai ser uma mãe incrível, Elisa.

— Para! Por que estamos falando disso? — protestou, rindo. — Para ter um filho, eu precisaria transar… e nem isso aconteceu ainda.

— O Noah está mesmo levando a sério essa coisa de esperar?

— Está sim. E, para falar a verdade, eu estou achando isso ótimo. Agora, quando saímos, aproveitamos sem nenhuma pressão. A gente anda de mãos dadas, ele sempre me manda flores, e quando estamos a sós, vemos um filme ou só ficamos juntos. Sem cobrança, sabe?

— Eu nem acredito que minha irmã espoleta está assim contida.

— Pois é! — disse, rindo. — Acho que vou guardar esse momento para o casamento.

— Como é?

— É isso mesmo que você ouviu. Pesquisei sobre isso e gostei da ideia de casar virgem.

— Você está falando sério?

— Estou.

— Mas… e o Noah?

Pelo vídeo, Elisa viu o celular escorregar da mão da irmã e cair no chão, enquanto a imagem tremia.

— Eloá! Responde! — chamou novamente, com a voz tensa.

— Está tudo bem — murmurou Eloá, tentando parecer firme. — Só fiquei um pouco tonta por levantar de vez.

— Você tem dormido bem? Está se alimentando direito?

— Claro! Não precisa se preocupar com isso — disse, agora sentada no chão, apoiada na beirada da cama. — Vou desligar, tudo bem?

— Como assim? Estou preocupada!

— Não precisa! — cortou. — Possivelmente andei forçando demais a vista estudando. Já terminei a matéria de amanhã, então vou aproveitar para dormir mais cedo.

— A Tess está aí com você?

— Ainda não, mas ela chega logo.

— Está bom… Se sentir qualquer coisa estranha, me liga ou chama ajuda, por favor.

— Está tudo bem, irmãzinha. Boa noite!

Assim que encerrou a ligação, Eloá levantou-se devagar, ainda meio zonza, e correu para o banheiro. Um enjoo persistente lhe invadiu, mesmo com os remédios que tomou nos últimos dias. E por mais que tentasse não pensar nisso… algo dentro dela começava a gritar.

A possibilidade que se formava em sua mente era assustadora.

E se…?

Ela apertou os olhos diante do espelho, sentindo o estômago revirar. Não estava pronta para admitir, mas, no fundo, já sabia. E esse medo, agora, era impossível de ignorar.

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