Após mais uma aula densa sobre macroeconomia internacional, Eloá deixou a sala com passos incertos. Sentia-se estranhamente fraca, como se o chão não estivesse firme sob seus pés. Procurava um lugar mais tranquilo para sentar e recuperar o fôlego, longe do burburinho dos corredores. Mas, ao dobrar um dos corredores, deu de cara com Brook.
— Eloá, está se sentindo bem? — a orientadora perguntou, preocupada ao notar o quanto a jovem estava pálida.
— Sim, claro — respondeu, forçando um sorriso. Mas sua voz não convenceu. No instante seguinte, sentiu o mundo girar mais uma vez e precisou se apoiar na parede.
— Meu Deus, você não parece nada bem — disse Brook, já se aproximando para ampará-la.
— Só estou me sentindo um pouco enjoada — confessou, respirando com dificuldade.
— E isso tem acontecido com frequência?
— Já tem alguns meses… — revelou, hesitante.
— Vamos agora mesmo para a enfermaria.
Antes que Eloá pudesse protestar, foi praticamente conduzida por Brook pelos corredores, tentando acompanhar o passo firme da mulher.
— Eu não posso ver você assim e não fazer nada — disse Brook. — Seu pai foi bem claro comigo sobre cuidar de você.
— Você não vai ligar para ele, vai? — perguntou em tom quase suplicante, já tomada pelo pânico.
— Não sei. Primeiro, precisamos entender o que está acontecendo com você.
Ao chegarem à enfermaria, foram recebidas por uma enfermeira atenciosa.
— Ela está se sentindo tonta e muito enjoada — explicou Brook, sem rodeios.
A enfermeira mediu sua pressão e fez algumas perguntas de praxe.
— Você tem se alimentado bem nos últimos dias?
Eloá abaixou a cabeça, envergonhada.
— Não… — murmurou.
— É devido à culinária diferente? Está com dificuldade de se adaptar?
— Não é isso — respondeu, com a voz abafada. — Nada tem ficado no meu estômago. Tudo me causa náusea.
A enfermeira lançou um olhar rápido para Brook, e depois voltou sua atenção para a garota.
— Existe alguma possibilidade de você estar grávida?
A pergunta a atingiu como um raio. Por mais que já tivesse cogitado essa hipótese em silêncio, ouvir alguém dizer aquilo em voz alta era como encarar uma verdade que até então ela vinha tentando empurrar para o fundo da mente.
— Sim — respondeu, baixinho, encarando Brook, que arregalou os olhos, surpresa e preocupada.
— Quando foi sua última menstruação?
Eloá mordeu os lábios, hesitando.
— Há três meses.
Ela se lembrava exatamente. Foi pouco antes da viagem, quando ainda estava na fazenda, contando os dias para a partida.
— Tudo bem. Tenho um teste aqui — disse a enfermeira, indo até um dos armários e voltando com uma pequena caixa. — Vá até o banheiro e faça, por favor.
Com as mãos trêmulas, Eloá pegou o teste. Entrou no banheiro como se estivesse em transe. Seguiu cada instrução com precisão, embora o coração batesse acelerado como um tambor. Em menos de um minuto, o segundo traço apareceu, nítido.
— Mesmo assim… você nem sabe de quanto tempo está, Eloá.
— Sei sim — ela disse, com a voz vacilante, mas decidida. — Esse bebê foi concebido há três meses. Um pouco antes da minha viagem.
Atônita, tentando pensar no que dizer, Brook passou a mão pelo rosto.
— Olha, eu sei que isso é grave — Eloá continuou, com sinceridade. — Mas eu não consigo contar isso ao meu pai. Ele vai querer saber quem é o pai. E eu prometi para essa pessoa que ninguém nunca saberia do que aconteceu entre nós.
Brook ficou em silêncio por alguns segundos. O dilema era enorme. Sabia que havia normas, responsabilidades… mas também sabia que, diante dela, havia uma menina assustada tentando se tornar mulher de um dia para o outro.
— Mas, Eloá, você precisa entender que as normas da faculdade…
— Eu só vou ficar no dormitório por um ano — interrompeu, desesperada. — Depois disso, vou para o meu apartamento. Arranjarei alguém para ficar com o bebê enquanto estudo. Eu dou um jeito, só… por favor…
As lágrimas começaram a rolar sem que ela pudesse conter.
— Ninguém pode saber, Brook. Ninguém. Eu te imploro… não conta para ele. Não agora.
Brook a olhou com ternura, o coração apertado. Aquela garota podia estar cometendo um erro ao tentar carregar tudo sozinha, mas também havia ali uma força que poucas pessoas teriam naquela idade. Uma maturidade precoce nascida da dor.
Ela segurou as mãos de Eloá com firmeza.
— Está bem… por agora, não vou dizer nada — sussurrou. — Mas com uma condição: você vai cuidar de si mesma. E qualquer sinal de que algo está errado, você me promete que me avisa. Está me ouvindo?
Chorando mais forte, Eloá assentiu, apertando as mãos de Brook como se segurasse uma tábua de salvação.
— Obrigada. Obrigada mesmo… Vou consertar tudo, só preciso que me prometa que ninguém vai saber de nada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...