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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 240

Na região da fazenda São Caetano, o clima era de festa. O primeiro dia da tradicional feira agropecuária havia chegado, trazendo consigo uma onda de visitantes. Os hotéis recém-construídos na vila estavam lotados, e a movimentação na feirinha artesanal era intensa. A cada ano, o evento ganhava mais notoriedade, atraindo olhares de diversas partes do país.

— Eu ainda não acredito que o Oliver me convenceu a cancelar o chá revelação para fazê-lo na abertura dos festejos — reclamava Aurora, nervosa, enquanto tentava vestir um corpete comprado meses antes.

— Por que não escolhe outro? Esse aí já não cabe mais — sugeriu Denise, observando a luta da amiga com o zíper do corpete jeans.

— Mas esse é tão lindo… — murmurou, ainda insistindo, até que o zíper estourou de vez. — Ah, não! — exclamou, bufando de frustração.

— Quem diria, hein? Aquela moça magrelinha que chegou aqui há alguns anos agora não cabe mais num corpete! — provocou Denise, caindo na risada.

— Não vem falar de mim, não, viu, dona Denise? Porque, sinceramente, duvido que tenha muita coisa no seu guarda-roupa que ainda feche — rebateu, lançando um olhar para a barriga enorme da amiga.

— Tenho que concordar contigo — Denise riu. — Quase peguei o paninho do botijão de gás lá de casa para usar como vestido!

As duas riram juntas, se rendendo ao bom humor da situação.

— E os seus meninos, quando vão nascer? — Aurora perguntou, ainda sorrindo.

— A qualquer momento — respondeu. — O médico disse que, por serem gêmeos, a chance de nascerem antes do previsto é grande.

— E já está tudo pronto?

— Quase tudo… — respondeu ela, com um sorriso que rapidamente se desfez, dando lugar a um semblante melancólico.

— O que foi? — Aurora percebeu a mudança de tom.

— A Eloá disse que não vai poder vir… — revelou com pesar.

— Ah, Dê… sinto muito.

— Ai, Aurora… eu não sei o que está acontecendo comigo. Talvez seja essa reta final da gravidez, mas sinto como se a Eloá estivesse se afastando, e não só fisicamente. É como se houvesse um muro entre a gente, entende?

Aurora se aproximou e segurou as mãos da amiga, prestando atenção no que ela falava.

— Eu entendo. Às vezes, quando os filhos saem de casa, a gente acha que eles estão só longe… mas tem certas distâncias que a gente sente no coração. Fala com ela, Dê. Mesmo que ela esteja distante, seu amor sempre vai alcançar.

— O problema é esse — suspirou Denise, mexendo na barra da blusa com inquietação. — De uns dias para cá, a Eloá tem se afastado. Conversa menos, evita chamadas de vídeo… só aceita falar por áudio. Disse que a faculdade é excelente, mas que exige cem por cento dela.

— Até nos finais de semana? — Aurora franziu o cenho, surpresa.

— Sim. Ela disse que aproveita os fins de semana para estudar e passar horas na biblioteca. A gente só se fala à noite, uma vez por semana, e mesmo assim, sempre de forma rápida… contida.

— E o Saulo? O que ele acha disso?

Já prontas, as duas se juntaram aos maridos e seguiram juntos para a feira agropecuária. A cada edição, Oliver fazia questão de investir ainda mais na estrutura do evento: os espaços estavam mais amplos, a área do show cresceu para receber uma multidão ainda maior e o parque de diversões havia ganhado novas atrações, encantando crianças e adultos.

Do camarote, eles aproveitaram a festa com conforto, enquanto os filhos se misturavam à multidão, animados com as barracas, os brinquedos e os shows.

Pouco antes do show principal começar, Oliver subiu ao palco com Aurora. O público, já animado, aumentou o burburinho quando ele anunciou ao microfone:

— Boa noite! Antes de começarmos a música, quero compartilhar com vocês um momento muito especial da nossa família, onde descobriremos o sexo do bebê que estamos esperando.

A plateia vibrou.

— E como a gente gosta de fazer bonito… — ele continuou, rindo — preparem-se, porque essa revelação vai ser no céu!

Drones começaram a levantar voo, formando padrões brilhantes no alto, enquanto a contagem regressiva era exibida em luzes que se moviam. Aurora apertou com força a mão do marido. O céu parecia um espetáculo à parte, e o público assistia encantado.

No instante em que os drones começaram a se alinhar no céu, o público prendeu a respiração. Primeiro, formaram um grande coração iluminado em tons de branco. Depois, lentamente, as luzes começaram a se mover, mudando de cor e de forma até que uma palavra mágica surgiu entre as estrelas artificiais:

“MENINA”

Aurora levou as mãos à boca, emocionada, enquanto o público explodia em gritos e aplausos. Luzes cor-de-rosa se acendiam por toda a extensão do palco, e pétalas da mesma cor foram lançadas do alto por canhões discretamente posicionados, cobrindo a multidão com suavidade.

— É uma menina… — ela sussurrou, sentindo os olhos se encherem de lágrimas. — Oliver, é a nossa menininha tão sonhada.

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