Sem acreditar no que acabara de ler, Eloá apertou o celular com força e perguntou, com a voz levemente trêmula:
— Elisa, onde está o Gael?
A irmã virou a câmera para si, franzindo o cenho com curiosidade.
— O Gael? Ué… ele viajou, está participando de um seminário de arquitetura e urbanismo.
— Onde? — insistiu, tentando manter a voz firme.
— Acho que em Nova York — respondeu, ainda pensativa. — Por quê? O que aconteceu? Por que você está me perguntando dele?
— Nada não — mentiu, forçando um sorriso. — Olha, preciso desligar agora.
— O quê? Nem mostrei os aquários ainda!
— Mostra outro dia. Boa noite, irmãzinha.
Antes que Elisa pudesse dizer qualquer outra coisa, Eloá encerrou a ligação e abriu a mensagem de Gael.
“Estou em frente ao estacionamento do seu dormitório. Aparece aqui.”
— O que você está dizendo? — digitou rapidamente.
“Vim só te ver por alguns minutos. Me encontra aqui, por favor.”
O coração dela disparou. Por um momento, ficou paralisada, encarando a tela como se as palavras pudessem mudar sozinhas. Em seguida, seu olhar desceu até as roupas que usava: um pijama simples, confortável, mas que não gostaria de ser vista usando-o. Depois, instintivamente, olhou para a barriga. Ainda não estava muito evidente, mas quem a conhecia bem notaria que havia algo diferente. Uma leve curva, sutil, mas presente.
Desesperada, correu até o armário e trocou de roupa às pressas. Vestiu uma calça jeans folgada e uma blusa larga de moletom, tentando disfarçar ao máximo as mudanças recentes em seu corpo. Assim que terminou, foi até o espelho e soltou o cabelo longo, ajeitando com os dedos como pôde. Agradeceu mentalmente por Tess não estar no quarto, não saberia explicar aquele desespero repentino sem revelar demais.
Já do lado de fora, caminhou com passos acelerados pelos corredores do dormitório, descendo as escadas e cruzando o campus até chegar ao estacionamento. Assim que avistou Gael, parado sob uma árvore, com as mãos nos bolsos e o olhar atento, seu corpo inteiro se arrepiou. Por um instante, aquela expressão séria e introspectiva lhe lembrou Henri, o que fez seu coração vacilar. Mas, quando ele a reconheceu e sorriu largo, aproximando-se com passos animados, a lembrança se dissipou, dando lugar ao aconchego familiar de Gael.
— Eloá! — chamou, antes mesmo de alcançá-la, abrindo os braços para um abraço.
Ela hesitou por um segundo, mas deixou-se envolver. E naquele abraço… algo a tocou estranhamente. Não desconfortável, apenas diferente. Um misto de nostalgia, ternura e um leve incômodo que ela não soube identificar.
— Gael… o que está fazendo aqui? E a essa hora? — perguntou, se afastando um pouco, tentando ignorar a sensação esquisita.
— Me desculpa aparecer assim, do nada — disse ele, com um brilho sincero no olhar. — Mas, como já estava no país, não consegui resistir. Estava com saudades de você.
— Eu também… — respondeu, sem encará-lo diretamente.
Havia um banco próximo, então caminharam até lá e se sentaram. Eloá manteve os olhos fixos no céu, nas estrelas tímidas que surgiam por entre as nuvens, no chão úmido da calçada… em qualquer lugar, menos nos olhos de Gael. Já ele, parecia hipnotizado por ela. Observava cada detalhe: o jeito como ela mantinha as mãos juntas, a respiração contida, a expressão distante.
Ela era a mesma… e, ao mesmo tempo, havia algo de novo nela.
— E o que está fazendo por aqui? — ela perguntou, quebrando o silêncio.
— Um seminário, em Nova York — respondeu. — Não estava tão interessado, mas meu pai insistiu tanto que acabei vindo.
— E aí, você saiu de lá só para vir até aqui?
— Foram só quarenta minutos de voo. E sinceramente… eu jamais me perdoaria se estivesse tão perto de você e não viesse te ver.
— Infelizmente, não. Minhas primeiras provas semestrais estão bem próximas.
— Mas você vai nos feriados, não vai?
— Eu… não sei — respondeu, sincera, com um nó na garganta. — Para ser bem franca com você, talvez eu não consiga ir ao Brasil por um bom tempo.
Gael franziu o cenho, intrigado.
— Como assim?
Eloá engoliu em seco. As palavras pareciam travar na garganta, como se qualquer frase pudesse desmoronar a parede frágil que vinha tentando manter de pé. Desde o dia em que descobriu a gravidez, sabia que existiam verdades que seus pais jamais poderiam saber.
— Acho que vou ter que ficar por aqui por mais tempo… talvez até mesmo nas férias — confessou, num sussurro.
— Mas seus pais… eles não vão aceitar isso — Gael comentou, surpreso.
— Não se trata de aceitar ou não — rebateu, firmemente. — Meus pais precisam entender que eu não posso passar a vida inteira vivendo à sombra das vontades deles.
Houve um silêncio breve. Ele a olhou com atenção.
— Você mudou bastante, hein? — ele brincou, soltando um riso leve. — Está toda independente agora.
— E você também não ficou para trás… apareceu aqui essa hora da noite, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Onde pretende dormir?
— Achei que você fosse me convidar para ficar com você — respondeu, com o sorriso cheio de expectativa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...