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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 243

Sem acreditar no que ouviu, ela caiu na risada, balançando a cabeça.

— Você está mesmo achando que eu iria te convidar para dormir no dormitório feminino?

— Ué, qual o problema? Somos amigos — rebateu, mantendo a expressão mais séria do que devia.

— Eu tenho uma colega de quarto, sabia?

— Sei, mas não me importo — respondeu, arqueando as sobrancelhas, provocador.

— Está mesmo falando sério?

Ela o encarava com desconfiança, e foi só então que ele não resistiu e abriu um sorriso.

— Estou brincando — riu. — Vou procurar algum hotel para passar a noite. Meu voo é amanhã às dez.

Eloá puxou o celular do bolso e olhou as horas. Quase meia-noite. O campus estava silencioso e ela sabia que Gael não conhecia a cidade. E o pior: estava a pé.

Mordendo o lábio inferior, ficou pensativa, até que seus olhos brilharam com uma ideia.

— Acho que sei de algo melhor — disse, sorrindo de canto.

— O quê?

— Me espera aqui um minutinho — pediu, já começando a caminhar em direção ao dormitório.

— Eloá? O que você vai fazer?

Mas ela já estava longe demais para ouvir. Gael suspirou, passando a mão pelos cabelos, confuso e um pouco ansioso. Não acreditava que tinha realmente aparecido ali, sem avisar, só para vê-la. Era uma loucura e ele sabia disso, mas loucura por ela era algo com o qual já estava acostumado.

“E agora?”, pensou, sentindo o vento gelado da noite tocar seu rosto. “Sei que ela gosta do Henri…”

Mas, mesmo assim…

— Eu vou tentar — murmurou para si mesmo, com os olhos fixos na direção por onde ela havia sumido.

Minutos depois, ela voltou com o mesmo sorriso no rosto e algo escondido na mão.

— Demorei?

— O que foi fazer? — perguntou, se levantando.

— Fui buscar isso aqui — respondeu, mostrando uma chave.

Ele franziu a testa, confuso.

— É a chave do meu apartamento — revelou.

— Aquele que seu pai conseguiu para o próximo ano?

— Esse mesmo. Quer ir comigo?

— Espera… como assim?

— Você achou mesmo que eu ia deixar você passar a noite por aí, em um hotel desconhecido, se eu tenho um apê inteiro esperando por mim?

— Mas… eu só vim te ver um pouquinho. Não quero te atrapalhar.

— Depois do que fez só para me ver? Acha mesmo que vou te deixar ir embora assim?

— Mas…

— Sem questionamentos, tudo bem? Vamos conhecer o meu apartamento comigo!

— Como assim? Você ainda não foi até lá?

— Ainda não. Estive atolada de estudos desde que cheguei. Só sei que fica a dois quarteirões daqui.

— Tem certeza disso? Eu não quero que você se sinta pressionada…

— Gael — ela disse, agora mais firme —, amanhã é domingo. E, sinceramente, eu não me importo de deixar os livros esperando por uma manhã. Vamos?

Ela segurou o braço dele e começou a puxá-lo.

E ele foi, com um sorriso discreto nos lábios, feliz por ver que os minutos que imaginou roubados estavam, lentamente, se transformando em horas inesperadas ao lado dela.

— Já te acomodei bem, missão cumprida — brincou, tentando esconder o embaraço.

— Achei que ia ficar — comentou, sincero.

— Eu… estou com sono, Gael. Preciso dormir. Você também deveria descansar.

— Então dorme aqui.

— Como? Só tem uma cama, e esse sofá não serve para nenhum de nós dois.

— Dormimos juntos — sugeriu, encarando-a com serenidade.

Surpresa, ela o olhou. A proposta era inesperada, mas o tom dele era calmo, sincero.

— Sei que pode parecer estranho… mas está tarde, e você mesma disse que abriria mão da manhã. Não quero que saia sozinha à noite.

— Gael…

— O que foi, Eloá? Você me conhece. Sabe que eu nunca ultrapassaria nenhum limite.

Ela ficou em silêncio por alguns segundos. A ideia de dividir uma cama com Gael era desconcertante, principalmente porque ele se parecia tanto com Henri… Mas havia algo no olhar dele que a fez ceder.

— Tudo bem — murmurou, ruborizada. — Então, eu já vou me deitar, pois estou exausta.

— Eu também — ele sorriu de leve.

Eloá ajeitou os lençóis, foi ao banheiro e logo se deitou bem na beirada da cama, cuidando para manter uma distância respeitosa. Pouco depois, Gael saiu do banheiro, tirou a camisa e foi até o disjuntor, apagando as luzes.

Antes de tudo ficar escuro, ela desviou o olhar, mas não conseguiu evitar uma rápida espiada. O corpo dele era surpreendentemente bonito, definido, harmônico. E quando ele se deitou ao seu lado e desejou boa noite, sua voz grave e familiar provocou nela um arrepio.

Era como ouvir Henri.

Mas não era.

Era Gael. E isso só tornava tudo ainda mais confuso.

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