Entrar Via

Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 257

Vendo a firmeza na voz dele, Elisa se sentiu mais à vontade para continuar a conversa.

— Achei que, por você ter dito que ficaria nos Estados Unidos, fosse justamente para estar mais perto da minha irmã… e tentar algo com ela.

— E essa era mesmo a minha intenção — ele respondeu, com um meio sorriso.

— E então… por que voltou?

Olhando para o salão onde Alice dançava com Caio, rindo leve e despreocupada. Ele a apontou com um gesto de cabeça.

— Eu não poderia perder o casamento dela.

— Então voltou apenas por isso? Quer dizer que vai retornar aos EUA? — Elisa arqueou uma sobrancelha.

— Sim. E, dessa vez… é definitivo.

Ela se inclinou um pouco na cadeira, encarando-o com mais atenção.

— Me diz uma coisa… — falou em tom mais baixo, quase em confidência. — Você está indo embora por causa da Eloá?

Ele sorriu, mas o sorriso não tocou os olhos. Era um sorriso amargo, resignado.

— Sim. É só por ela. Mas sei que conquistar a Eloá… não vai ser nada fácil.

— Por quê? Eu já te disse, ela tem pensado em você.

— Será mesmo? — perguntou, com dúvida no olhar.

— Claro que sim. Ela me falou com todas as letras.

Gael percebeu a sinceridade na voz dela. E mais que isso, viu ali uma possível aliada. Olhou discretamente ao redor, certificando-se de que ninguém os ouvia, e então voltou a encará-la.

— Me responde com sinceridade. Você quer que eu fique com a sua irmã?

— Sinceramente? Quero sim. Eu só quero ver a Eloá sendo amada de verdade. E você parece ser a pessoa certa para assumir essa responsabilidade.

Ele assentiu levemente, mas logo voltou ao ponto que mais o incomodava.

— Então, se é para ser honesta… me diz uma coisa. O que a Eloá ainda sente pelo Henri?

Os olhos de Elisa se arregalaram. Ela ficou alguns segundos em silêncio, sem saber o que responder. Não fazia ideia de que Gael sabia dos sentimentos que ela tinha pelo irmão dele.

— Como você sabe disso? — sussurrou, surpresa.

Apoiando os cotovelos na mesa, Gael deu um leve suspiro, entrelaçando os dedos.

— Ela mesma me confessou — disse, sem rodeios. — Mas, no fundo, ninguém precisava me contar. Dava para ver nos olhos dela. Não precisa ser gênio para perceber que o olhar da pessoa que você ama está direcionado a outro.

Processando tudo aquilo, Elisa ficou em silêncio por um momento.

— Mas agora é diferente — ela continuou. — É você quem tem dominado o pensamento dela.

— Você ainda não me respondeu o que perguntei.

Ela respirou fundo.

— Por que quer saber sobre o que ela sente pelo seu irmão?

— Porque, se o coração dela continua preso a ele, eu preciso saber com o que estou lidando. Não quero forçar nada. Não quero ser um escape. Só quero ser real.

Encarando-o por um instante. Sabia que ele não desistiria até ela dizer a verdade.

— Está bem — disse por fim, num tom baixo. — Vou ser sincera.

Gael endireitou a postura, atento.

— A Eloá gostou do Henri, sim. E por bastante tempo. Mas foi algo platônico, sabe? Nunca passou disso. Eles nunca tiveram nada de verdade. Mesmo sem saber dos sentimentos dela, o Henri sempre deixou claro que não queria nada sério com ninguém. Ela só ficou esperando por algo que nunca veio.

— E agora?

— Agora… ela se sente culpada por sentir algo por você. Mas sente, Gael. E está se torturando por isso.

— Vai dizer que nunca pensou em se casar?

— Nunca, nem por um momento.

— Um dia você vai morder a língua — ela provocou.

— Tomara que não. Língua é sensível — respondeu, levantando uma sobrancelha.

— Mas olha só, o Caio ali provando que casamento não é o fim do mundo — comentou, apontando discretamente para o noivo, que dançava com Alice, com um sorriso bobo no rosto.

Henri observou a cena por alguns segundos. Depois soltou um suspiro exagerado.

— É... eles até que parecem felizes. Mas vou manter minha teoria.

Aproveitando a oportunidade, Elisa decidiu ir direto ao ponto.

— Escuta… você tem falado com a Eloá?

Henri ficou sério de repente. Primeiro lançou um olhar rápido para o irmão, que pareceu ficar desconfortável na hora, e só depois voltou os olhos para ela.

— Não — respondeu seco.

— Sério? Que estranho… quando ela ainda estava aqui, vocês pareciam até meio próximos.

— Era só proximidade normal. Igual à que tenho com todo mundo. Não tenho preferência por ninguém — disse, já se levantando, visivelmente incomodado. — Eu vou dar uma volta por aí.

E, sem esperar resposta, saiu andando, deixando os dois para trás.

Elisa o seguiu com o olhar, confusa.

— O que deu nele? Até parece que ficou bravo…

— Eu não sei — Gael respondeu, com o olhar fixo na direção por onde o irmão havia sumido. — Talvez esteja só com a consciência pesada.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda