Vendo a firmeza na voz dele, Elisa se sentiu mais à vontade para continuar a conversa.
— Achei que, por você ter dito que ficaria nos Estados Unidos, fosse justamente para estar mais perto da minha irmã… e tentar algo com ela.
— E essa era mesmo a minha intenção — ele respondeu, com um meio sorriso.
— E então… por que voltou?
Olhando para o salão onde Alice dançava com Caio, rindo leve e despreocupada. Ele a apontou com um gesto de cabeça.
— Eu não poderia perder o casamento dela.
— Então voltou apenas por isso? Quer dizer que vai retornar aos EUA? — Elisa arqueou uma sobrancelha.
— Sim. E, dessa vez… é definitivo.
Ela se inclinou um pouco na cadeira, encarando-o com mais atenção.
— Me diz uma coisa… — falou em tom mais baixo, quase em confidência. — Você está indo embora por causa da Eloá?
Ele sorriu, mas o sorriso não tocou os olhos. Era um sorriso amargo, resignado.
— Sim. É só por ela. Mas sei que conquistar a Eloá… não vai ser nada fácil.
— Por quê? Eu já te disse, ela tem pensado em você.
— Será mesmo? — perguntou, com dúvida no olhar.
— Claro que sim. Ela me falou com todas as letras.
Gael percebeu a sinceridade na voz dela. E mais que isso, viu ali uma possível aliada. Olhou discretamente ao redor, certificando-se de que ninguém os ouvia, e então voltou a encará-la.
— Me responde com sinceridade. Você quer que eu fique com a sua irmã?
— Sinceramente? Quero sim. Eu só quero ver a Eloá sendo amada de verdade. E você parece ser a pessoa certa para assumir essa responsabilidade.
Ele assentiu levemente, mas logo voltou ao ponto que mais o incomodava.
— Então, se é para ser honesta… me diz uma coisa. O que a Eloá ainda sente pelo Henri?
Os olhos de Elisa se arregalaram. Ela ficou alguns segundos em silêncio, sem saber o que responder. Não fazia ideia de que Gael sabia dos sentimentos que ela tinha pelo irmão dele.
— Como você sabe disso? — sussurrou, surpresa.
Apoiando os cotovelos na mesa, Gael deu um leve suspiro, entrelaçando os dedos.
— Ela mesma me confessou — disse, sem rodeios. — Mas, no fundo, ninguém precisava me contar. Dava para ver nos olhos dela. Não precisa ser gênio para perceber que o olhar da pessoa que você ama está direcionado a outro.
Processando tudo aquilo, Elisa ficou em silêncio por um momento.
— Mas agora é diferente — ela continuou. — É você quem tem dominado o pensamento dela.
— Você ainda não me respondeu o que perguntei.
Ela respirou fundo.
— Por que quer saber sobre o que ela sente pelo seu irmão?
— Porque, se o coração dela continua preso a ele, eu preciso saber com o que estou lidando. Não quero forçar nada. Não quero ser um escape. Só quero ser real.
Encarando-o por um instante. Sabia que ele não desistiria até ela dizer a verdade.
— Está bem — disse por fim, num tom baixo. — Vou ser sincera.
Gael endireitou a postura, atento.
— A Eloá gostou do Henri, sim. E por bastante tempo. Mas foi algo platônico, sabe? Nunca passou disso. Eles nunca tiveram nada de verdade. Mesmo sem saber dos sentimentos dela, o Henri sempre deixou claro que não queria nada sério com ninguém. Ela só ficou esperando por algo que nunca veio.
— E agora?
— Agora… ela se sente culpada por sentir algo por você. Mas sente, Gael. E está se torturando por isso.
— Vai dizer que nunca pensou em se casar?
— Nunca, nem por um momento.
— Um dia você vai morder a língua — ela provocou.
— Tomara que não. Língua é sensível — respondeu, levantando uma sobrancelha.
— Mas olha só, o Caio ali provando que casamento não é o fim do mundo — comentou, apontando discretamente para o noivo, que dançava com Alice, com um sorriso bobo no rosto.
Henri observou a cena por alguns segundos. Depois soltou um suspiro exagerado.
— É... eles até que parecem felizes. Mas vou manter minha teoria.
Aproveitando a oportunidade, Elisa decidiu ir direto ao ponto.
— Escuta… você tem falado com a Eloá?
Henri ficou sério de repente. Primeiro lançou um olhar rápido para o irmão, que pareceu ficar desconfortável na hora, e só depois voltou os olhos para ela.
— Não — respondeu seco.
— Sério? Que estranho… quando ela ainda estava aqui, vocês pareciam até meio próximos.
— Era só proximidade normal. Igual à que tenho com todo mundo. Não tenho preferência por ninguém — disse, já se levantando, visivelmente incomodado. — Eu vou dar uma volta por aí.
E, sem esperar resposta, saiu andando, deixando os dois para trás.
Elisa o seguiu com o olhar, confusa.
— O que deu nele? Até parece que ficou bravo…
— Eu não sei — Gael respondeu, com o olhar fixo na direção por onde o irmão havia sumido. — Talvez esteja só com a consciência pesada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...