Quando desligou a chamada com a irmã, Eloá não conseguiu conter as lágrimas. Tudo o que mais queria naquele momento era fazer parte daquela alegria, estar com eles, abraçar os irmãos recém-chegados… mas a imagem do olhar de desaprovação dos pais, especialmente de seu pai, surgiu tão nítida em sua mente que ela engoliu em seco.
— Eu não posso voltar… ele jamais me perdoaria por isso — murmurou, como se tentar dizer em voz baixa pudesse tornar aquela verdade menos dolorosa.
Determinada a afastar os pensamentos que lhe apertavam o peito, levantou-se e seguiu para a biblioteca. Enterrou-se nos livros como vinha fazendo nos últimos meses. Pelo menos, dessa forma, conseguia manter-se entre as melhores da turma, reconhecida como uma das alunas mais dedicadas e com as notas mais altas. Ainda assim, no fundo, sabia que estava estudando não só para o futuro, mas para não pensar no presente.
A semana começou no mesmo ritmo corrido de sempre. Eloá já estava numa fase em que não adiantava mais tentar disfarçar a barriga, todos haviam percebido a gravidez. Algumas colegas, que antes se sentavam com ela para os estudos em grupo, começaram a agir de maneira diferente e se afastar. Não precisavam dizer nada em voz alta; ela sabia exatamente o motivo daquele distanciamento.
Enquanto caminhava em direção ao refeitório, avistou Brook vindo na direção contrária. A tutora abriu um sorriso caloroso assim que a viu.
— Como você está?
— Estou bem, obrigada.
— Tenho boas notícias para você — disse Brook, mantendo o sorriso no rosto.
— Qual é? — perguntou, sentindo uma pontada de esperança. Nos últimos dias, tudo o que ela queria era ouvir algo que a tirasse daquele peso constante no peito.
— Consegui que você se mudasse para o seu apartamento — revelou, como quem entrega um presente cuidadosamente embrulhado.
Sem acreditar, Eloá piscou algumas vezes.
— Está falando sério?
— Completamente. Já falei com a administração e a mudança pode ser feita assim que você quiser. Vai ter mais privacidade, mais conforto… e não vai precisar lidar com comentários ou olhares atravessados.
Por um instante, Eloá não soube o que dizer. Um nó se formou na garganta e ela apenas assentiu, sentindo um alívio que há muito não experimentava.
— Brook… eu não sei como agradecer.
— É o mínimo que posso fazer por você.
— Vou arrumar as minhas coisas e me mudo no fim de semana.
— Ótima escolha. — Brook sorriu. — Se precisar de ajuda, é só me avisar. Como já te disse, moro no mesmo prédio onde está o seu apartamento.
Emocionada com tanta consideração, tocou a mão de Brook e a olhou nos olhos.
— Eu prometo que, um dia, vou recompensar tudo o que está fazendo por mim.
— Não precisa me recompensar por nada — respondeu. — Apenas se cuide… e aproveite esse tempo sozinha para planejar a sua vida daqui para frente.
— Eu já venho pensando bastante nisso. — Eloá respirou fundo. — Pesquisei sobre algumas brasileiras que vêm para cá trabalhar como babá e já estou entrando em contato com algumas para fazer entrevista. Nesse primeiro ano, o bebê será cuidado em casa… No próximo, pretendo colocá-la numa creche.
— E como vai arcar com as despesas, estudando em período integral?
— Tenho uma boa reserva guardada. — Ela manteve o tom firme. — Também possuo parte em algumas ações do meu pai e, além disso, recebo uma mesada mensal que raramente uso.
Brook assentiu, analisando-a com admiração.
— Vejo que você está se preparando bem.
— Sim. Eu sei que não será fácil… mas, graças a Deus, o dinheiro não será um problema agora.
Brook esboçou um meio sorriso, mas seu olhar carregava um alerta.
— Tudo bem. Só vamos torcer para que o seu pai não descubra… porque, se isso acontecer, nós duas estaremos encrencadas.
— Ele não vai, eu prometo. E, se por acaso acontecer, já disse que assumo toda a responsabilidade.
— Você não está ocupada?
— Não, estou livre.
As duas seguiram com as malas pela calçada até o prédio do apartamento, que ficava a poucos minutos da universidade.
— É tão perto — Tess comentou, entrando no novo lar de Eloá. — Aposto que dá para ver a universidade da janela.
— Dá sim — Eloá abriu a cortina e apontou. — Isso é bom, não vou perder tempo com deslocamento.
— Ótimo — Tess sorriu, percebendo que não havia mais muito o que fazer ali. — Bom, vou voltar para o dormitório. Se precisar de qualquer coisa, me chama. Sei que foram só alguns meses, mas sinto que te conheço há muito tempo.
— Obrigada, Tess.
A amiga se despediu e saiu dali. Ao chegar na área do dormitório, quase deserto por ser fim de semana, notou, parado próximo à entrada, um homem jovem alto, de cabelos pretos e olhos claros, que olhava ao redor como se procurasse por alguém.
— Com licença, precisa de ajuda? — perguntou, simpática.
Ele ergueu o olhar para ela e havia algo de ansioso, quase urgente, em seus olhos.
— Preciso sim. Por acaso, você conhece a Eloá Taylor?
— Conheço, sim — respondeu, esboçando um sorriso rápido. — Somos… quer dizer, éramos colegas de quarto — corrigiu-se, quase num sussurro.
— Éramos? — ele franziu o cenho, confuso. — Por quê?
— Eloá precisou se mudar… por conta da gravidez.
— Gravidez?! — Ele repetiu, e seus olhos se arregalaram, como se aquela palavra tivesse lhe tirado o ar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...