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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 265

Era estranho para Eloá perceber como o simples toque da mão de Gael já despertava nela um arrepio que percorria todo o corpo. Como ele podia dizer aquelas coisas, ainda mais vendo o estado em que ela se encontrava?

— Gael, por favor… — pediu, com os olhos marejados.

— Eu já disse… não vou mudar de ideia.

Sem lhe dar tempo para reagir, ele se inclinou e a beijou nos lábios, colocando naquele gesto toda a intensidade do que sentia. Queria que ela soubesse, sem precisar de palavras, que a amava e que estaria ao lado dela, acontecesse o que acontecesse.

O beijo a pegou desprevenida. Por um instante, Eloá sentiu o corpo vacilar, como se as pernas não fossem capazes de sustentá-la. O calor dele, o sabor familiar, o jeito como seus dedos lhe seguravam o rosto com firmeza… tudo a fez esquecer, ainda que por segundos, de qualquer medo ou insegurança.

Quando Gael se afastou, manteve a testa colada à dela, respirando rápido.

— Você não está sozinha, Eloá. Nunca mais vai estar.

Ela fechou os olhos, tentando conter as lágrimas que ameaçavam cair. Parte dela queria acreditar, se entregar àquele abraço e deixar que ele carregasse o peso que ela vinha sustentando sozinha. Mas outra parte, machucada e desconfiada, ainda lutava contra a ideia de depender de alguém.

— Eu não sei se consigo… — murmurou, quase num fio de voz.

— Então deixa que eu consigo por nós três — respondeu, acariciando-lhe a barriga, demonstrando que estava ali por tudo e por todos.

Rapidamente, ela sentiu o coração acelerar de um jeito quase doloroso. Havia verdade no olhar dele. E isso, para ela, era, ao mesmo tempo, a coisa mais bonita e mais assustadora do mundo.

No instante em que ele tocou sua barriga, o bebê se mexeu, como se tivesse esperado exatamente por aquele gesto. Um frio percorreu sua espinha e o nervosismo tomou conta. Tentou se agarrar à razão que ainda lhe restava.

— Você não sabe o que está dizendo — murmurou, afastando-se apressada. — Não devia ter feito isso — acrescentou, já caminhando até uma das malas abertas, onde roupas ainda estavam desorganizadas. Vasculhou entre elas até encontrar uma peça que pudesse cobrir a barriga, como se isso fosse capaz de criar uma barreira entre eles.

Gael a observava em silêncio.

— Por que você insiste em me afastar? — perguntou, com a voz grave, mas sem elevar o tom.

— Porque é o certo — respondeu, evitando olhar para ele. — Eu… eu não posso deixar você se envolver nisso.

Ele deu um passo na direção dela e outro, até que a distância quase desapareceu.

— Tarde demais, Eloá. Já estou mais envolvido do que você é capaz de imaginar.

Ela fechou os olhos, respirando fundo, tentando ignorar o calor que sentia com a proximidade dele. As mãos tremiam ao segurar a blusa contra o corpo. Sabia que, se olhasse para Gael naquele momento, perderia qualquer força para resistir.

Gael inclinou-se novamente e a beijou com urgência. Seus dedos passearam pela lateral do corpo dela, subindo até encontrar suas mãos, que ele entrelaçou nas próprias, pressionando-as contra o colchão.

— Me deixa ficar — pediu, e era impossível dizer se era uma súplica ou uma ordem.

Ela fechou os olhos, sentindo o peso daquela decisão. Parte dela gritava para que recuasse, para não abrir outra porta que talvez nunca conseguisse fechar. Mas havia algo nele, naquele momento, que rompia qualquer barreira que ela tentasse erguer.

Sem dizer uma palavra, Eloá o puxou para mais perto. Ele entendeu o gesto e a beijou de novo, mais lento desta vez, explorando cada segundo, como se quisesse memorizar o gosto e o calor dela.

Suas carícias se tornaram mais intensas, mas ainda cheias de cuidado. Ele se deitou ao lado dela, puxando-a para si, e o mundo lá fora deixou de existir. O som da respiração acelerada, o roçar dos corpos, o calor que crescia a cada instante… tudo se misturava até que Eloá já não sabia mais o que estava acontecendo.

Cada toque dele parecia querer reforçar os seus sentimentos e mostrar que havia alguém ali disposto a carregar parte do peso que ela vinha sustentando sozinha por tanto tempo. E, por mais que tivesse medo do que aquilo significava, não conseguia negar que precisava dele naquele momento.

Quando os lábios dele desceram até o seu pescoço, Eloá soltou um suspiro involuntário, sentindo o corpo inteiro responder. Gael sorriu contra a pele dela, como se soubesse exatamente o efeito que causava.

Ela o queria, e ele sentia isso tanto quanto desejava. Mas o toque urgente da campainha quebrou o instante, obrigando-os a se afastarem.

— Eloá! — a voz de Brook, vinda do outro lado da porta, a arrancou de volta para a realidade como um balde de água fria.

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